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18.09.2017 | 14h30
Silval diz que sugeriu “manobra” na AL para evitar prisões
Em delação ao MPF, ex-governador reclamou que então aliados não o ajudaram e ainda o extorquiram
Alair Ribeiro/MidiaNews
Silval Barbosa disse que reclamou de ser visitado na cadeia só neste ano
LUCAS RODRIGUES
DA REDAÇÃO

O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) afirmou ter sugerido ao grupo de deputados que ele ajudou a eleger que passasse a “trancar” os projetos de interesse da atual gestão do Estado, com o objetivo de, até mesmo, evitar novas prisões contra ele.

O peemedebista contou que a sugestão foi feita ao deputado estadual Romoaldo Júnior(PMDB), durante uma visita feita pelo parlamentar, quando Silval estava preso no Centro de Custódia da Capital (CCC).

A revelação está contida no acordo de delação premiada firmada entre Silval e a Procuradoria-Geral da República (PGR), homologado pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Silval ficou preso de setembro de 2015 até junho deste ano, por conta das prisões decretadas nas várias fases das operações Sodoma e Seven.

Ele contou que, durante este período, recebeu visitas dos advogados, familiares e de dois amigos: os empresários Wanderley Torres (Trimec Construções) e Júnior Antenor (Lenda Turismo).

De acordo com o político, quem também o visitou foi o deputado federal Carlos Bezerra (PMDB).

Eu entendia que, como o Governo do Estado era 'quem estava me prendendo’, se juntassem de 6 a 8 deputados estaduais seria possível trancar a pauta e teria condições de até segurar outras prisões como ocorreram

“Eu solicitei 'auxílio político' para que fizesse algo em Brasília, com a ajuda da bancada, no sentido de 'olhar politicamente' e interferir junto ao Governo de Mato Grosso para que não deixasse mais abrir CPIs, por exemplo [...] No ano de 2017, eu recebi mais uma visita de solidariedade de Carlos Bezerra, que sempre falava que estava ajudando na articulação política em meu favor, mas eu não vi resultado prático nenhum”, disse Silval, na delação.

Reclamação

Silval disse que o deputado Romoaldo Júnior só passou a lhe visitar a partir de 2017, motivo pelo qual o ex-governador “reclamou muito”.

“Eu disse a Romoaldo Júnior que a ALMT, além de não ter me ajudado, também me prejudicou”, disse.

Na ocasião, o ex-governador contou que sugeriu a Romoaldo que, se houvesse uma união de deputados em seu favor, poderia até evitar que novas prisões fossem decretadas contra si.

“Eu argumentei a Romoaldo Júnior que ajudei a eleger 14 deputados da base e que desses não se reuniram ao menos 8 para 'travar a pauta da ALMT', e não negociado nada com o Governo. Eu entendia que, como o Governo do Estado era 'quem estava me prendendo’, se juntassem de 6 a 8 deputados estaduais seria possível trancar a pauta e teria condições de até segurar outras prisões como ocorreram”, afirmou

Silval também contou que reclamou que, ao invés de lhe ajudar, Romoaldo e os demais deputados de seu grupo “potencializaram sua situação”.

“Ainda por cima, abriram pelo menos 4 CPIs (Obras da Copa, Sonegação Fiscal, Saúde, Frigorífico), cujo objeto de apuração só reforçava as irregularidades praticadas durante o meu governo”, disse.

No diálogo, o ex-governador ainda teria dito a Romoaldo que a maior solidariedade que gostaria de receber seria se um grupo de deputados fizesse oposição ao atual Governo.  

“Os parlamentares mais próximos a mim (Wagner Ramos, José Domingos Fraga e Silvano Amaral), além de não terem auxiliado, ainda por cima, me extorquiram na aprovação das contas do governo referentes ao ano de 2014”, disse Silval a Romoaldo, conforme a delação.

A alegada extorsão, conforme a delação, foi feita ao seu filho e ao seu irmão, Rodrigo e Antônio Barbosa.

As exigências de valores milionários em troca de votos favoráveis foram gravadas por Rodrigo e anexadas à delação.

Veja fac-símile de trecho da delação:

print silval sugere manobra a romoaldo

 

Veja o vídeo da delação:

Leia mais sobre o assunto:

Filho de Silval diz que Audi foi dado de caução para deputados


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