Artigos
  • GISELE NASCIMENTO
    Muitos usuários têm se utilizado dessa plataforma de forma descompromissada
STF / LAVA JATO

Tamanho do texto A- A+
29.05.2018 | 16h32
Nelson Meurer é primeiro deputado condenado pelo STF
Deputado foi condenado pela Segunda Turma pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Viola Junior/Câmara dos Deputados
O deputado Nelson Meurer em reunião de comissão na Câmara em dezembro de 2013
MARIANA OLIVEIRA
DA TV GLOBO

A Segunda Turma condenou nesta terça-feira (29) o deputado Nelson Meurer (PP-PR), pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele é o primeiro político com foro privilegiado condenado pelo STF na Operação Lava Jato.

Para os cinco ministros que formam o colegiado, ele cometeu crimes por receber "periodicamente" e com ajuda dos filhos, "vantagens indevidas que lhe eram disponibilizadas por Paulo Roberto Costa [ex-diretor da Petrobras]" e intermediadas pelo doleiro Alberto Youssef.

Os ministros também entenderam que dois filhos do parlamentar - Cristiano Meurer e Nelson Meurer Júnior - cometeram o crime de corrupção passiva. Mas absolveram os filhos da acusação de lavagem de dinheiro.

A ação penal contra Meurer é a primeira da Lava Jato a ser julgada no tribunal. O caso teve início há três anos, quando a primeira leva de inquéritos sobre a operação chegou ao Supremo.

A defesa do deputado contesta as acusações contidas na denúncia da Procuradoria Geral da República e diz que não há elementos para justificar condenação.

Segundo a denúncia feita pela Procuradoria Geral da República, Meurer teria recebido R$ 29,7 milhões em 99 repasses mensais de R$ 300 mil, operacionalizados pelo doleiro Alberto Youssef.

Conforme o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato, as provas nos autos mostram que o deputado recebeu, "periodicamente" e com ajuda dos filhos, "vantagens indevidas que lhe eram disponibilizadas por Paulo Roberto Costa [ex-diretor da Petrobras]" e intermediadas pelo doleiro Alberto Youssef.

O relator afirmou ainda que a quebra de sigilo bancário de Nelson Meurer evidenciou dezenas de "depósitos fracionados" em uma conta corrente do deputado. Para Fachin, as quantias são incompatíveis com a renda do parlamentar.

Doação oficial

A denúncia também dizia que Meurer recebeu R$ 500 mil de propina disfarçada de doação eleitoral oficial. No julgamento, porém, a maioria dos ministros considerou que não havia provas de que a doação foi corrupção.

Votaram nesse sentido os ministros Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes. Foram vencidos Edson Fachin e Celso de Mello.

"Não é como se o candidato tivesse sido flagrado recebendo uma mala cheia de dólares na madrugada. Uma doação feita às claras tem verniz na legalidade. No caso concreto, não há prova de nexo de pagamento em esquema criminoso", disse Gilmar Mendes ao desempatar.

O deputado, ainda de acordo com a denúncia, também teria recebido outros R$ 4 milhões em espécie para a campanha. Os cinco ministros absolveram Nelson Meurer dessa acusação.


Voltar   

Nenhum Comentário(s).
Preencha o formulário abaixo e seja o primeiro a comentar esta notícia
Comente está matéria

Confira também nesta seção:
Fevereiro de 2019
20.02.19 08h57 » Fux suspende bloqueio de R$ 612 milhões das contas de MG
20.02.19 08h04 » STF nega recurso e WF segue réu por “máfia das ambulâncias”
18.02.19 15h02 » "O 'lavajatismo' invadiu a Receita Federal", afirma Mendes
16.02.19 08h42 » Gilmar Mendes manda soltar pela 2º vez prefeito afastado de Mauá
13.02.19 17h20 » STF começa julgamento sobre criminalização da homofobia
13.02.19 09h35 » STF nega pedido e desembargador aposentado continua preso
12.02.19 09h25 » Fux suspende ações penais contra Bolsonaro que tramitavam no STF
11.02.19 17h00 » Toffoli pede à Vale para evitar ações judiciais e buscar acordos
08.02.19 17h36 » Gilmar Mendes aponta "abuso de poder" e "ataque reputacional"
08.02.19 17h25 » Fux suspende todas as ações judiciais sobre tabelamento do frete no país



Copyright © 2019 Midia Jur - Todos os direitos reservados
Trinix Internet