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STF / PROPINA DE CONSTRUTORA

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19.10.2017 | 08h49
Nadaf diz que ex-Metamat entregou R$ 3,9 milhões no Paiaguás
Ex-secretário afirma que a maior parte do dinheiro foi repassada ao ex-governador Silval Barbosa
Alair Ribeiro/MidiaNews
O ex-presidente da Metamat, João Justino: acusado de repassar propina
LUCAS RODRIGUES
DA REDAÇÃO

O ex-presidente da Companhia Mato-grossense de Mineração (Metamat), João Justino, repassou R$ 3,9 milhões em propina da construtora Ampla ao ex-secretário da Casa Civil, Pedro Nadaf, em 2014.

A informação foi dada por Nadaf à Procuradoria Geral da República (PGR), em um dos seus depoimentos contidos na delação premiada homologada pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF). O depoimento foi obtido pelo MidiaNews.

Na oitiva, Nadaf contou que a Metamat fez uma licitação que teve como vencedora uma empresa indicada por João Justino, a Ampla, “vindo a empresa a ser contratada efetivamente pelo Governo”.

O ex-secretário afirmou que, em troca de vencer a licitação, a empresa pagava propinas a João Justino. Nadaf disse que o nome da empresa é Ampla Engenharia.

Porém, conforme o site verificou junto ao Portal Transparência, a empresa contratada se chama Ampla Construções e Empreendimentos Ltda ME. Esta empresa recebeu R$ 6,7 milhões da Metamat em 2014.

MidiaNews

Pedro Nadaf 290816

O ex-secretário Pedro Nadaf: "Desse montante de R$ 3,9 milhões, eu entreguei o valor de R$ 3,1 milhões ao ex-governador Silval Barbosa, mediante cheques e também dinheiro".

“Eu participei do recebimento de propinas referente a esse processo licitatório e contratos derivados em três ocasiões; essas três ocasiões ocorreram no ano de 2014, sendo que João Justino entregou pessoalmente para mim, em meu gabinete na Casa Civil, a quantia aproximada de R$ 3,9 milhões, em sua grande parte em cheques, mas também recebi um pouco em dinheiro”, disse Nadaf. 

De acordo com o ex-chefe da Casa Civil, a construtora repassava propina no montante de 50% do valor do contrato com o Governo.

“Desse montante de R$ 3,9 milhões, eu entreguei o valor de R$ 3,1 milhões ao ex-governador Silval Barbosa, mediante cheques e também dinheiro”.

Outros R$ 200 mil da propina, segundo a delação, foram entregues por Nadaf ao ex-secretário de Estado de Planejamento, Arnaldo Alves, “pois ele me auxiliou nesse esquema, ao prever orçamento do Estado para o pagamento da empresa, pagamento este realizado somente mediante cheques”.

“O restante da propina ficou em meu poder, no valor de R$ 600 mil. Eu utilizei propina de R$ 500 mil para pagar uma dívida de Silval Barbosa, contudo não me recordo qual era a dívida”.

Além dessas propinas, Nadaf disse que recebeu de João Justino, em 2012/2013, outros R$ 500 mil de cheques de uma pessoa jurídica – possivelmente da construtora Ampla – “em  fraude também idêntica, valor esse que ficou em sua totalidade em minha posse”.

“Assim, na soma dessas duas situações, coube a mim como quota parte o valor de R$ 600 mil. Eu nunca tratei diretamente com o empresário proprietário da empresa Ampla Engenharia, somente sei dizer que foi essa a empresa vencedora da licitação em razão das informações repassadas por João Justino”, contou. 

João Justino é réu e delator da Operação Sodoma, que também envolve esquemas na gestão de Silval. 

Outro lado

O ex-presidente da Metamat, João Justino, afirmou por telefone que tratou desse assunto em sua delação ao Ministério Público Estadual (MPE).

Todavia, ele disse que não poderia dar nenhum detalhe sobre o caso, sob risco de quebrar os termos do acordo de colaboração.

 

Veja fac-símile de trecho do depoimento:

 

print nadaf recebeu propina de joão justino

 

 

Leia mais sobre o assunto:

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