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TCE / DISCURSO DE DESPEDIDA

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29.08.2017 | 16h32
Conselheiro deixa TCE, rebate Silval e quer anular parte de delação
“Tenho convicção de que o MPF não terá condição de me denunciar, porque não vai encontrar provas"
Marcus Mesquita/MidiaNews
O presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Antonio Joaquim, que deixou Corte nesta terça-feira
DOUGLAS TRIELLI
DA REDAÇÃO

O presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Antonio Joaquim, comandou a sua última sessão na Corte, na manhã desta terça-feira (29). Em seu discurso de despedida, citou a delação do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) e afirmou que irá pedir a anulação de parte do acordo do peemedebista com a Procuradoria Geral da República (PGR).

O conselheiro, que sai de férias em setembro e deixa a função em outubro, quando retorna à vida política, é acusado por Silval de receber R$ 53 milhões, junto com outros conselheiros, para liberação do andamento de obras no Estado.

Além disso, teria, segundo Silval, participado de um esquema de lavagem de dinheiro na compra e venda de uma fazenda no Município de Nossa Senhora do Livramento, da qual o ex-governador seria sócio oculto.

Antonio Joaquim discursou por quase 10 minutos. Desafiou Silval a provar as acusações e pediu que a PGR seja célere na apuração do caso.

“Não tem sentido eu fazer despedida ao vivo e não fazer referência à delação de Silval. Quero afirmar que nunca recebi e nem autorizei qualquer pessoa a receber vantagem indevida em relação à minha atuação neste Tribunal. Por isso repudio de forma veemente essas afirmações. Eu desafio o ex-governador Silval, [ex-chefe da Casa Civil] Pedro Nadaf ou outros delatores a encontrar um fiapo de prova contra mim”, disse.

“Eu fui relator das obras da Copa e fiz vários relatórios dizendo que o Governo não tinha planejamento, organização e não entregaria as obras. Naquela época, muitos me criticaram. E hoje nem o estádio está pronto. Votei contra as contas da Secretaria de Infraestrutura, determinei a devolução de R$ 2,5 milhões do [ex-secretário da Copa] Eder Moraes no caso das Land Rovers. São atitudes que mostram a minha independência e liberdade de agir neste Tribunal”, afirmou.

Sobre a venda de sua fazenda, explicou que foi procurado pelo empresário Wanderley Faccheti Torres, proprietário da empresa Trimec. Que aceitou a venda do terreno por R$ 6 milhões e que tudo está declarado em seu Imposto de Renda, e que o dinheiro caiu em sua conta.

“Em 2012, comecei a ser abordado por corretores que estavam querendo comprar a fazenda que comprei do ex-vereador Gonçalo Pente Fino para criar meu gado. Recebi a visita do corretor Norberto, em nome do Nei, que creio ser sócio do [ex-prefeito] Mauro Mendes. Depois veio o Wanderley da Trimec. Vendi para ele em 2012, por valor de mercado. Fizemos um contrato de compra e venda. Ele pagou na minha conta. Depósito da Trimec. E olha o que o ex-governador faz”, disse o conselheiro, que afirmou a intenção de pedir a anulação deste trecho da delação.

Tenho convicção de que o MPF não terá condição de me denunciar, porque não vai encontrar provas. Peço que num prazo razoável tome iniciativa de me denunciar ou anular

“O próprio Wanderley tem que se manifestar. Não acredito que ele irá falar que é laranja, quero ouvi-lo. Ele pode eventualmente ser, não tenho nada com isso, mas é muita injustiça, diria covardia, má-fé dizer que eu teria que saber que eles teriam uma sociedade oculta. Não sou policia federal, não sou da Receita Federal”, afirmou.

O conselheiro disse não ter medo de perder o foro privilegiado inerente ao cargo. Mas pediu que a PRG decida até março se ele se tornará réu ou não no caso.

“Tenho convicção de que o MPF não terá condição de me denunciar, porque não vai encontrar provas. Peço que num prazo razoável tome iniciativa de me denunciar ou anular. Até março do ano que vem é um prazo suficiente, porque não dá para ficar com uma espada no pescoço para sempre”, disse.

Convicção

Antonio Joaquim disse estar convicto da decisão de deixar o TCE e pediu que os “amigos” fiquem tranquilos. Ele ficou no cargo por 17 anos e teria ainda mais 14 na Corte, quando se aposentaria compulsoriamente.

“Fico quase que no dever de tranquilizar aqueles amigos que não entendem a minha decisão. Teve amigos que perguntaram se eu estava tomando Gardenal estragado ou se minha cachaça estava estragada. Mas posso dizer a meus amigos que estou fazendo isso com convicção. Eu estou muito feliz com isso. Estou me reinventando. Estou estimulado”, completou.

Outros conselheiros também agradeceram a contribuição de Antonio Joaquim à Corte de Contas. Valter Albano assume, agora, a presidência do órgão.

Leia mais sobre o assunto:

Silval diz ter sido sócio oculto em venda de fazenda de conselheiro

“Se eu continuar no TCE, serei infeliz”, diz Antonio Joaquim


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