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03.03.2017 | 18h21
Invasões
Intromissão na vida feminina é consideradp mais que normal
ROSANA LEITE

Quantas são invadidas diariamente? Explico. Perante a sociedade são comuns as invasões sociais sofridas por mulheres. Elas podem se dar de muitas formas. É sentida em vários setores da individualidade feminina.                      

Com o nascimento, as mulheres são tratadas como fantoches. A rosa é a sua cor, mesmo, sem que ela, bebê, afirme que esta é a coloração de sua predileção. Ao crescer, ninar as “bonecas” é sinônimo do “ser mulher”. No início da puberdade muitas começam a preparar o enxoval para o casamento. 

Normalmente, componentes da família já lhes arrumam os namoradinhos, sem que elas nem os conheçam. Até que, hoje em dia, de vez em quando, são incentivadas a estudar e se profissionalizar.  Porém, na primeira oportunidade, os “bons partidos” lhes são apresentados. Os comentários são mais ou menos assim: “Já que é importante o casamento, que seja com alguém com situação financeira definida”.

Respeitar a vontade feminina e a deixar à vontade para tocar a sua vida como pensa que será feliz. Seria utopia? Hora ou outra, a mulher ouvirá que seria bom se relacionar com determinada pessoa.                        

E quando ela opta por se relacionar com alguém, as perguntas também são rápidas: “Quando será o casamento? ”. Enquanto o casal não se une em matrimônio, ou união estável, não satisfaz a intromissão. Casados, sejam felizes para sempre! E as perguntas continuam: “Quando virão os herdeiros? ”.  Com a chegada dos nenéns, se forem apenas do sexo masculino, os questionamentos são sobre a possibilidade da chegada da menina, e vice-versa. Ressalte-se que, se o casal possui apenas meninas, as perguntas sobre a chegada do “varão” não querem calar.                       

Ir a uma festa e não se portar como a maioria, é motivo de inquirição: “Porque não bebe nada? ”. E não sossegam por aí: “Não come carne, porque? Não tem medo de ficar doente por ser vegetariana? ”. Parece que o senso comum deve ser seguido de forma obrigatória. Sair um pouquinho do que não é aparentemente normal, causa espécie.                       

E as maquiagens? Nossa, esse parece item indispensável para todas as mulheres. Imagina, então, sair de casa pálida? Essa é mais uma cobrança social que costuma escravizar. Como dizem: “Porque você não usa uma “cor” no rosto, acho que ficaria mais bonita? ”. E será que é importante para todas se achar mais bonita? Será que é essa beleza que todas buscam?                     

E quem são os sapos? Sem referência aos anfíbios, vulgarmente, são assim conhecidas pessoas que gostam de “dar pitaco”, mesmo sem ser chamada. Ficam de fora chiando, esperando algo para abrir as mandíbulas e desferir comentários. Se as explanações irão agradar, pouco importa.                          

A bem da verdade, são invasões. É entrar na seara que não lhe pertence. E dessa, as maiores vítimas são mulheres. Há um certo respeito pela não intromissão nas decisões ou vidas masculinas, mas, nas femininas, é mais que normal. É a liberdade...                       

Toda essa usurpação, ou ocupação do espaço feminino, mostra o desrespeito em não se compreender que padrões sociais cumprem as que desejam. Aquelas que optam por não engravidar, ouvem os mais terríveis preconceitos sociais. As que não se relacionam, muitas delas por elegerem o estudo, ou a capacitação profissional como primordial, são quase execradas.                    

Fico com Simone de Beauvoir: “Querer ser livre é também querer livres os outros”. 

Rosana Leite Antunes de Barros é defensora pública estadual.


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