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01.02.2018 | 15h29
Servidão
Até quando suportaremos danos e mortes nas ruas e estradas do descaso e cadáveres da violência incontida?
RENATO NERY

As trepidações dos carros nas ondulações do asfalto confirmam que este pavimento da cidade é de péssima qualidade. Existe uma capa tênue de asfalto em cima de outra capa.

Os buracos da primeira capa, com a intensidade a chuva, começam a aparecer e, em alguns locais, já apresentam os buracos na segunda camada.

Os remendos (tapa buracos) que são feitos (mal feitos) transformam a cidade numa paisagem lunar. Esta situação não é diferente nas rodovias e em diversas cidades do interior do Estado.                               

Toda vez que passo por uma ponte ou  um elevado, me pergunto: será que foram bem feitos? Será que não vão desabar justo na hora em que eu estiver passando? Por que tudo aqui ou não é feito ou é mal feito? Este cotidiano já nos absorveu, viramos paisagens e não nos damos conta deste caos?                               

A indiferença não tomou conta somente do asfalto.  Ela se estende para a violência sem limites!

Para saúde sem assistência, sem remédio e sem perdão. Para o esgoto a céu aberto! Para doenças extintas há muito tempo e que retornaram!

Até quando vamos suportar os danos e as mortes provocadas pelas ruas e estradas do descaso? Até quando vamos tolerar que tripudiem sobre os cadáveres da violência incontida?

Que povo é esse? Que País é esse, onde uns sempre têm tudo e outros nada! Infelizmente, é o nosso Brasil!                         

Os habitantes da escuridão não almejam a claridade porque não a conhecem. As pessoas que se acostumam com o “habitat” das trevas a elas se adaptam. Não sabem e nem almejam mudar.                   

Vivemos (a maioria) no Brasil em péssimas condições, sem nos dar conta disso. A revolta e a indignação perderam-se ao longo do caminho de pedras percorrido.                               

Onde está o índio que existe em todos nós? Este habitante dos trópicos que não se vergou à escravidão. Nunca ficou de joelhos. Morreu, morre e continua morrendo de pé! E nós, os seus descendentes, estamos, sem brio, sem honra, sem valentia e nos vergamos a todo tipo de patifaria de um sistema perverso que nos espolia e escraviza.

Esta canga pesada está insuportável. Precisamos de bons asfaltos; de bons serviços de saúde, educação  e segurança! De quem cuide coisa pública, das pessoas e de tantas outras coisas que nos incomodam!

Até quando vamos suportar os danos e as mortes provocadas pelas ruas e estradas do descaso? Até quando vamos tolerar que tripudiem sobre os cadáveres da violência incontida?

Sobre as mortes nos serviços de saúde precários ou inexistentes? Sobre este mar de indiferenças? Sobre esta falta de perspectiva e esperança? Sobre os insaciáveis privilégios de uma minoria espoliativa? Sobre os mercadores do Templo?

Quando será que iremos nos dar conta desta desonra e desta servidão? Será que em algum momento esta sofrida e apática sociedade irá se indignar e resgatar este País das mãos ímpias?                            

Somos um País de bravos! Conquistamos e mantivemos uma das maiores superfícies de terras produtivas e férteis do planeta! Onde foi que nos perdemos?

Evoco, nesta ingrata quadra, a valentia do índio, ínsita na Canção do Tamoio, de Gonçalves Dias: “Viver é lutar. Se o duro combate Os fracos abate, Aos fortes, Aos bravos, Só pode exaltar.... Não cures da vida! Sê bravo, sê forte! Não fujas da morte, Que a morte há de vir...”                          

Já tarda! Vamos levantar! Evocar a nossa altivez e refazer o País que queremos deixar de herança para os nossos filhos!

RENATO GOMES NERY é advogado em Cuiabá.

rgnery@terra.com.br


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