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Artigos / EDUARDO PÓVOAS

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27.12.2016 | 14h55
Onda de denuncismo
Delações trazem benefícios, mas é preciso cautela
EDUARDO PÓVOAS

 

Quero avisar antes aos que tem pouca intimidade com o vernáculo, que fui, sou e sempre serei a favor da delação premiada, muito em moda no país.

Tanto sou que se um filho voltasse a ter, este receberia o nome de “delação premiada”, com RG e CPF.

As delações na sua grande maioria tem trazido um benefício enorme às instituições brasileiras. Tem colocado muitos calhordas na cadeia e tem recuperado soma significantes aos cofres públicos.

Precisa aqueles que as recebem (as delações) terem o cuidado de só divulgá-las com provas cabais em mãos.

Precisam os homens da nossa justiça ter o cuidado de não entregar essas delações à imprensa antes disso, pois a finalidade da imprensa em uma democracia é sim levar fatos e fotos a população.

Vocês se lembram da Escola Base de São Paulo, onde um casal de japoneses Icushiro Shimada sua esposa Maria Aparecida Shimada e o motorista Mauricio Monteiro Alvarenga foram acusados de pedofilia sem qualquer chance de defesa. 

A imprensa noticiou à época que esses três drogavam as crianças antes de fotografá-las nuas e um veículo Kombi era o motel da escola.

Antes que a prescrição fosse oficialmente validada, o Governador de São Paulo Mario Covas, publicou em 15 de dezembro de 1999, o decreto 44536 em que escreveu: “fica autorizado o pagamento administrativo de indenização a vitimas do caso Escola Base, em virtude de responsabilidade civil do estado por atos cometidos por seus agentes”, isto depois do casal ter sofrido barbaridade perante a opinião publica e perdido a escola.

Outo caso foi o do ex-ministro da Saúde Alceni Guerra, acusado de superfaturar a compra de 21 mil bicicletas. Quando conseguiram provar sua inocência, deram menos de um minuto para se defender, em troca de 10 mil metros quadrados de publicação impressa e 104 horas de acusação pelas televisões.

Quanta injustiça! Tenho visto aqui denúncias e mais denúncias que em algumas, minhas barbas ficam de molho.

Hoje basta o cidadão não gostar de alguém, que esse alguém é veado ou ladrão. E aí a coisa ganha conotação imprevisível, com difícil defesa da honra e do moral atingido.

Não sou advogado, e muito menos sou da cozinha do Governador Pedro Taques, mas me parece que um homem que deixa um cargo público vitalício com um salário invejável para se dedicar à vida pública, e com inteligência reconhecida, não iria arriscar seus projetos por um bocado de dinheiro, até por que ele, egresso do Ministério Público Federal, sabe muito bem os caminhos que a justiça tem para descobrir falcatruas.

Vovó dizia que prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Esperemos por provas concretas antes de decisão afogadilho.

Eduardo Póvoas é pós-graduado pela UFRJ.


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