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27.03.2018 | 16h15
Os Miseráveis
Nesses tempos de turbulências, Gilmar Mendes vem dando uma verdadeira aula de democracia e respeito à Constituição
RODRIGO RODRIGUES

Quase todo mundo conhece a obra do escritor Victor Hugo, ou já leu, ou assistiu, a versão no cinema. Para quem não assistiu, não leu ou não se lembra, esta é considerada a  "magno opus" do escritor francês, publicada 1862.

A história gira em torno de Jean Valjean, que no meio da escassez e da pobreza gerada por duas guerras na França é condenado a dezenove anos por roubar um pão para alimentar sua família e, depois, a mais quatorze anos, por inúmeras tentativas de fuga. Após sua libertação, foi expulso de diversas estalagens e passa a dormir na rua.

Até que um dia, ele é recebido na casa do benevolente Bispo Myriel, conhecido como o senhor Benvindo, que lhe dá comida e o pouso. Ao invés de se mostrar grato, ele rouba os talheres de prata durante a noite e foge.

O fato é que, nesses últimos tempos de turbulências políticas  Gilmar Mendes vem dando uma verdadeira aula de democracia e  respeito à Constituição Federal

Logo em seguida, é preso e levado a presença do Bispo, o qual alega, num gesto de caridade, que os talheres foram dados de presente. E o repreende por ter saído às presas, tendo esquecido a peça mais valiosa. O Bispo lembra Jean Valjean da “promessa"de usar a prata para se tornar um homem honesto e caridoso. Rico, Jean Valjean troca de nome e se torna um próspero empresário.

Durante toda sua saga, ele é perseguido pelo Inspetor Javert, a quem, no final, Jean Valjean acaba salvando.

O Ministro Gilmar Mendes não passou fome na sua infância, não teve que roubar para dar de comer a sua família e jamais foi preso. Mas vinha sofrendo uma perseguição implacável e obsessiva, tal qual a do inspetor Javert com Jean Valjean.

O fato é que, nesses últimos tempos de turbulências políticas, de operações pirotécnicas e da Operação Lava-Jato, o Ministro Gilmar Mendes vem dando uma verdadeira aula, uma lição. Primeiramente, de democracia e de respeito aos direitos individuais. E, em segundo lugar, de respeito à Constituição Federal.

Os petistas e a esquerda em geral o “demonizaram”, questionaram suas decisões e ofenderam a sua honra, no melhor estilo Inspetor Javert.

No julgamento do habeas corpus do ex-presidente Luiz Ignácio Lula da Silva, Gilmar demonstrou toda a sua porção Bispo Benvindo. Deixando claro que, a sua coerência doutrinária, jurídica, não lhe permite rompantes “javertianos" de vingança.

Por duas vezes, o alto comissariado do PT vetou o nome de um dos homens mais competentes, brilhantes, respeitados e honestos do judiciário brasileiro, para Ministro do Superior Tribunal de Justiça, o doutor ítalo Sabo Mendes, hoje, vice-presidente do Tribunal Regional Federal 1.

Doutor Ítalo iniciou sua carreira no Ministério Público Federal, virou Desembargador Federal por mérito próprio. Em que pese ser primo primeiro do Ministro Gilmar Mendes, doutor Ítalo sempre trilhou seu caminho, tornando-se um dos mais respeitados magistrados desse país.

Todos aqueles que estão no poder cometem erros e isso é natural, porém o ódio não pode lhes cegar. E, nem esse ódio pode servir de pretexto para prejudicar a sociedade, pois o único dano causado foi ao povo brasileiro sedento por justiça, privado de ter hoje no STJ, um Ministro da envergadura do doutor ítalo.

Os inspetores Javerts da esquerda brasileira ficam devendo uma retratação pública ao Ministro Gilmar Mendes e, nós, a sociedade como um todo, a obrigação de reverência-lo, porque pobre é o país onde o judiciário se dobra à vontade dos poderosos.

Agora, o país em que o judiciário se dobra a uma parcela da opinião pública, orquestrada por parte da mídia, alimentada por aloprados sedentos de holofotes, do Ministério Público, é um país de miseráveis.

Já disse em outro artigo que “Há juízes em Berlim”. Aqui, graças ao senhor bom Deus, temos centenas de Bispos Myriel “Benvindos" no judiciário, que também se pautam pela benevolência, mas acima de tudo pela justiça em si.

RODRIGO RODRIGUES é empresário, jornalista e gestor público.


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