G1
O Pantanal registrou o segundo ano mais seco da história, desde o início da medição em 1985, segundo dados divulgados pelo MapBiomas Água nesta sexta-feira (21/03). Os períodos de tempo seco longos e incêndios florestais mais frequentes na região são os principais motivos dessa redução de água no bioma. Os dados foram divulgados para marcar o Dia Mundial da Água, celebrado neste sábado, 22 de março.
De acordo com o relatório, 4% da superfície de água do bioma foi perdida no ano passado em relação a 2023. Agora, a área ficou em 366 mil hectares. O ano de 2024 foi 52% mais seco do que a última cheia do bioma, em 2018, ou seja, há sete anos a planície não alaga completamente, o que desiquilibra os ciclos de seca e cheia do bioma, chamados de pulso de inundação.
Segundo o Serviço Geológico do Brasil, a média anual de chuvas no Pantanal, cerca de 1,100 milímetros, não tem sido alcançada nos últimos anos.
Segundo o pesquisador do Mapbiomas, Eduardo Reis, o aumento de períodos de seca acende um alerta para uma adaptação a essa nova realidade, que vem atingido o Pantanal nos últimos 6 anos. "O período que o bioma fica alagado por mais tempo, o pulso de de inundação, é o período de cheia que renova toda biodiversidade. A flora e fauna que estão na planície pantaneira dependem, exatamente dessa renovação do bioma para ter alimento", explicou.
No Pantanal, é necessário ter grandes períodos de cheia para que os rios abasteçam o bioma e apresentem níveis mais altos. Especialmente o Rio Paraguai, que quando transborda forma uma barreira que segura a água das chuvas que caem sobre os campos por mais tempo. No entanto, esse nível não tem sido alcançado.
Em 2020, com 870 mm de chuva, teve um déficit de chuva superior a 200 mm. Já em 2021, teve outro déficit. E por fim, em 2024 mais 1 ano com déficit, o ano de 2025 está também se configurando um ano com com anomalias negativas de chuva, informou o pesquisador Serviço Geológico do Brasil, Marcus Suassuna.
Segundo o pesquisador, apesar do bioma estar registrando períodos de chuvas durante o mês de março, quando a cheia não atinge o esperado, o desiquilíbrio pode aumentar os riscos de secas se repetirem.
Vegetação afetada
De acordo com o Mapbiomas, a cheia favorece o desenvolvimento de vegetação com biomassa, mas com o período de seca prolongado, essa vegetação seca e pode se tornar suscetível ao fogo. "Quando vier o período seco, essa biomassa também vai secar e pode estar disponível para qualquer incidência de fogo e a propagação pode se tornar incontrolável, como aconteceu já em outros anos", disse Eduardo.
O Pantanal é um bioma adaptado ao fogo e se recupera em ciclos, mas a atividade humana é a principal causa dos incêndios na região, representando cerca de 84%. A segunda maior causa é por meios naturais, representando 16%, de acordo com a pesquisadora do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Renata Libonati.
Conforme o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em 2024, o Pantanal, em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, registrou 613 focos de queimadas. Em todo o estado de Mato Grosso, já são 3.971 focos de queimadas, ficando atrás apenas de Roraima (4.571).
Brasil
Segundo o MapBiomas Água, o Brasil perdeu 400 mil hectares de superfície de água em 2024, uma extensão que equivale a mais de duas vezes a cidade de São Paulo, aponta a atualização da série histórica. No ano passado, o território do país coberto por corpos hídricos e reservatórios ficou em 17,9 milhões de hectares, o que representa uma diminuição de 2% em relação 18,3 milhões registrados em 2023.
De acordo com a nova coleção de mapas e dados de cobertura do território nacional por superfície de água, há uma acentuação na trajetória de diminuição dessa área na última década, quando foram registrados oito dos anos mais secos da série histórica iniciada em 1985. No período, apenas em 2022 houve recuperação da superfície de água, quando atingiu 18,8 milhões de hectares.
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