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MPE / OPERAÇÃO BÔNUS

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13.05.2018 | 14h10
Paulo Taques usou influência de primo para praticar crimes
Empresário afirma ter pago R$ 2,6 milhões a primo de governador Pedro Taques
Alair Ribeiro/MídiaNews
Paulo Taques foi alvo da segunda fase da Operação Bereré, deflagrada na quarta-feira (9)
CÍNTIA BORGES E LUCAS RODRIGUES
DA REDAÇÃO

Na decisão que deu início à segunda fase da Operação Bereré, batizada de "Bônus", o desembargador José Zuquim Nogueira disse que o ex-chefe da Casa Civil de Mato Grosso, Paulo Taques, usou da influência que tinha por ser primo do governador Pedro Taques para praticar crimes.

“Em relação a Paulo Cesar Zamar Taques, o poder político decorrente da próxima ligação familiar com o governador do Estado, do qual inclusive se valeu para perpetrar os crimes afirmando ter influência política”, diz Zuquim, no documento.

Paulo Taques foi braço-direito do governador Pedro Taques desde o início do mandado, em 2015. Na campanha, além de advogado, era um dos entusiastas da candidatura.

Em depoimento dado ao Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), o empresário José Ferreira Gonçalves Neto, sócio da EIG Mercados Ltda, apontada como pivô do suposto esquema, afirmou ter pago R$ 2,6 milhões de propina ao ex-chefe da Casa Civil.

O montante serviria para manter o contrato milionário da empresa com o Detran-MT.

Em seu interrogatório, José Neto confessou ter autorizado o executivo José Kobori a negociar a continuidade do pagamento de propina - que já existia na época do ex-governador Silval Barbosa – com a atual gestão do Governo do Estado.

José Neto relatou ao Gaeco que Kobori sugeriu que a EIG pagasse a propina por meio de um contrato de prestação de serviços advocatícios com o escritório de Paulo Taques.

O contrato foi firmado no dia 6 de outubro de 2014, um dia após o resultado da eleição que consagrou Pedro Taques como o próximo governador de Mato Grosso.

Apesar disso, o empresário disse que optou por não pagar a propina por meio do contrato e sim através de pagamentos de “bônus” a Kobori, então presidente da EIG. Este, por sua vez repassaria os valores a Paulo Taques, “tendo restado acertado que o pagamento seria feito anualmente”.

“Bônus”

A segunda fase da Operação Bereré, batizada de Bônus, é coordenada pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco/Criminal) e pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco).

A ação apura um esquema que pode ter desviado cerca de R$ 30 milhões por meio de um contrato do Detran com a empresa EIG Mercados.

Além de Paulo Taques e seu irmão, o também advogado Pedro Jorge Zamar Taques, também foram presos o deputado estadual Mauro Savi (DEM); o ex-diretor-presidente da EIG Mercados, Valter José Kobori; e os empresários Roque Anildo Reinheimer e Claudemir Pereira dos Santos, sócios da Santos Treinamento.

A operação é resultado da análise dos documentos apreendidos na primeira fase da Bereré, dos depoimentos prestados no inquérito policial e colaborações premiadas.

Leia mais sobre o assunto:

Sócio da EIG diz ter pago R$ 2,6 mi de propina a Paulo Taques

MPE diz que investigados receberam R$ 30 milhões em propina

Zuquim nega afastamento e diz que Botelho não ameaça processo


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