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STF / R$ 2,5 MILHÕES

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05.11.2017 | 11h26
Nadaf afirma que frigorífico pagou dívida de Silval com factoring
Débito teria sido contraído para pagar propina na Assembleia Legislativa, por meio de Sérgio Ricardo
MidiaNews
O ex-governador Silval: incentivos fiscais em troca de pagamento de dívida
LUCAS RODRIGUES
DA REDAÇÃO

O empresário Ciro Zanchet Miotto, do ramo de frigoríficos, pagou uma dívida de R$ 2,5 milhões contraída pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB) com o dono da factoring Borbon Fomento MercantilRicardo Novis Neves, em troca de incentivos fiscais.

A acusação foi feita pelo ex-secretário de Indústria, Comércio, Minas, Energia (Sicme) e da Casa Civil, Pedro Nadaf, em sua delação premiada à Procuradoria-Geral da República, homologada pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na delação, Nadaf afirmou que Ciro Zanchet pagou a propina na condição de dono do frigorífico Mata Boi. A empresa, porém, foi vendida, no final de 2014, para a JBS/Friboi, dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

O ex-secretário disse que o esquema ocorreu em 2012, quando ainda chefiava a Sicme, ocasião em que Silval determinou que ele procurasse um empresário que pudesse pagar uma dívida contraída pelo ex-governador junto a Ricardo Novis Neves.

O débito, conforme Nadaf, era oriundo de uma dívida política de Silval com a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa.  

“Me recordo que essa demanda se tratava do valor que Silval Barbosa tem conhecimento que o então primeiro-secretário da Assembleia, Sérgio Ricardo, mediante prévia autorização do ex-governador, pegou a título de pagamento dessa dívida junto a factoring de Ricardo Neves, um valor desconhecido, mas que ao final, já computados juros e correções, porquanto a dívida já existia há mais de dois anos, perfez o valor aproximado de R$ 2,5 milhões, permanecendo assim a dívida entre Silval Barbosa e Ricardo Neves”, diz o ex-secretário, na delação.

Ciro Zanchet Miotto confirmou a solicitação aduzindo que poderia contribuir com o governo assumindo assim a dívida aproximada de R$ 2,5 milhões, com Ricardo Neves

Nadaf contou que se reuniu com Ricardo Neves para que este indicasse algum empresário que pudesse saldar a dívida que Silval tinha para com ele, “tendo então Ricardo Neves se prontificado a procurar alguém conhecido e de sua confiança que o pudesse auxiliar”.

“Passados alguns dias, em outra reunião que tive com Ricardo Neves, em meu gabinete da Sicme, fui apresentado por Ricardo ao empresário Ciro Zanchet Miotto, proprietário do frigorífico Mata Boi, sediado na cidade de Rondonópolis”, afirmou.

Propina

Neste encontro, o ex-secretário contou ter proposto a Ciro Zanchet a concessão de incentivos fiscais, por meio do Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic), em troca de repasses de propinas em benefício da organização criminosa, “a fim de saldar, em específico, essa dívida que Silval Barbosa tinha agora com o operador financeiro Ricardo Neves".

“Logo após referida proposta, Ciro Zanchet Miotto confirmou a solicitação, aduzindo que poderia contribuir com o Governo assumindo assim a dívida aproximada de R$ 2,5 milhões, com Ricardo Neves”, diz trecho da delação

Desta forma, Nadaf relatou que concedeu os incentivos fiscais ao frigorífico e Ciro Zanchet, em contrapartida, pagou diretamente a Ricardo Neves, de 2012 a 2014, a dívida de Silval.

“Além do pagamento dessa dívida de campanha, diretamente com Ricardo Neves, Ciro Zanchet Miotto me entregou, também a título de propinas por conta dos incentivos fiscais que foram concedidos à sua empresa, durante os anos de 2012 e 2014, em quatro situações cujas datas não sei precisar, além de um depósito na conta de minha empresa NBC no valor de R$ 100 mil, o montante total de R$ 250 mil, na maior parte em dinheiro“.

Outro lado

A redação ligou para o telefone da empresa Superfrigo Industria e Comercio S.A., da qual Ciro Zanchet é proprietário, mas o telefone consta como inexistente. 

Veja fac-símile de trecho da delação:

print propina da mata boi

 

Leia mais sobre o assunto:

Silval: Empréstimo com factoring pagou “13º de mensalinho”


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