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25.10.2017 | 17h56
Capricha no terno
O quadro político de MT é excepcional: situação e oposição estão envolvidas em severas acusações de corrupção
RENATO NERY

Sorte é para quem tem e não para quem quer. É nessa linha o ditado popular que diz: mais vale que Deus ajuda do que quem cedo madruga.

Ao personagem que vou descrever neste artigo nunca faltou a sorte. Atributo de grande valia em política.

Ele foi prefeito duas ou três vezes de sua cidade natal. Foi governador e, também, senador de República e nunca perdeu eleição.

Sempre soube avançar a recuar quando foi preciso. Tem um senso de oportunidade como poucas pessoas e ora dá uma ajuda inestimável para sua esposa que é prefeita.

O cenário indica que não será envolvido no mar de corrupção que tomou conta do Estado de Mato Grosso e do Brasil. É uma liderança apta, disponível, com estofo e prestígio para disputar as eleições do ano que vem.

Tem fama de bom administrador e uma base eleitoral sólida. Transita com facilidade tanto na "situação" como na "oposição". Consta que não tem arestas ou entraves que não possa transpor.

O quadro político do Estado de Mato Grosso é excepcional, pois a "situação" e "oposição" estão envolvidas de uma forma ou de outra em severas acusações de corrupção.

A Assembleia Legislativa teve envolvimento de grande parte de seus pares em "grossa" corrupção.

O governador do Estado de Mato Grosso está às voltas com inquéritos dos "grampos ilegais", avocados para o STJ, onde membros da Polícia Militar e ex-secretários de Estado estão presos

O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso encontra-se sem quórum, pois tem 2/3 dos seus membros efetivos afastados por envolvimento em rumoroso caso de corrupção.

O governador do Estado de Mato Grosso está às voltas com inquéritos dos "grampos ilegais", avocados para o STJ, onde membros da Polícia Militar e ex-secretários de Estado estão presos.

Pelas informações correntes, dificilmente, o governador sairá ileso de tudo isto, o que certamente será letal para uma pretensão de reeleição no ano que vem.

A outra liderança do Estado, o prefeito de Cuiabá, está severamente chamuscado, pois foi pego com a "boca na botija", recebendo dinheiro ilícito, em vídeo de membros da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso da legislatura passada.

O senador que é ministro da Agricultura se debate com acusações e mais acusações que lhe fizeram um ex-governador do Estado. E as ondas do terremoto que o atingiu parecem estar no começo.

É aguardada com ansiedade a delação premiada de um ex-deputado Estadual que, nos últimos 20 anos, navegou entre a Presidência e a Secretaria Geral da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso.

Dificilmente, daqui até as eleições do ano que vem, surgirão lideranças novas capazes de mudar o quadro atual e pouco restará da atual classe política. É neste cenário que desponta o favoritismo do ex-governador tributário deste texto.

Portanto, tudo que dissemos aqui está se consolidando e dificilmente será contrariado. Independentemente disso, o ex-governador é um candidato viável em qualquer cenário.

Só lhe resta mandar o Cláudio Matos caprichar na confecção do terno de posse.

RENATO GOMES NERY é advogado em Cuiabá.


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