Artigos
  • JOAQUIM SPADONI
    Os salários que são pagos com nosso dinheiro devem ter critérios claros, pautados e limitados em Lei
  • RENATO NERY
    Apesar dos grande avanços, está-se liquidando o que ainda resta da nobre e festejada profissão
J. do Trabalho / PORTADOR DE HIV

Tamanho do texto A- A+
15.12.2016 | 17h56
TRT mantém condenação de empresa que dispensou vigilante
A empresa deverá reintegrar um portador da doença e indeniza-lo em 4 mil reais
Reprodução
A empresa foi condenada na 2ª Vara do Trabalho de Várzea Grande e chegou a recorrer ao TRT, que manteve a decisão anterior
DA ASSESSORIA

A empresa não precisa explicar o motivo de não mais querer um trabalhador em seu quadro de pessoal quando a dispensa é sem justa causa. Mas essa regra tem sua exceção. Quando o empregado é portador de HIV ou de outra doença grave que suscite estigma ou preconceito a empresa é obrigada a fazer a justificativa. É o que diz a súmula 443 do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que consolida o entendimento do órgão sobre o assunto.

Uma empresa de segurança do município de Várzea Grande que não observou tal exigência foi condenada pela Justiça do Trabalho em Mato Grosso a reintegrar um ex-empregado portador da doença. Ela deverá, também, pagar os salários devidos ao trabalhador desde a data da dispensa até a data da efetiva reintegração e, ainda, indenizá-lo em 4 mil reais por danos morais pela conduta discriminatória.

A empresa foi condenada na 2ª Vara do Trabalho de Várzea Grande e chegou a recorrer ao TRT, que manteve a decisão anterior.

Ao ajuizar o processo, o trabalhador contou que, em 13 de novembro de 2014, precisou fazer exame médico, cerca de quatro meses após ser contratado para a função. Ao entregar o atestado afim de não ver descontado o dia de serviço, informou que tinha que se submeter ao procedimento por ser portador do vírus HIV. Após tal comunicado, feita ao seu gerente e empregador, acabou dispensado do trabalho.

Na Justiça, a empresa de vigilância disse não haver provas da alegada discriminação. Também afirmou que somente tomou conhecimento da doença do ex-empregado na hora em que foi fazer o acerto pelos dias trabalhados por ele como diarista e que o trabalhador nem chegou a ser contratado pela CLT porque não apresentou, conforme combinado, a habilitação necessária para exercer a função de segurança.

Mas, na audiência, o representante da empresa apresentou uma versão diferente, dizendo que somente tiveram conhecimento de que o autor era portador do vírus HIV em razão do processo. Diante disso e do completo desconhecimento dele em relação a outros pontos importantes, a Justiça reconheceu a confissão ficta do empregador quanto à doença e a versão do trabalhador foi tida como verdadeira.

Conforme destacou o desembargador Osmair Couto, relator do processo na 1ª Turma do TRT, a empresa não conseguiu provar, “de forma robusta”, outra motivação para a dispensa do empregado. O magistrado rejeitou o argumento de que o empregado havia sido contratado como diarista, não sendo efetivado posteriormente porque não apresentou a qualificação exigida, algo que a própria convenção coletiva da categoria vedava.

“Diante das razões acima expostas, tenho que a dispensa imotivada do empregado portador do vírus HIV, quando ciente a reclamada da condição de saúde do reclamante, presume-se discriminatória, mormente quando ausente nos autos a prova em sentido contrário”, destacou o desembargador, que teve seu voto acompanhado na íntegra pelos demais desembargadores da 1ª Turma do TRT.


Voltar   

Nenhum Comentário(s).
Preencha o formulário abaixo e seja o primeiro a comentar esta notícia
Comente está matéria

Confira também nesta seção:
Agosto de 2017
15.08.17 15h51 » Homem é indenizado após ficar impotente temporariamente
14.08.17 15h49 » Empresa não pode suspender planos de saúde de afastados por doença
01.08.17 09h49 » Férias: atraso de 2 dias não exige valor em dobro, diz TST
Julho de 2017
31.07.17 09h56 » Trabalhador que mentiu sobre demissão é condenado por litigância de má-fé
29.07.17 08h52 » Quem pede demissão grávida não tem direito a estabilidade, decide TST
28.07.17 15h04 » Demitida pelo WhatsApp será indenizada em R$ 10 mil
18.07.17 17h29 » Empresa de construção é condenada por não contratar aprendiz
17.07.17 09h24 » TRT renova termo aditivo para utilização de aeronaves do Estado
08.07.17 08h32 » Acidente na volta para casa dá direito a estabilidade de emprego
Junho de 2017
30.06.17 16h08 » Incapacidade de ir ao Judiciário por causa de depressão anula prescrição



Copyright 2012 Midia Jur - Todos os direitos reservados
Trinix Internet