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STF / "ESSA HISTÓRIA NÃO VAI FICAR BEM"

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27.11.2017 | 08h19
Nadaf: Silval ameaçou empresário por propina de R$ 3,6 milhões
Ex-secretário da Casa Civil: ex-governador foi agressivo ao cobrar dívida de dono de frigorífico
MidiaNews
O ex-secretário Pedro Nadaf, que disse ter ficado assustado com ameaça de Silval
LUCAS RODRIGUES
DA REDAÇÃO

O ex-secretário da Casa Civil, Pedro Nadaf, afirmou que o ex-governador Silval Barbosa (sem partido) ameaçou o empresário Milton Belicanta, dono do frigorífico Frialto, para tentar receber uma dívida de propina no valor de R$ 3,6 milhões

A suposta ameaça teria ocorrido em 2015, após o término do mandato de Silval.

A revelação consta na delação premiada firmada por Nadaf com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e homologada pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Nadaf afirmou que o então procurador do Estado, Chico Lima (hoje aposentado), contou a ele que o ex-secretário de Fazenda, Marcel de Cursi, orientou a confecção de um parecer da Procuradoria Geral do Estado para isentar dívidas da Frialto com a Sefaz, em troca de propinas ao grupo.

Na época, a empresa estava em recuperação judicial.

“A ideia de Marcel de Cursi foi levada adiante por Chico Lima, ou seja, o próprio Chico Lima providenciou um parecer representando a Procuradoria do Estado de Mato Grosso, fazendo com que a empresa Frialto continuasse se beneficiando da alíquota que havia recebido quando da recuperação judicial, o que fez com que a empresa deixasse de dever aos cofres públicos o valor de R$ 22 milhões e, para tanto, passou a dever pagamentos de propinas a Silval Barbosa”, disse.

Essa história não vai ficar bem, eu já fiz a minha parte, falta você fazer a sua

Em contrapartida dos benefícios concedidos, segundo Nadaf, Silval cobrou R$ 5,6 milhões em propina da Frialto.

“Em relação à propina, ficou acertada entre os membros da organização criminosa que seria distribuída da seguinte forma: R$ 4,6 milhões seriam destinados para Silval Barbosa; R$ 300 mil seriam destinados para Chico Lima; R$ 200 mil caberiam para Marcel de Cursi; e o valor de R$ 500 mil seria destinado para mim”, afirmou.

De acordo com a delação, quem fazia os repasses das propinas era o filho de Milton Belicanta, Pedro Belicanta.

“Eu recebi de Pedro Belicanta o valor de R$ 950 mil referentes a propinas cabíveis a mim, Marcel de Cursi e Chico Lima. Quanto a parte de Silval Barbosa da propina, no valor de R$ 4,6 milhões, tive conhecimento, através do próprio Silval, que foi entregue a ele pessoalmente por Pedro Belicanto a quantia aproximada de R$ 1 milhão”, disse.

Desta forma, segundo Nadaf, Silval encerrou o mandato ainda com R$ 3,6 milhões em propina a receber de Milton Belicanta.

Cobrança e ameaça

Nadaf contou que o ex-governador pediu que ele agendasse um reunião com Milton Belicanta, no intuito de receber o restante da propina acertada.

Após o agendamento, Silval também pediu que Nadaf o acompanhasse no encontro, já em 2015.

“Essa reunião foi muito tensa, eis que Silval Barbosa cobrou o empresário para que esse quitasse a quantia que ainda lhe devia, no montante aproximado de R$ 3,6 milhões, sendo que, para tanto, utilizou de ameaça e agressividade, intimidando o empresário, pois para Silval Barbosa ele tinha cumprido sua parte no acordo, qual seja, extinguir a dívida da empresa Frialto para com o estado de MT, e assim, em contrapartida, o empresário ainda lhe devia o montante de R$ 3,6 milhões”, afirmou.

“Presenciei Silval Barbosa falar a Milton Belicanta: ‘Essa história não vai ficar bem, eu já fiz a minha parte, falta você fazer a sua’”, completou.

Nadaf relatou que se assustou e ficou extremamente constrangido com a “atitude agressiva” de Silval na cobrança da propina.

“Nunca havia presenciado ele agindo de tal maneira com os empresários que lhes deviam propinas”, disse.

Veja fac-símile de trecho da delação:

print nadaf diz que silval ameaçou empresário

 

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