Artigos
  • GONÇALO ANTUNES DE BARROS
    Sabemos que há individualidade por haver uma historicidade vivida por cada qual
MPF / PEDIDO NA AL

Tamanho do texto A- A+
02.09.2017 | 11h45
Delator diz que Zeca não recebia "mensalinho", mas fez cobrança
Silvio Araújo relatou que o nome de deputado do PDT não constava em lista de Romoaldo Junior
Alair Ribeiro/MidiaNews
O deputado estadual Zeca Viana, único a não receber mensalinho na Assembleia
DOUGLAS TRIELLI
DA REDAÇÃO

Ex-chefe de gabinete do então governador Silval Barbosa (PMDB), Sílvio Corrêa Araújo contou ao Ministério Público Federal (MPF) que o deputado estadual Zeca Viana (PDT) era o único entre os 24 parlamentes que não recebia uma espécie de “mensalinho” para apoiar o Governo.

Corrêa contou como funcionava o esquema em delação premiada à Procuradoria Geral da República (PGR), homologada pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), no dia 9 de agosto.

Segundo Sílvio Corrêa, Silval repassava R$ 50 mil por mês, de um total de R$ 600 mil, aos deputados por meio das obras do programa “MT Integrado”.

De acordo com o delator, Zeca era o único parlamentar que não constava na lista feita pelo deputado Romoaldo Junior (PMDB).

“Durante o ano de 2012 a 2013, o declarante [Sílvio Corrêa] ficou incumbido de efetuar regularmente os pagamentos aos deputados estaduais, sendo que os pagamentos se deram em doze parcelas no valor de R$ 50 mil para cada deputado, exceto um deles que não recebia esse montante, o deputado Zeca Viana”, afirmou em trecho da delação.

Ainda de acordo com Sílvio Corrêa, em um desses anos chegou a encontrar Zeca Viana nos corredores da Assembleia. E que o parlamentar, um dos poucos que oposição à época, questionou se também não iria receber o “mensalinho”. O delator, então, negou o pedido.

Que Zeca Viana não recebeu os pagamentos do ‘MT Integrado’, não sabendo o declarante as razões pelas quais ele não constava na lista

O ex-assessor de Silval disse desconhecer as razões que levaram Romoaldo a excluir Zeca da lista.

“Que Zeca Viana não recebeu os pagamentos do ‘MT Integrado’, não sabendo o declarante as razões pelas quais ele não constava na lista elaborada por Romoaldo Junior. Porém, em uma ocasião na ALMT, Zeca Viana encontrou o declarante na sala dos Deputados (local de refeição) e questionou se ele não iria receber, tendo o declarante dito que não, pois não constava na relação encaminhada por Romoaldo, que era o líder do governo na ALMT”, afirmou.

O mensalinho e gravações

Tanto Silval Barbosa quanto o ex-assessor Sílvio Corrêa afirmaram que havia pagamento de propina a deputados estaduais após um acordo referente às obras do programa MT Integrado.

Sílvio era o responsável por recolher com Valdisio Viriato, secretário-adjunto na Secretaria de Infraestrutura e amigo de Silval.

A maioria dos pagamentos foi realizada em espécie aos deputados, mas, segundo o delator, também houve ocasiões em que foi pessoalmente à Assembleia entregar tais pagamentos.

Sílvio chegou a demonstrar interesse em fazer um documento para comprovar o pagamento, mas em uma conversa, Romoaldo disse que os deputados não assinariam nada, ficando tudo no “âmbito da palavra”.

Segundo ele, pela pressão que recebia dos deputados, resolveu gravá-los pegando os maços de dinheiro.

Foram flagrados pegando dinheiro os então deputados Antonio Azambuja (PP), Luciane Bezerra (PSB), Hermínio Barreto (PR), José Domingos Fraga (PSD), Airton Português (PSD), Ezequiel Fonseca (PP), Emanuel Pinheiro (PMDB), Alexandre César (PT) e a ex-secretária de Estado Vanice Marques.

Também foram filmados, na mesma sala, Gilmar Fabris (PSD) e Baiano Filho (PSDB), porém não há imagens deles pegando dinheiro.

Outro lado

Por meio de nota, o deputado Zeca Viana negou que tenha feito qualquer tipo de pedido a Sílvio ou a Silval.

Leia a íntegra da nota:

Em resposta às matérias veiculadas na imprensa local a respeito da delação premiada do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), a assessoria do deputado estadual Zeca Viana (PDT-MT) esclarece os seguintes fatos:

1.    Quanto à informação de que teria cobrado os valores de propina, Zeca esclarece que nunca cobrou propina do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), muito menos do seu ex-chefe de gabinete Sílvio César, pessoa que nunca conheceu e com quem jamais manteve qualquer conversação;

2.    Ao citar 24 deputados, os jornais fazem entender que eram todos os parlamentares, quando, na realidade, se tratavam de 23 titulares e 1 suplente. Assim, não é verdadeira a afirmação que alguns veículos fizeram ao dizer que todos os deputados receberam propina. Como o próprio delator Silvio César afirma, Zeca Viana não recebeu propina (documento em anexo);

3.    Por fim, Zeca Viana lembra que sempre atuou de forma transparente, como membro da oposição, e questionou (inclusive judicialmente) diversas das irregularidades que hoje são confessadas pelo ex-governador Silval Barbosa, conforme relação de documentos em anexo.

Leia mais sobre o assunto:

Ex-assessor escondeu câmera em antena para gravar deputados

 


Voltar   

Nenhum Comentário(s).
Preencha o formulário abaixo e seja o primeiro a comentar esta notícia
Comente está matéria

Confira também nesta seção:
Outubro de 2018
31.10.18 16h03 » Edson Fachin suspende inquérito que investigava Michel Temer
30.10.18 11h38 » MPF representa contra Taques por suposto prejuízo de R$ 203 mi
29.10.18 15h00 » Bolsonaro deve governar para todos, sem preconceitos, diz Raquel Dodge
25.10.18 16h15 » MPF quer cassar deputado eleito por pedir votos em prédio público
23.10.18 16h26 » Dodge diz que é importante cultivar respeito às instituições brasileiras
23.10.18 12h01 » Para MPF, cobrar multa antecipada de Lula é inconstitucional
19.10.18 18h34 » Delator, Malouf terá que devolver R$ 5,5 mi aos cofres públicos
19.10.18 15h02 » Alan acusa Taques e dois empresários de pressão para barrar delação
19.10.18 10h05 » “Fake news não convêm ao eleitor nem à democracia”, diz Dodge
13.10.18 12h06 » A pedido da PGR, Fachin arquiva investigação contra Blairo Maggi



Copyright © 2018 Midia Jur - Todos os direitos reservados
Trinix Internet