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28.05.2018 | 16h54
O Brasil de volta às ruas
O que é pior, todo o valor retirado do suor da população brasileira jamais se reverteu em serviços de qualidade para os cidadãos, tornando a cobrança ainda mais injusta e desproporcional
LEONARDO CAMPOS

Há quase cinco anos, o Brasil foi às ruas e, entre tantas pautas, deu um recado claro à classe política: o povo não aguenta mais pagar tantos impostos e em troca receber serviços tão ruins. Foram mais de 1.500 dias, uma eleição e um processo de impeachment sem que nada mudasse e, hoje, o país encontra-se à beira de um colapso provocado pelos caminhoneiros, responsáveis por transportar nossas riquezas pelas estradas brasileiras.

Ainda que haja outras reivindicações, a maior e mais forte exigência dos motoristas, que todos os dias arriscam-se em estradas mal sinalizadas e em muitos casos completamente abandonadas, é a redução da carga tributária sobre o óleo diesel, que impacta diretamente no custo do frete e, de quebra, nos preços dos produtos que chegam às prateleiras de lojas e supermercados.

Desde 2016, cumprindo uma de suas missões, a de líder da sociedade civil organizada e voz constitucional do cidadão, a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Mato Grosso (OAB/MT), atua no movimento, criado no seio da própria entidade, o “Mais Respeito, Menos Impostos”. Já em agosto do ano passado, a Ordem aderiu à campanha “Sobrou pra Você”, que luta contra o aumento de impostos e visa conscientizar a população de que os constantes reajustes afetam a todos.

É preciso que os governantes entendam que a sociedade não tolerará, não aceitará e não se calará diante de mais e mais medidas que penalizam a população, atos que possuem o único objetivo de manter os benefícios e o custo da ineficiência da classe política do país

Por conta disso, temos a legitimidade e carregamos um histórico que nos permite apoiar a paralização, enquanto ela se mantenha ordeira e desde que garanta a continuidade dos serviços essenciais, o que transmitirá um recado inequívoco de que o cidadão, força motriz do nosso país, não aceita mais e não tolerará ser o responsável por, mais uma vez, pagar a conta de anos de políticas econômicas desastradas, desastrosas e danosas. E, o que é pior, todo o valor retirado do suor da população brasileira jamais se reverteu em serviços de qualidade para os cidadãos, tornando a cobrança ainda mais injusta e desproporcional.

Um país ideal seria aquele em que a classe política usasse a voracidade com que cobra e aumenta impostos e taxas da população para aprimorar a gestão. Uma máquina pública mais enxuta e eficiente, o respeito aos direitos de cada brasileiro, cada brasileira, previsto na Constituição, com o oferecimento de serviços públicos de qualidade e princípios como transparência, ética e legalidade são exigências inegociáveis feitas pela sociedade, que não se cansa e jamais se cansará de ir às ruas.

É preciso que os governantes entendam que a sociedade não tolerará, não aceitará e não se calará diante de mais e mais medidas que penalizam a população, atos que possuem o único objetivo de manter os benefícios e o custo da ineficiência da classe política do país. Os caminhoneiros demonstram, com este protesto que já traz grandes reflexos como o desabastecimento dos produtos, que de fato, como consagrado na Constituição Federal, todo poder emana do povo.

Assim como foi em 2013, a OAB/MT prestará apoio incondicional a movimentos como este, desde que se mantenham pacíficos e sem que causem paralisação de serviços essenciais e não prejudiquem o próprio cidadão!

LEONARDO CAMPOS é Presidente da OAB-MT.


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