Artigos
  • VICTOR MAIZMAN
    De todo modo, é certo afirmar que não há hierarquia entre as aludidas secretarias
  • RODRIGO MUDROVITSCH
    A reforma regulatória parece visar corrigir insuficiências do modelo atual
STF / CRÍTICAS AO COLEGA

Tamanho do texto A- A+
28.02.2018 | 10h55
"Fala pelos cotovelos, antecipa julgamentos, diz Gilmar sobre Barroso
Gilmar Mendes defende que Michel Temer não seja investigado por fatos de 2014
Carlos Moura/STF
O ministro Gilmar Mendes em sessão do STF
DO BLOG DA ANDRÉIA SADI

O ministro Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal (STF) afirmou ao blog nesta quarta-feira (28) que existe uma discussão sobre se o presidente da República pode ser investigado por crimes que teriam ocorrido antes do atual mandato. Para ele, no entanto, há argumentos para os dois lados, mas "faz sentido que não seja sequer investigado, para não ter perturbação e dar uma imunidade ao presidente em relação a fatos anteriores".

Nesta terça-feira (27), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu ao STF para incluir o presidente Michel Temer no inquérito que apura o repasse ilegal de R$ 10 milhões da Odebrecht ao PMDB, acertado em um jantar em 2014.

No mesmo dia, à noite, o ministro Gilmar Mendes se encontrou com o presidente Temer e o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, no Palácio do Jaburu. Procurado pelo blog, o ministro afirmou que eles discutiram "assuntos gerais" e também segurança pública.

Questionado pelo blog sobre a inclusão de Temer no novo inquérito, o ministro disse que existe uma decisão na corte, do ministro Celso de Mello, no sentido de que o presidente pode ser investigado, mas não processado, em relação a atos cometidos antes do mandato. Mas, que, na sua avaliação, "logicamente faz sentido que não seja sequer investigado, para não ter perturbação e dar uma imunidade ao presidente em relação a fatos anteriores".

"Acho que seria essa a lógica do sistema. Mas tem argumento contra também: as provas podem ficar prejudicadas, pessos podem morrer, testemunhas. Tem argumento para os dois lados", explicou o ministro.

O Barroso que não sabe o que é alvará de soltura, fala pelos cotovelos. Antecipa julgamento. Fala da malinha rodinha. Precisaria suspender a própria língua

Demissão de Segovia

Sobre a demissão de Fernando Segovia da direção da Polícia Federal, Gilmar criticou a forma da demissão, que chamou de "desajeitada", reconheceu que ele perdeu as condições junto à Polícia Federal, mas fez críticas à procuradora-geral da República, Raquel Dodge, de quem Mendes é amigo.

"Sou amigo dela, mas por que não faz nada com os procuradores que ficam falando? Por que não suspende os procuradores? Eles palpitam sobre tudo", afirmou o ministro.

O ministro também falou do seu colega de corte, o ministro Luis Roberto Barroso. O ministro é relator do inquérito que apura se Temer beneficiou a empresa Rodrimar com a edição de um decreto que prorroga contratos de concessão no porto de Santos, em maio de 2017.

Inquérito sobre o qual Segóvia se manifestou. Barroso cobrou oficialmente Segovia por suas declarações sobre o andamento da investigação.

"O Barroso que não sabe o que é alvará de soltura, fala pelos cotovelos. Antecipa julgamento. Fala da malinha rodinha. Precisaria suspender a própria língua. Mas, objetivamente, perdeu condição (sobre Segovia)", disse Gilmar Mendes.

"Malinha" se refere ao epsódio em que o ex-assessor especial da Presidência e ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) foi filmado recebendo uma mala de dinheiro em restaurante nos Jardins, na capital paulista.

Loures é apontado como intermediário do presidente Michel Temer para assuntos do grupo J&F com o governo. A suspeita da PGR na denúncia é de que Temer seria o destinatário final do dinheiro.

A procuradora pediu ao STF que impedisse Segovia interferir novamente no inquérito, sob pena de afastamento do cargo da direção da PF.


Voltar   

Nenhum Comentário(s).
Preencha o formulário abaixo e seja o primeiro a comentar esta notícia
Comente está matéria

Confira também nesta seção:
Janeiro de 2019
18.01.19 17h02 » Ministro diz que remete 'ao lixo' reclamações como as de Flávio Bolsonaro
17.01.19 17h20 » Fux para investigação sobre o ex-assessor de Flávio Bolsonaro
17.01.19 17h10 » PCdoB vai ao Supremo contra decreto sobre posse de armas
17.01.19 17h05 » Ministros do STF se surpreendem com pedido de Flávio Bolsonaro
12.01.19 10h18 » Defesa de João de Deus pede ao STF desistência de habeas corpus
11.01.19 17h45 » STF proíbe prefeituras de pagar advogados com verba de Fundeb
09.01.19 16h02 » Toffoli nega pedido para votação aberta da Mesa Diretora
08.01.19 16h52 » Dias Toffoli analisa recurso contra votação aberta no Senado
04.01.19 17h41 » Ministros avaliam ser difícil STF reverter em abril decisão
Dezembro de 2018
31.12.18 11h25 » Fux valida execução provisória da pena de condenado por matar policial em blitz



Copyright © 2019 Midia Jur - Todos os direitos reservados
Trinix Internet