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MPF / DELAÇÃO PREMIADA

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10.07.2017 | 16h10
Nadaf confirma ao MPF esquemas de corrupção no Estado; veja
Ex-secretário delatou desvio em venda de terreno e participação do núcleo duro de Silval Barbosa
Alair Ribeiro/MidiaNews
O ex-secretário da Casa Civil, Pedro Nadaf: delação à PGR
LUCAS RODRIGUES
DO MIDIANEWS

O ex-secretário chefe da Casa Civil, Pedro Nadaf, revelou ao Ministério Público Federal (MPF) todos os detalhes do esquema na venda de um terreno de R$ 31,7 milhões no Bairro Jardim Liberdade, em Cuiabá, ocorrido em 2014.

O depoimento, obtido pelo MidiaNews (veja a íntegra ao final da matéria) e prestado em janeiro deste ano, faz parte do acordo de colaboração premiada firmado entre Nadaf e a Procuradoria-Geral da República, homologado pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), em março.

No acordo, Nadaf se comprometeu a devolver R$ 17,5 milhões aos cofres públicos.

A oitiva do ex-secretário foi feita pela procuradora da República Vanessa Scarmagnani, que atua no Estado. Os fatos envolvendo o esquema também são investigados na 4ª fase da Operação Sodoma, em que Nadaf é réu confesso.

Início do esquema

Marcel de Cursi ficou de estudar como a Sefaz pagaria o valor de R$ 31,7 milhões, de onde sairia o recurso

Segundo Nadaf, em 2014 o então governador Silval Barbosa (PMDB) – também réu confesso - o chamou para pensar em uma maneira de arrecadar dinheiro e pagar uma dívida com o empresário Valdir Piran, do ramo de factoring.

Dias depois, Silval disse que o procurador do Estado Chico Lima havia encontrado uma solução para o pagamento da dívida: um processo de desapropriação em um terreno no Bairro Jardium Liberdade, em Cuiabá, com sentença favorável ao proprietário e que o Estado deveria pagar.

A solução englobaria exigir que 50% do montante pago ao dono do terreno retornasse à organização criminosa. No esquema, Nadaf disse que ficou responsável por preparar o orçamento e Chico Lima por formular os pareceres favoráveis à desapropriação.

O ex-secretário afirmou que posteriormente se reuniu com o então secretário de Fazenda, Marcel de Cursi, para confirmar a participação deste no esquema.

“Marcel de Cursi ficou de estudar como a Sefaz pagaria o valor de R$ 31,7 milhões, de onde sairia o recurso, e também como seria efetuada a forma de pagamento desse dinheiro pelo Governo”.

Por sua vez, conforme Nadaf, Cursi entendeu que a melhor forma era pagar o montante em sete parcelas. Nadaf então repassou a informação ao então secretário de Planejamento, Arnaldo Alves.

Eu ainda tinha a promessa de receber R$ 100 mil de Alan Malouf por ter ajudado a receber propina de empresários para influir em atos praticados no governo atual

“Nessa conversa que tive com Arnaldo, informou que ele também receberia propina para tal”.

Execução

Segundo Nadaf, Chico Lima foi o responsável por fazer o contato entre o Governo, o proprietário da área - o delator Antônio Rodrigues de Carvalho - e seu advogado, Levi Machado.

Chico Lima também teria dito que tinha um amigo dono de factoring que iria operacionalizar os R$ 15,8 milhões que retornariam ao grupo. Esse amigo seria o empresário Filinto Muller, também delator do esquema.

De acordo com o ex-secretário, Chico Lima também assegurou que Filinto ficaria com a tarefa de repassar os R$ 10 milhões destinados a Silval para pagar parte da dívida com Valdir Piran, que seria de R$ 40 milhões.

“Os demais R$ 600 mil seriam destinados a empresa que iria lavar o dinheiro e os R$ 4,4 milhões restantes seria distribuídos entre eu, Chico Lima, Marcel de Cursi, Arnaldo Alves e Afonso Dalberto [ex-presidente do Intermat e delator]”.

Nadaf disse que, além de sua parte, recebeu a propina de Marcel de Cursi. O titular da Sefaz, todavia, pediu para ser pago em ouro, sendo que Nadaf então encomendou R$ 1 milhão em barras de ouro do ex-presidente da Companhia Mato-grossense de Mineração (Metamat), João Justino – também delator.

Na prática, Nadaf disse que acabou ficando com R$ 500 mil, pois teve que pagar R$ 200 mil ao jornalista Antônio Millas – que teria extorquido o grupo.

Parte da propina obtida, conforme o ex-secretário, também foi usada para pagar uma dívida de Silval com o empresário Alan Malouf, relativa à festa de posse do ex-governador.

Nadaf também afirmou que ele e Arnaldo Alves investiram suas respectivas partes da propina nas empresas de Alan Malouf, como forma de ocultar o dinheiro.

“Eu ainda tinha a promessa de receber R$ 100 mil de Alan Malouf por ter ajudado a receber propina de empresários para influir em atos praticados no governo atual”.

Veja a íntegra do depoimento de Nadaf ao MPF:

 

 

Leia mais sobre o assunto:

Propina foi usada para pagar empresário e prefeita, diz Nadaf

Nadaf diz que Piran tentou agredir Silval usando uma cadeira


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