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MPE / OPERAÇÃO CONVESCOTE

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16.09.2017 | 18h00
Policial do Gaeco é preso por negociar informações com delator
Franckciney Canavarros Magalhães é suspeito de receber vantagem indevida
Alair Ribeiro/MidiaNews
A prisão foi efetuada por policiais do próprio Gaeco
CAMILA RIBEIRO
DA REDAÇÃO

O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) prendeu, na tarde desta sexta-feira (15), o policial Franckciney Canavarros Magalhães, que atua no próprio órgão.

A prisão ocorreu durante cumprimento de mandado da terceira fase da Operação Convescote.

O policial é acusado de vazar informações privilegiadas.

Conforme antecipou o MidiaNews, o policial teria agido de forma a obstruir as apurações em curso, além de ter solicitado vantagem indevida a Hallan Gonçalves Freitas, que foi alvo da 1ª fase da Convescote.

Alair Ribeiro/MidiaNews

Marcos Bulhões - Promotor MP-MT

"Enfrentamento do crime organizado é medida obrigatória e permanente", disse chefe do Gaeco

Em delação premiada firmada com o Ministério Público Estadual, Hallan – que é ex-funcionário da Fundação de Apoio ao Ensino Superior Público Estadual (Faespe) - entregou mensagens enviadas por WhatsApp em que um interlocutor até então desconhecido oferecia documentos sigilosos da investigação em troca do pagamento de R$ 10 mil.

As conversas foram anexadas à colaboração premiada e homologada pela juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital.

De acordo com o coordenador do Gaeco, promotor Marcos Bulhões, "o caso demonstra que qualquer investigação ou ação do Gaeco é impessoal e respeitadora do Estado de Direito, e que o enfrentamento do crime organizado é medida obrigatória e permanente, independentemente dos envolvidos”.

Mensagens

De acordo com o delator, que confessou ter emitido R$ 450 mil em notas frias de serviços fictícios, cujo valor foi revertido ao grupo criminoso, as ameaças começaram no final de 2016.

Hallan Freitas disse que o celular de sua esposa passou a receber mensagens, via WhatsApp, de um número cadastrado no nome dele, “de alguém dizendo que tinha documentos referentes à investigação, inclusive contendo fotografias minhas”.

“Até hoje não sei quem enviou estas mensagens. Estas mensagens foram apreendidas pelos policiais do Gaeco em minha casa”, disse Hallan, em sua delação.

Na primeira mensagem, conforme consta na investigação, o policial avisou a esposa de Hallan Freitas para que o avisasse para entrar em contato, mas apenas via WhatsApp.

O interlocutor disse que tinha um documento muito “valioso” para Hallan, Benvenutti [Luiz Benvenutti, também investigado] e Jocilene [Assunção, diretora da Faespe].

“Diga para não ligar, tampouco enviar SMS, pois as duas formas podem ser rastreadas [...] Repito, não ligue... o cerco está se fechando e o documento que achei pode ajudar e muito”.

O autor da chantagem disse que “hackeava” órgãos e repartições e o documento que encontrou poderia ajudar Hallan. Nas mensagens, o policial enviou fotos de trechos do inquérito sigiloso, inclusive gráficos e imagens do monitoramento conduzido pelo Gaeco contra o delator, que hoje constam na ação penal.

“Esse documento pra mim não serve pra nada. Mas pra você pode significar muita coisa [...] Você deve estar sendo monitorado por algum motivo. Quero dez mil pelo documento... sem encontro pessoal, pois tenho certeza que está grampeado. Se não deve, pode ignorar”.

“Entenda que não é o único... tentei contato com a tal Jocilene, mas não consegui. O documento fala de uma Faespe, Unemat, TCE, Assembleia, Sicoob, Plante Vida, e por aí vai”, disse. 

Leia mais sobre o assunto:

Delator mostra mensagens de proposta para acessar ação sigilosa


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