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STF / PROPINA DE R$ 700 MIL

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15.10.2017 | 14h20
“Luciane não queria receber de Silvio, e sim de mim”, diz Nadaf
Ex-secretário da Casa Civil de MT disse que ex-deputada confiava nele e não no assessor de Silval
MidiaNews
O ex-secretário Pedro Nadaf: detalhes de propina a ex-deputada
LUCAS RODRIGUES
DA REDAÇÃO

O ex-secretário de Estado da Casa Civil, Pedro Nadaf, afirmou que pagou pessoalmente R$ 700 mil de propina para a ex-deputada e atual prefeita de Juara, Luciane Bezerra (PSB), em razão de ela não querer receber os valores do ex-assessor do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), Silvio Araújo.

A informação consta na delação firmada por Nadaf com a Procuradoria Geral da República (PGR), homologada pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), em março deste ano.

Luciane foi uma das parlamentares filmadas recebendo maços de dinheiro no gabinete de Silvio e chegou a ser alvo de busca e apreensão por determinação de Fux no mês passado, durante a Operação Malebolge.

Na delação, Nadaf confirmou o esquema de pagamento da propina de R$ 50 mil paga mensalmente pelo ex-governador a deputados, que também foi narrado nas colaborações premiadas de Silval e Silvio.

Ele afirmou que o dinheiro era arrecadado por meio das propinas pagas pelas empresas contratadas no programa MT Integrado, “eis que segundo Silval Barbosa as construtoras que participariam desse programa entregariam cerca de 5% a 10% do valor de seus respectivos contratos a título de propinas ao grupo”.

Eu paguei também a título de propina, a pedido de Silval Barbosa, a então deputada estadual Luciane Bezerra, a importância de R$ 700 mil no ano de 2014

Nadaf disse que várias vezes chegou a ver o ex-secretário adjunto de Transportes e Serviços Urbanos, Valdísio Viriato, entregando os pagamentos de propina a Silval.

“Também presenciei em algumas oportunidades Silval Barbosa repassando valores oriundos de propinas para seu braço-direito Silvio Correa, que era o encarregado de entregar R$ 50 mil mensais para cada um dos deputados, bem como para os suplentes que estavam no exercício”.

Porém, segundo Nadaf, Silval contou a ele que a então deputada Luciane Bezerra não estava mais querendo receber das mãos de Silvio Corrêa uma dívida que o ex-governador possuía com ela, “tendo pedido para receber a dívida através de mim, que seria pessoa confiável e que realmente iria adimplir”.

Na delação de Silval, consta que essa dívida era oriunda de uma quota de óleo diesel, que Luciane alegava ter pagado do bolso dela para a cidade de Juara e que Luciane queria receber de Nadaf por causa de discussões com Silvio.

“Eu paguei também a título de propina, a pedido de Silval Barbosa, a então deputada estadual Luciane Bezerra, a importância de R$ 700 mil no ano de 2014, valor este que foi entregue em meu gabinete na Casa Civil, em três ou quatro ocasiões, sendo parte em dinheiro e parte em vários cheques provenientes de diversas propinas pagas à organização criminosa”.

De acordo com Nadaf, parte desse valor foi pago por meio de cheques recebidos da empresa de Filinto Muller, do ramo de factoring, que é delator da Operação Sodoma.

Alair Ribeiro/MidiaNews

Luciane Bezerra

A prefeita Luciane Bezerra, citada em delação

Em seu interrogatório na Sodoma, o ex-secretário disse que parte dos valores que passou para Luciane foi obtida por meio da desapropriação fraudulenta de um terreno no Bairro Jardim Liberdade, em Cuiabá.

“Sei que a dívida que Silval tinha com Luciane Bezerra era no valor aproximado de R$ 1 milhão. Assim, Luciane Bezerra me procurou por cerca de três ou quatro vezes em meu gabinete, dentre os meses de maio a agosto de 2014, oportunidades nas quais lhe repassei os valores, quitando assim a dívida que o ex-governador tinha com a ex-deputada”, afirmou.

Outro lado

A redação não conseguiu entrar em contato com a prefeita Luciane Bezerra. Em julho deste ano, todavia, ela já havia confirmado que teve reuniões com Nadaf na Casa Civil mas negou ter praticado corrupção.

“A quem acusa, cabe o ônus da prova. Já me coloquei à disposição da Justiça desde o ano passado. Antes de eu ser prefeita. Hoje, como prefeita, reitero, com quebra de sigilo bancário. Na Justiça, vou colocar meu posicionamento. As dúvidas que a Justiça tiver, vou sanar. Uma coisa eu digo: nunca participei de nenhum ato de corrupção. Isso é fato. Agora, o que levou ele [Nadaf] a falar isso, não sei. Ele é quem tem que explicar o motivo disso tudo”, afirmou.

Leia mais sobre o assunto:

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