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05.03.2018 | 17h47
Entidade em frangalhos
Diretoria da Fecomércio "está sangrando", mas é inaceitável tomar o poder à força
OTACÍLIO PERON

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso – Fecomércio, é uma entidade sindical de grau superior, não estatal, que congrega mais de 15 sindicatos das diversas categorias econômicas, além de ter sobre sua responsabilidade a administração do Sesc/Senac, no âmbito do Estado.

Fundada em 09 de Fevereiro de 1958, com a finalidade de coordenar, proteger e representar legalmente os interesses econômicos das categorias integrantes dos diversos grupos compreendidos no plano de Confederação Nacional do Comércio – CNC.

A sua história iniciou-se com o primeiro Presidente Hid Alfredo Scaff, e teve continuidade até chegar ao sétimo Presidente, Jamil Boutros Nadaf, que praticamente eternizou-se no poder, apenas se afastando para dar lugar ao seu filho Pedro Nadaf, que embora eleito, deixou a impressão de ser uma entidade familiar.

Este, por seu turno, só deixou o cargo em setembro de 2015, quando de sua prisão, na operação Sodoma, ascendendo ao cargo de Presidente, o então Vice Presidente Hermes Martins da Cunha.

A entidade que tinha por obrigação implementar o desenvolvimento da classe, ao longo dos anos foi deixando de legitimá-la  como uma das mais influentes de Mato Grosso, nos processos econômico, político, educacional e social, abrindo espaço para associações ocuparem tais lacunas a exemplo da CDL – Câmara de Dirigentes Lojistas e da Associação Comercial.

O descontentamento do segmento comercial, em decorrência da inércia da Fecomércio, foi se acumulando ao longo de todos esses anos, pois a entidade era tratada como uma empresa familiar, sem projeto de entidade, e sim projeto de poder pessoal dos seus presidentes.

Diante da demora de uma ação mais firme do Ministério Público, parte dos filiados (sindicatos) decidiram promover uma assembleia extraordinária, para afastar, temporariamente, o atual presidente, para então poder apurar eventuais irregularidades.

O descontentamento do segmento comercial, em decorrência da inércia da Fecomércio, foi se acumulando ao longo de todos esses anos

Na primeira investida, não tiveram sucesso, pois foram impedidos por liminar concedida pela Justiça do Trabalho.

Ao julgar o mérito da ação, a Justiça do Trabalho, entendeu revogar a liminar, deixando o campo livre para os descontentes reeditarem a convocação da assembleia,  e num gesto não convencional, praticamente de força, afastaram o presidente por 180 dias, assumindo um presidente interino, o mesmo que muito tempo fez parte do poder e da administração da entidade.

Como não é fácil soprar e engolir ao mesmo tempo, a intervenção durou poucos dias, posto que a justiça reconduziu Hermes Martins ao cargo de Presidente.

Não quero tomar partido, e nem julgar quem está com a razão, até para poder expressar o que penso desse vergonhoso imbróglio, a que submeteram a entidade mãe do comércio.

A alternância de poder é uma das regras mais salutares, para o bom andamento de qualquer entidade.

Certo é que a presidência atual “está sangrando”, por força de um passado da entidade bastante sombrio, que acumula denúncias de graves irregularidades na administração. “Semper flamma fumo est próxima.”

No entanto, não é aceitável querer tomar o poder a força, até porque nem todos os que fazem parte da atual diretoria estão comprometidos com o passado sombrio da entidade. Há meios legais para destronar quem não está cumprindo os ditames estatutários.

Destronar um presidente de forma irregular, torna o novo presidente muito mais ilegítimo do que o destronado, e portanto sem força moral para implementar um projeto de entidade, demonstrando ser mais um projeto de poder pessoal, de pura vaidade. E este filme nós já vimos.

Uma coisa é certa, mudanças têm que ocorrer, mas de forma pacífica, com urbanidade, bom senso, respeitando o estatuto da entidade e sobretudo as leis.

Judicializar, para mudar, é a pior escolha, pois expõe ainda mais a entidade que já está em frangalhos.

O diálogo é o melhor caminho.

OTACÍLIO PERON é advogado


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