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Segunda, 03 de abril de 2017, 15h18

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MPF / LAVA JATO
Henry pode ter recebido R$ 300 mil por mês, afirma MPF
Ex-deputado federal é apontado como um dos articuladores do esquema de desvios de recursos
Pedro Henry é acusado formalmente de receber R$ 200 mil em propina disfarçada de doação "oficial" de campanha
LAURA NABUCO
DA REDAÇÃO

O ex-deputado federal Pedro Henry pode ter chegado a receber até R$ 300 mil mensais de valores desviados da Diretoria de Abastecimento da Petrobrás e direcionados ao Partido Progressista (PP).

A acusação consta em ação de improbidade administrativa proposta na última quinta-feira (30) contra ele e outras 10 pessoas, derivada da Operação Lava Jato.

Na ação, Henry é apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) como um dos grandes articuladores e beneficiários do esquema, tendo atuado “ativamente para alçar e manter Paulo Roberto Costa no cargo de diretor de Abastecimento da estatal”.

De acordo com o processo, ao menos R$ 460 milhões foram desviados da Petrobrás e destinados ao PP entre os anos de 2004 a 2014. O dinheiro era destinado ao pagamento de propina, que garantia o apoio dos membros da legenda ao governo em votações no Congresso Nacional.

Segundo a delação do doleiro Alberto Youssef, o caixa da propina era administrado diretamente por José Janene (falecido em 2010) e políticos do grupo hegemônico, com destaque na cúpula partidária, que recebiam os maiores valores, variando de R$ 250 mil a R$ 300 mil mensais.

Na ação, Henry é citado como um destes membros, tendo chegado a participar, junto como José Janene e Pedro Corrêa, de reuniões com o então ministro José Dirceu e o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva para cobrar a nomeação de Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento da Petrobrás.

Ainda conforme a delação, os pagamentos ocorriam por meio de entregas em espécie, transferências para contas de empresas ou pessoas indicadas, além de pagamentos de contas ou transferências de bens, disfarçados como doações “oficiais” de campanha.

Henry é acusado formalmente pelo MPF por ato de improbidade administrativa por supostamente receber, por intermédio da Construtora Queiroz Galvão S/A e pela Jaraguá Equipamentos Industriais, o pagamento de R$ 200 mil em propina, que teria sido dissimulada em forma de doação eleitoral, na campanha de 2010.

"A atuação de Pedro Henry no esquema foi confirmada por Paulo Roberto Costa, que, ao ser indagado a respeito das pessoas com quem mantinha contato no âmbito político, respondeu: 'No PP, Pedro Corrêa, tivemos alguns contatos, como o deputado, na época acho que era até o presidente do partido, o Pedro Henry, os principais no início eram esses'", diz trecho da ação.

Além de Henry, os acusados são os ex-deputados federais Pedro Corrêa (PE), João Pizzolatti (SC) e Mário Negromonte (BA); os deputados federais Nelson Meurer (PR), Mário Negromonte Júnior (BA), Arthur Lira (AL), Otávio Germano (RS), Luiz Fernando Faria (MG) e Roberto Britto (BA), além de João Genu, ex-assessor parlamentar do ex- deputado federal José Janene e já condenado na Lava-Jato.

Mensalão

Henry já havia sido condenado, na ação penal derivada do Escândalo do Mensalão, em dezembro de 2012, a sete anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto.

Ele foi acusado de ter recebido dinheiro em troca de apoio no Congresso Nacional ao Governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também foi aplicada ao parlamentar a multa de R$ 932 mil.

Até dezembro de 2013, Pedro Henry cumpria a pena no presídio da Papuda, em Brasília. Depois, foi transferido para a Polinter, em Cuiabá. Em outubro de 2014, passou para o regime de prisão domiciliar, mediante monitoramento por tornozeleira eletrônica.

Em dezembro de 2015, o ministro Luis Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu livramento condicional ao ex-deputado federal.


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