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STF / “ELE SAIU CORRENDO”

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16.10.2017 | 09h35
Nadaf muda versão e diz que “cadeirada” em Silval foi em SP
Ex-secretário havia dito anteriormente que suposta ameaça ocorreu no Palácio Paiaguás
Alair Ribeiro/MidiaNews
O ex-governador Silval Barbosa, que teria sido agredido por empresário
LUCAS RODRIGUES
DA REDAÇÃO

O ex-secretário de Indústria, Comércio, Minas, Energia (Sicme) e Casa Civil, Pedro Nadaf, mudou sua versão sobre a suposta tentativa de agressão do empresário Valdir Piran ao ex-governador Silval Barbosa (PMDB), por meio de uma “cadeirada”.

Em julho deste ano, em depoimento à juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime organizado da Capital, Nadaf afirmou que a briga ocorreu no Palácio Paiaguás.

Porém, na delação firmada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e homologada pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), em março, o ex-secretário contou que o incidente ocorreu em São Paulo (SP), no apartamento de Piran.

Conforme a delação, a qual o MidiaNews teve acesso, no começo de sua gestão Silval teria assumido uma dívida do grupo político do ex-governador e atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), com Valdir Piran, no valor de R$ 40 milhões.

Parte dessa dívida (R$ 10 milhões), de acordo com Nadaf, foi paga por meio do “retorno” em propina da desapropriação de um terreno, no bairro Jardim Liberdade, que é objeto de investigação da 4ª fase da Operação Sodoma.

Valdir Piran passou a gritar ‘vagabundo’, ‘caloteiro’, dentre outras palavras ofensivas. Apoderou-se da cadeira na qual estava sentado e foi com ela para cima de Silval Barbosa

Nadaf contou que outra fatia (R$ 4 milhões) foi arrecadada através de propinas pagas pelas construtoras Guaxe, Geosolo, e O.K. Construções e Serviços Ltda.

Entre setembro e dezembro de 2014, o ex-secretário disse que foi para São Paulo (SP), com Silval, até o apartamento de Valdir Piran, localizado acima do Shopping Cidade Jardins, “local onde ele lhe entregou os cheques que havia recebido dos proprietários das construtoras”.

“Na ocasião, Silval Barbosa comunicou a Valdir Piran que ele deveria procurar o proprietário da construtora Geosolo, de nome José Mura Júnior, para receber diretamente do empresário o valor que ainda tinha a receber de propina”.

Contudo, segundo Nadaf, Valdir Piran já estava muito exaltado diante do não pagamento de parte da dívida.

“No momento em que Silval Barbosa lá ingressou, Valdir Piran passou a gritar palavras como ‘vagabundo’, ‘caloteiro’, dentre outras palavras ofensivas. Apoderou-se da cadeira na qual estava sentado e foi com ela para cima de Silval Barbosa a fim de atingí-lo, sendo contudo impedido por mim”, disse.

“Diante do ocorrido, Silval Barbosa saiu correndo da sala, deixando Valdir Piran na minha companhia, situação que perdurou desde às 14h até às 20h”, completou.

Nadaf afirmou que, posteriormente, Valdir Piran continuou exigindo o pagamento da dívida por parte do ex-governador.

“Silvio Correa [ex-assessor de Silval] entrou em contato com o empresário Marcio Aguiar da Silva, da construtora Guaxe, o qual se fez presente no meu gabinete e a pedido de Silval Barbosa assinou três notas promissórias no valor da dívida, tendo inclusive pegado com Valdir Piran os cheques que Silval Barbosa havia lhe entregado”, afirmou.

Versão alterada

O depoimento prestado à PGR contrasta com a oitiva realizada na Justiça Estadual, em sede da ação penal derivada da 4ª fase da Operação Sodoma.

Na ocasião, Nadaf disse que a situação ocorreu em novembro de 2014, mas no Palácio Paiaguás, e não na capital paulista, e foi motivada por um cheque sem fundos entregue por Silval a Piran.

Alair Ribeiro/MidiaNews

valdir piran interrogatório

O empresário Valdir Piran, que negou ter tentado agredir ex-governador

"Ele começou a xingar o Silval de mentiroso, picareta, que não pagava. Em um determinado momento, ele pegou uma cadeira para jogar no Silval. Eu segurei a cadeira e afastei ele, o Silval saiu da sala e eu fui acalmando ele. Depois nós fomos acertando os pagamentos com ele, mês a mês eram resgatadas as notas promissórias com Piran e entregues para Silval", disse.  

Silval, por sua vez, confirmou que houve uma reunião tensa no Paiaguás, mas negou a tentativa de agressão por parte de Piran.

"Não houve agressão. Ele chegou lá nervoso dizendo que queria receber, que era para darmos jeito. Eu disse que não conversaria com ele daquela maneira, que na hora que se acalmasse a gente se falaria. Essa história do Pedro Nadaf de falar que houve cadeirada é sensacionalismo. O Piran só estava nervoso”.

Piran também negou ter tentado agredir Silval com uma cadeira e alegou que apenas discutiu com o ex-governador por conta dos cheques.

"Eu achava muito ruim ir ao Palácio falar com ele, mas era a maneira que tinha. Teve uma vez que cheguei lá e ele me entregou cheques de terceiro. Eu vi que aqueles cheques não serviam para mim, porque eram cheques que não eram dele. Aí falei: 'Silval, não quero esses cheques'. Porque tinha cheques ali que já tinham vencido. Eu falei: 'eu não quero cheques de terceiros, quero cheques seus'".               

"Aí ele respondeu que eu estava nervoso, que falaria comigo depois. Eu respondi que não estava nervoso e que só queria receber. Depois o Pedro Nadaf me procurou e me disse que ia resolver minha situação [...] O que aconteceu foi o seguinte: eu disse para o Silval que não queria mais ir até lá no gabinete, que não me sentia confortável. Mas não teve nenhuma”.

Veja o vídeo do primeiro depoimento de Nadaf sobre a “cadeirada”:

Leia mais sobre o assunto:

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