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TCE / SUPOSTA PROPINA

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12.05.2017 | 08h50
Nadaf aponta Sérgio e servidor como "interlocutores" de propina
Trecho de depoimento de ex-secretário ao Gaeco revelaria detalhes de pagamentos a conselheiros
Reprodução
O conselheiro Sérgio Ricardo, citado em depoimento de Pedro Nadaf
CARLOS PALMEIRA E PATRÍCIA SANCHES
DO RDNEWS

Em depoimento ao Gaeco, o ex-secretário da Casa Civil Pedro Nadaf afirma que cabia ao conselheiro afastado do TCE, Sérgio Ricardo, e ao secretário de Finanças do órgão identificado como “Adejair” receberem a propina destinada ao Tribunal, para garantir a aprovação das contas do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), a manutenção das obras do MT Integrado e da Copa de 2014, além de apoio a questões relacionadas aos incentivos fiscais.

Ele inclusive cita que por volta do segundo semestre de 2013 foi tratar de um assunto administrativo no TCE com Sérgio Ricardo que, por sua vez, teria participado de uma reunião com Silval e Novelli, oportunidade em que o então presidente teria pedido “sigilo”.

Nessa ocasião, Nadaf conta que teria comentado sobre o acordo com Silval e ressaltado que algumas parcelas da propina estavam em atraso.

Segundo o ex-braço-direito do ex-governador, muitas das entregas do dinheiro eram feitas pelo ex-secretário estadual de Planejamento Arnaldo Alves. Ele cita que Arnaldo passou a ser o porta voz de Silval junto ao TCE e que a propina era entregue ora para Adejair, ora para o conselheiro Sérgio Ricardo.

O delator complementa dizendo que Arnaldo tinha, inclusive, um cartão que dava acesso à garagem privativa dos conselheiros. Nadaf pontua que não sabia dizer quais outros membros da organização criminosa recebiam propina referente aos desvios da verba pública.

Ele também ressalta que o esquema teria sido proposto pelo então presidente do TCE José Carlos Novelli. A delação ainda revela que, de acordo com relatos de Silval, o ex-governador teria fechado um acordo de pagamento mensal de R$ 3,5 milhões a serem distribuídos a cinco conselheiros em 14 parcelas, que na soma total chegava a R$ 50 milhões.

Segundo Nadaf, receberam a propina os conselheiros Sérgio Ricardo, José Carlos Novelli, Valter Albano, Antonio Joaquim, Waldir Teis, e não receberam os valores ilícitos o substituto de Humberto Bosaipo, no qual Nadaf não se recorda o nome, e Campos Neto.

O ex-secretário conta também que chegou a receber do procurador aposentado Chico Lima uma quantia de R$ 2,1 milhões e que parte desse valor foi utilizada para adquirir uma propriedade rural de cerca de 700 hectares em Poconé, no início de 2014.

O imóvel chegou a ser colocado no nome de Marcos Amorim da Silva, ex-diretor do Sesc, e colega de longa data de Nadaf, que teria aceitado ser nomeado como procurador desse imóvel. Nadaf argumenta ainda que não poderia aparecer como dono do local devido a problemas conjugais que estava tendo com a esposa.

Depoimento

As revelações constam em depoimento prestado por Nadaf em 5 de setembro do ano passado e foram colhidas pelos delegados de polícia Márcio Moreno Vera, Alexandra Mensch, Carlos Américo Marchi  e os promotores de Justiça Samuel Frungilo, Carlos Roberto Zarour Cesar e Marcos Bulhões.


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