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01.02.2018 | 15h31
Lula fez de tudo para sair condenado
O fôlego político do PT está angariado no MST e no PT burocrático frágil ou pendurado na Lava Jato
HÉLCIO CORRÊA

Luiz Inácio Lula da Silva sempre optou por fazer defesas ardilosas. Ficou no processo criminal, que envolve o apartamento tríplex no Guarujá, em troca de facilidades para a construtora OAS na Petrobras, no ridículo ou patético. Ou juridicamente indefensável.

Tal estratégia o conduziu à glória política e foi também sua desgraça. A prisão o aguarda. Ainda, têm mais dois processos, de igual teor ao do tríplex, na Justiça em Curitiba, que juntos podem gerir condenação de mais de 30 anos.

Ao fugir da declaração de que o apartamento era de sua propriedade e ainda não escriturado, se comprometeu no jurídico com todos os mascaramentos de valores ilícitos (crimes tipificados e vigentes).

A melhor tese jurídica de fato atípico (inexistência de meio para dificultar informação de origem e prática lícita) foi jogada literalmente ao lixo. Inácio não era diretor na Petrobras.

Nem preposto da OAS. E não poderia no técnico penal cometer corrupção ativa. Mas ao tentar se desfocar se tornou partícipe inegável dos crimes cometidos.

Alegar complô das elites para condená-lo pressupõe achar que juízes tarimbados sofrem de cegueira ideológica, igual à militância petista, que faz defesas absurdas via internet do aiatolá petista.

Ao fugir da declaração de que o apartamento era de sua propriedade e ainda não escriturado, se comprometeu no jurídico com todos os mascaramentos de valores ilícitos (crimes tipificados e vigentes)

No TRF - 4 não restou outra opção, senão manter a sentença. Nove anos e seis meses foram para doze anos e um mês por simples razão da gravidade das infrações com fortes prejuízos públicos.

Cabia ao Silva, antes de tudo, abandonar seus hábitos patifes de nada saber ou tentar culpar sempre terceiros. Tragou desta vez maior golfada de ar, que o sufocou nas próprias mentiras.

Não há vítima, mas resultado normal, de quem jogou para a torcida fiel. A popularidade do réu não pode colocá-lo acima da lei. Nem sentença ser reformada em Tribunal com confissão ficta e provas não impugnadas.

O tríplex revelou-se como bônus injurídico. Eis o que não podia desaparecer na magia dos autos penais.

Há árdua luta para registrar doravante a candidatura de Lula, que se continuar será apenas com o pretexto para mobilizar militância mais sólida, que já abandonou o barco por se negar a compactuar com práticas delituosas.

O fôlego político do PT (insuficiente) está angariado no MST e no PT burocrático frágil ou pendurado na Operação Lava Jato.

Tudo isto permite acrescer espaço nacional do reformismo desenfreado de Michel Temer. Eis o grande legado, do que foi sem nunca ter sido, o governo de fins sociais com enormes renúncias fiscais aos empresários prediletos, que já pularam fora ou foram diretamente à delação premiada.

Independentemente de tudo, a democracia nacional sai fortalecida. A instituição judiciária mais amadurecida. O futuro querendo movimento mais cívico e promissor. Nada mais aquiesce à corrupção nacional.

Ao Inácio resta ir ao posto Ipiranga como lembra repetidamente a propaganda inteligente: tudo sabe e encontra lá.

Ao PT, mesmo que tardiamente, encare a verdade, erros e crimes, vai ao acerto final das contas. Tem preço mais amargo a pagar.

A traição dos ideais gerou seu próprio tempo mais difícil. Tudo tende ao colapso eleitoral, partidário e institucional.

HÉLCIO CORRÊA GOMES é advogado em Cuiabá.


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