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07.03.2018 | 08h43
Mulheres exploradas sexualmente
Na Síria, mulheres foram e são exploradas por aqueles que prestam serviços e atuam e várias organizações de caridade
ROSANA LEITE

Às vias do Dia Internacional da Mulher, o mundo se solidariza com as mulheres sírias. Vulneráveis ao extremo com a situação vivenciada no país, os relatos demonstram as agressões por elas sofrida.

Em busca de ajuda humanitária, mulheres foram e são exploradas sexualmente por aqueles que prestam serviços e atuam e várias organizações de caridade. Alguns relatos delas à BBC denunciam que comida e carona são negociadas em troca de sexo. Os primeiros casos surgiram há três anos, e continuam acontecendo, com menções no sul do país.

As situações de abusos estão acontecendo de maneira tão frequente, que algumas se recusam a ir à busca de alimento, ou qualquer outra forma de ajuda. Para as necessitadas, sofrer a falta de ajuda, ou ter que trocar por favores sexuais tem se tornado tortura. O que seria melhor: morrer com dignidade?

Segundo pessoas que se encontram no local e não desejam ser identificadas, as organizações “fecham os olhos” para a problemática, pois a única forma de continuar prestando ajuda é contando com “agressores e abusadores”. Inclusive, alguns afirmam que nas áreas onde os conflitos estão mais intensos, funcionários de organizações não governamentais internacionais dificilmente possuem acesso.

"Comemorar o dia 08 de março é tradição mundial. Porém, o véu do esquecimento não pode pairar"

Agências ligadas à ONU afirmam que não toleram nenhum tipo de violência, se defendendo quanto à falta de conhecimento de casos concretos. Porém, o Fundo de População das Nações Unidas, organismo da ONU, responsável por ações populacionais, confeccionou um relatório para avaliar a violência de gênero na região, no ano de 2017. A conclusão foi que a assistência humanitária está sendo ofertada em troca de sexo, em muitas regiões da Síria.

Um relatório divulgado, intitulado Voices from Syria 2018, Vozes da Síria, afirmou: “Há exemplos de mulheres e adolescentes se casando oficialmente por um curto período de tempo para oferecer ‘serviços sexuais’ em troca de refeições, de agentes pedindo os números de telefone de mulheres e garotas, de ofertas de carona até em casa em troca de passar a noite com elas. “ O apurado foi que mulheres que não possuem companheiros, como as solteiras, viúvas e divorciadas, estão mais vulneráveis.

Danielle Spencer começou a ouvir os relatos tempos atrás, quando trabalhava como consultora para assuntos humanitários. Afirma a profissional que as mulheres precisam de proteção para receber comida, sabão e itens básicos, já que enfrentam essa tragédia humana. Nas suas palavras: “A última coisa que você precisa é de um homem em quem você deveria confiar e que deveria lhe ajudar te pedindo para fazer sexo com ele e retendo todos os itens que deveriam ser entregues a você. ”

Em resumo, era certo entre as mulheres o entendimento de que ir a um centro de distribuição de alimentos e itens básicos, deveriam se sujeitar a algum tipo de ato sexual, como troca.  Inclusive, aconteceu uma pesquisa com 190 mulheres. O relatório indicou que 40% delas foram vítimas de violência sexual, com o ato acontecendo dentro dos próprios centros de distribuição.

Para advir de forma tão escrachada, muitas pessoas tinham conhecimento. Entretanto, como a “ajuda” humanitária estava chegando ao destino, ainda que em forma de escambo por abusos, “panos quentes” foram colocados.  Mais uma vez, o sacrifício da mulher é vislumbrado. Muitas se calaram, aceitando todas as formas de agressão, para que seus filhos e filhas não perecessem com a fome.

Tristes notícias como essa, feminicídios, violências dentro e fora do lar acontecem com mulheres diuturnamente. Comemorar o dia 08 de março é tradição mundial. Porém, o véu do esquecimento não pode pairar. Mulheres são abusadas, sacrificadas e mortas, por serem mulheres...

ROSANA LEITE ANTUNES DE BARROS é defensora pública estadual.


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