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30.09.2017 | 13h20
Novacki: Silval usou Maggi como ‘bola da vez’ para deixar prisão
Secretário diz que citação a ministro da Agricultura foi tática de ex-governador para fazer delação
Noaldo Santos/Mapa
O secretário Eumar Novacki: delação de Silval não afeta projeto político de Blairo Maggi
LUCAS RODRIGUES
DA REDAÇÃO

O secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Eumar Novacki, afirmou que o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) citou o ministro Blairo Maggi (PP) em sua delação premiada como tática para conseguir deixar a prisão.

Silval estava preso desde setembro de 2015, no Centro de Custódia da Capital (CCC), e conseguiu o direito à prisão domiciliar em junho deste ano, após firmar acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República (PGR). A denúncia foi homologada pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em sua delação, o peemedebista atribuiu vários crimes a Blairo Maggi, de quem foi vice-governador e sucessor. Entre eles, o de usar dinheiro de propina para comprar apoio na Assembleia Legislativa e a suposta “compra” da retratação do ex-secretário de Fazenda, Eder Moraes, que havia atribuído crimes aos dois, em depoimento prestado em 2014.

As acusações embasaram a Operação Malebolge, deflagrada no dia 14 de setembro, e que teve as residências e gabinetes de Maggi, em Brasília e em Rondonopolis (212 km ao Sul de Cuiabá), alvos de busca e apreensão.

“É óbvio que isso constrange, ainda mais você sendo acusado de algo que não fez. O ministro Blairo Maggi se incomodou muito porque uma série de mentiras foi levantada contra ele. Mas, por outro lado, ele está muito tranquilo, ele tem a consciência tranquila de tudo o que praticou e deixou de praticar no período em que foi governador, porque nunca se configurou ilegalidade”, disse Novacki.

Não há dúvida nenhuma que a única forma que ele encontrou de buscar uma liberdade relativa era apresentando o nome de alguém que estivesse forte

Para o secretário, as acusações contra Maggi tiveram o objetivo de viabilizar o acordo de delação. Isso porque a legislação não permite que o líder da organização criminosa faça o acordo; logo, para conseguir tal benefício, Silval teria que apontar outro político como sendo o chefe do grupo.

“A pessoa estava naquela situação, sendo lhe imputados vários crimes, e a forma como ele teve de ter um refresco, a chave foi tentar trazer alguém para dentro do processo. Alguém que, em tese, estaria acima dele, dentro de uma estrutura imaginária. Essa pessoa acabou sendo o Blairo. Quem conhece o Blairo sabe que nada daquilo corresponde a realidade”, afirmou.

“Não há dúvida nenhuma de que a única forma que ele encontrou de buscar uma liberdade relativa era apresentando o nome de alguém que estivesse forte, que estivesse em uma posição importante, dentro da estrutura política do país. E o Blairo foi a bola da vez”, disse.

Para o secretário, o único erro cometido por Blairo Maggi foi o de confiar que Silval “pudesse fazer um bom trabalho pelo Estado”.

Efeitos em 2018

De acordo com Eumar Novacki, as acusações de Silval não devem impactar o projeto político de Blairo Maggi, que pretende se reeleger ao S,enado nas eleições do próximo ano.

“Eu acredito que [a delação] não vai afetar, não só pelo trabalho que ele tem desenvolvido no Ministério da Agricultura e dos resultados que nos estamos colhendo  aqui, mas, principalmente, pela história de vida do ministro Blairo Maggi, pela sua trajetória pessoal e empresarial e por aquilo que ele fez como governador do Estado de Mato Grosso. O mato-grossense sabe que o Blairo Maggi é bem diferente daquilo que foi pintado, do que foi colocado nas delações. Nós entendemos as delações como um ato de desespero”, afirmou.

O secretário também minimizou a declaração do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, no sentido de que Blairo Maggi seria líder da organização criminosa, e atribuiu a acusação como fruto de possível “desconhecimento”.

 

“O procurador saiu da chefia do MPF. Infelizmente, ele não conhece a história do Estado de Mato Grosso, não conhece a história do Blairo Maggi. Então, talvez essas afirmações tenham sido mais frutos do desconhecimento. Agora, os mato-grossenses conhecem, sabem quem é Blairo Maggi, como foi a gestão dele, e sabem fazer as comparações com quem veio depois”, completou. 

 

Leia mais sobre o assunto:

 

STF vê indícios de que Blairo tentou obstruir investigação


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