Artigos
  • VICTOR MAIZMAN
    A estrutura constitucional impõe que os aludidos Poderes são independentes e harmônicos entre si
  • VILSON NERY
    Os habitantes de Patópolis tiraram Dilma, porém se conformam com Temer
  • JOAQUIM SPADONI
    Os salários que são pagos com nosso dinheiro devem ter critérios claros, pautados e limitados em Lei
MPE / “GUERRA DE VAIDADES”

Tamanho do texto A- A+
07.08.2017 | 10h10
Turin: “TJ julgou grampos por comoção, e não por análise técnica”
Presidente da AMMP citou "desrespeito e constrangimento indevido" ao Ministério Público
Alair Ribeiro/MidiaNews
O promotor de Justiça, Roberto Turin, que citou "constrangimento indevido" ao MPE
CAMILA RIBEIRO
DA REDAÇÃO

O presidente da Associação Mato-Grossense do Ministério Público (AMMP), promotor de Justiça Roberto Turin, teceu duras críticas ao julgamento, por parte Tribunal de Justiça, da denúncia-crime em relação ao esquema de escutas telefônicas clandestinas em Mato Grosso.

“Em meio à polêmica, faltou atentar aos fatos apontados na notícia-crime. Eu queria que lessem um por um esses fatos. Mas virou uma guerra generalizada entre instituições, uma guerra de vaidades. E ficou um clima ruim entre o Tribunal de Justiça, o Ministério Público Estadual e a OAB, de forma absolutamente desnecessária”, afirmou.

A notícia-crime foi ingressada pela OAB-MT e está sob a responsabilidade do desembargador Orlando Perri. Entre outros pontos, a OAB apontou possível participação de membros do Ministério Público nos grampos.

Por decisão unânime, os desembargadores decidiram manter a investigação que havia sido arquivada pelo procurador-geral de Justiça, Mauro Curvo.

Virou uma guerra generalizada entre instituições, uma guerra de vaidades e ficou um clima ruim entre TJ, MPE, OAB

Na avaliação de Turin, contudo, a sessão foi marcada por uma “comoção” desnecessária e os desembargadores decidiram manter a investigação mesmo sem se atentar aos pontos que foram levantados pela OAB.

Segundo o promotor, o esquema dos grampos, também investigado pela Procuradoria-Geral da República, apenas é citado na representação da OAB, não sendo o objeto da denúncia em si.

Também conforme o Turin, a denúncia pede investigação sobre os seguintes pontos: suposta barriga de aluguel na Operação Ouro de Tolo, que teve como um dos alvos a ex-primeira-dama Roseli Barbosa; suposta quebra de ilegal sigilo por parte da promotora Ana Cristina Bardusco, além de suposta quebra do princípio de obrigatoriedade da ação penal, também pela promotora Ana Bardusco, em uma denúncia envolvendo a empresa JBS em Mato Grosso.

“Esses são os fatos que OAB levou ao TJ e aí começa a celeuma. (Durante o julgamento no TJ), estava todo mundo ouriçado, nervoso em meio a um tipo de discussão que não é a discussão correta a se fazer. Houve comoção. O desembargador Orlando Perri chegou a afirmar que só se ele estivesse morto para o tirarem da investigação. Isso desvia totalmente – não que ele quisesse fazer isso – da real concretude do que está escrito na denúncia e do que estava sendo pedido”, disse Turin ao MidiaNews.

O promotor considerou ser equivocado o fato de o TJ manter a investigação em relação à denúncia-crime.

A gente repudia muito esse tipo de atitude. Isso causou desrespeito, constrangimento desnecessário e indevido ao MPE

Segundo ele, por se tratar de supostos crimes imputados a promotores de Justiça, por lei, quem tem competência e atribuição para presidir tal investigação é o procurador-geral de Justiça.

“Constrangimento desnecessário”

Ainda de acordo com Roberto Turin, os ânimos exaltados e as declarações dadas por desembargadores no dia do julgamento geraram um constrangimento desnecessário ao Ministério Público.

“Chegou ao ponto de desembargador em evidente desrespeito, a meu ver, dizer que o MPE investigar os promotores é o mesmo que vampiro cuidar do banco de sangue”, disse, referindo-se a uma frase do desembargador Alberto Ferreira (veja AQUI).

“Ora, quer dizer que o desembargador-corregedor investigar os juízes é o que? O lobo cuidando das ovelhas? Se vale pra nós vale para eles também. A OAB investigar os advogados que cometem crimes é o quê? A raposa cuidando do galinheiro? Quer dizer, isso é o tipo de insinuação absolutamente indevida. Pra você ver que o clima que gerou esses fatos foi de comoção e não de análise técnica das coisas. A gente repudia muito esse tipo de atitude. Isso causou desrespeito, constrangimento desnecessário e indevido ao MPE”, disse Turin.

Leia mais sobre o assunto:

TJ-MT contraria MPE e mantém a investigação sobre grampos


Voltar   

Nenhum Comentário(s).
Preencha o formulário abaixo e seja o primeiro a comentar esta notícia
Comente está matéria

Confira também nesta seção:
Agosto de 2017
22.08.17 17h52 » “Crimes de Alan Malouf causaram devastação na Educação de MT”
22.08.17 11h08 » MPE notifica secretário para suspender atos em nome do Ipas
21.08.17 17h13 » “MP abençoa negligência de membros”, diz Viveiros; Prado rebate
21.08.17 15h42 » Sob polêmica, MPE aprova criação de três novas procuradorias
21.08.17 10h44 » MPE denuncia estudante por atropelar e matar manobrista
19.08.17 13h20 » MPE cita risco de fuga do país e pede volta de coronel à prisão
18.08.17 10h57 » MPE investiga falta de remédios e descarte irregular de resíduos
17.08.17 09h05 » MPE denuncia 5 por morte de pai, filho, vaqueiro e advogado
16.08.17 11h30 » Promotor que agrediu PMs é interditado; mãe é nomeada curadora
15.08.17 10h45 » Promotora pede nova prisão de ex-secretário de Fazenda de MT



Copyright 2012 Midia Jur - Todos os direitos reservados
Trinix Internet