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MPE / CITADO POR LESCO

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03.10.2017 | 17h43
“Não é por que critiquei a decisão que defendo os investigados”
Promotor de Justiça Roberto Turin negou ter sido aliciado por grupo envolvido em grampos
Alair Ribeiro/MidiaNews
O promotor de Justiça Roberto Turin: membro do MPE não é "vaquinha de presépio"
LUCAS RODRIGUES
DA REDAÇÃO

O presidente da Associação Mato-grossense do Ministério Público (AMMP), promotor Roberto Turin, negou que a organização criminosa investigada no esquema de escutas clandestinas que operou no Estado tenha tentado “aliciá-lo”.

Turin, que investiga na esfera da improbidade os militares acusados, foi citado pelo ex-chefe da Casa Militar, coronel PM Evandro Lesco, durante conversa gravada pelo tenente-coronel PM José Soares, como um dos promotores que o grupo tentaria aliciar para "atrapalhar" as apurações.

A conversa foi anexada à Operação Esdras, que apura um esquema de interceptações clandestinas no Estado, que era viabilizado pela prática da “barriga de aluguel”, quando números de telefones de cidadãos comuns, sem conexão com uma investigação, são inseridos em um pedido de quebra de sigilo telefônico à Justiça.

“Há um temor em relação a essa investigação e que o Lesco teria dito a ele [José Soares] que tentaria fazer um aliciamento. Essa história de as pessoas investigadas mandarem recados, fazer ameaças, dizer de certa forma que tem alguma influência sobre promotor A ou B, é uma questão infelizmente normal. Essa não vai ser a primeira nem a última vez que as pessoas investigadas terão esse tipo de atitude. Mas não vi nada de concreto. Nenhum deles entrou em contato comigo, nem familiares, nem advogado, direta ou indiretamente, sobre essa história dos grampos”, disse.

O promotor também rebateu os rumores que davam conta de que ele teria criticado a decisão do desembargador Orlando Perri, que autorizou a operação, para favorecer o grupo.

Essa não vai ser a primeira nem a última vez que as pessoas investigadas terão esse tipo de atitude

Na ocasião, a crítica de Turin, enquanto presidente da AMMP, teve como objeto o fato de Perri não ter pedido a opinião do MPE antes de decretar a prisão dos envolvidos, em razão da suspeita de que membros do órgão também integrariam o esquema.

“O que a associação está firmemente combatendo é deixar de abrir vistas do processo ao MPE, afastar o MPE do comando da investigação. Isso são ofensas graves não ao promotor Roberto Turin, mas à instituição, que tem esse papel atribuído constitucionalmente e que atua em centenas de casos de corrupção envolvendo autoridades, sempre investigando a contento”.

“Quando eu não concordei com o fato de não ter abrido vistas ao MPE, não quer dizer que estou defendendo o investigado A ou B. Estou defendendo o livre exercício da atribuição do MPE. Eventuais desrespeitos podem ocasionar nulidade futuras e ocasionar um Ministério Público que não tem conhecimento da prova produzida. Eu sou promotor do Patrimônio Público há 18 anos e quem tiver curiosidade de acompanhar minha trajetória sabe que isso é uma balela. Já peguei casos muito mais graves do que isso e investiguei adequadamente. Agora, com base nisso, dizer que o MPE está em xeque?”, questionou.

O mesmo argumento foi usado por Turin para defender o promotor Marcelo Ferra, também citado na conversa entre os militares, e que opinou pela incompetência de o Tribunal de Justiça poder investigar o caso.

Ninguém aqui vai recuar. Membro do MPE não nasceu para ser vaquinha de presépio, baixar a cabeça à toa nem para A, B ou C

“Não é porque o promotor de Justiça questiona em um julgamento do tribunal se o juiz A ou B é incompetente ou competente tecnicamente para julgar determinada matéria, que quer dizer que está ajudando o criminoso investigado, como no caso do Marcelo Ferra”.

“O fato de determinada medida do Ministério Público, como pedir a incompetência do TJ, poder agradar os investigados momentaneamente, não quer dizer que o MPE fez algo com a intenção de agradá-los. E sim com interesse de buscar o melhor resultado do processo, inclusive com a condenação dos investigados”.

Turin ainda adiantou que a AMMP continuará a se manifestar sempre que houver desrespeito às atribuições do Ministério Público.

“Ninguém aqui vai recuar. Membro do MPE não nasceu para ser vaquinha de presépio, baixar a cabeça à toa nem para A, B ou C. O objetivo é punir os responsáveis, mas também defender o MPE. Caso haja de fato participação de membro do MPE, também deve ser investigado, denunciado e se for o caso condenado. Mas isso tem que ser feito dentro das regras legais. Não se pode execrar ninguém publicamente com base em conversa de bêbado ou de churrasco. Isso nunca foi fundamento para nada. Eles [militares] diziam que tinham medo da investigação de improbidade. Temem por quê? Porque sabem que há independência do MPE em relação a essa mesma organização”, afirmou. 

 

Leia mais:

AMMP diz que conduta de Perri em ignorar MPE é “inaceitável”


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