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04.05.2017 | 15h50
Apetite por máscaras
O mundo assiste perplexo e de forma cautelosa, os desdobramentos da crise instalada na Península Coreana
GONÇALO ANTUNES

O mundo assiste perplexo e de forma cautelosa, os desdobramentos da crise instalada na Península Coreana. Aparentemente, cuida-se de dois lideres de egos inflados, a arrotar honra e autonomia, capitaneados por questões sensíveis de segurança interna e militar.

Verdadeiramente, como entender, pela razão, o que se passa, aqui incluindo a percepção volitiva de cada qual. Se há vontade (propriedade causal nos humanos) ou mera necessidade, causa própria aos não racionais.

Explico em Kant. Sendo a vontade uma espécie de causalidade para os seres racionais, a liberdade faz parte (propriedade) dessa causalidade (lembrando que a liberdade não é uma propriedade da vontade).

Rogamos para que os citados líderes deixem de lado os apetites e saboreiem a real liberdade

O paralelo a isso é a necessidade como propriedade da causalidade para todos os irracionais. E a razão? A razão deve considerar-se a si mesma como autora dos seus princípios, independentemente de influências estranhas. É livre como vontade de um ser racional.

Portanto, esse mesmo ser (no caso, Trump ou Kim) tem na liberdade a tomada de decisão se a razão for empregada. Se ambos agirem por instinto, analisando a crise já instalada sob percepção somente dos sentidos, não a conhecerão com profundidade se a isso não for empregado os atributos da razão, em especial o princípio da moralidade (moral como construção racional e não como instrumento ‘principiológico’ do Direito Administrativo ou Constitucional). Explico mais uma vez.

O que se conhece pelos sentidos são os fenômenos que se nos apresentam, mas profundidade nenhuma haverá nisso, não há um conhecimento em si, objetivo e racional. Seria como olhar para dois cachorros latindo com ferocidade um para o outro, e sem que se conheça a inclinação (necessidade) de cada qual.

‘A razão mostra sob o nome das ideias uma espontaneidade tão pura que por ela excede em muito tudo o que a sensibilidade possa fornecer ao entendimento; e mostra a sua mais elevada função na distinção que estabelece entre mundo sensível e mundo inteligível, assinalando assim os limites ao próprio entendimento’ (Kant). É como olhar e enxergar. Rogamos para que os citados líderes deixem de lado os apetites e saboreiem a real liberdade, fazendo uso da razão.

GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO é juiz de Direito.


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