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STF / REPASSES DE PROPINA

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11.09.2017 | 17h18
Silval diz que Marfrig pagou R$ 4,9 mi em troca de benefícios
Ex-governador diz que R$ 1 milhão foram para o Caixa 2 de sua campanha e a de Blairo Maggi (PP)
Arquivo
Os ex-governadores Silval Barbosa e Blairo Maggi, na Arena Pantanal, em Cuiabá
DOUGLAS TRIELLI
DA REDAÇÃO

O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) revelou que recebeu R$ 4,9 milhões em propina do Grupo Marfrig para beneficiar a empresa com redução de tributos em Mato Grosso.

Desde total, R$ 1 milhão foi para o caixa 2 para sua campanha e do senador Blairo Maggi (PP) - atual ministro da Agricultura -, na eleição de 2010.

A acusação consta na delação do peemedebista firmada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e homologada pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), no dia 9 de agosto.

Segundo o delator, o esquema começou em 2010, quando o hoje senador Cidinho Santos (PR) - ele está na vaga de Maggi - intermediou uma reunião entre Silval, o então chefe da Casa Civil, Pedro Nadaf, e o representante do Grupo Marfrig, Marcos Molina.

A Marfrig é uma empresa global de alimentos à base de carnes bovina, suína, de aves e peixes.

A proposta era que a empresa doasse para campanha de Silval e Maggi e, em troca, caso o peemedebista se reelegesse, iria retribuir, auxiliando nas questões tributárias da empresa no Estado.

Que se lembra que para auxílio em sua campanha eleitoral, o declarante acredita ter recebido da Marfrig o valor aproximado de R$ 1 milhão

“Tendo tal proposta sido aceita por Marcos Molina. Que se lembra que para auxílio em sua campanha eleitoral, o declarante [Silval Barbosa] acredita ter recebido da Marfrig o valor aproximado de R$ 1 milhão, de forma não oficial, eis que não foi devidamente declarado, não, se recordando, contudo, a forma como esse valor lhe foi entregue”, afirmou Silval, na delação.

De acordo com o ex-governador, a partir de 2011, ficou decidido que a empresa continuaria a pagar um valor de propina anual, de aproximadamente R$ 1,2 milhão.

Em troca, a Marfrig foi beneficiada com redução de tributos. O dinheiro seria repassado para a conta da empresa Trimec Construções e Terraplanagem, de propriedade de Wanderley Fachetti Torres. Nadaf era o responsável por pegar o dinheiro.

“Que o recebimento de tais valores eram gerenciados por Pedro Nadaf, os quais entregava o que recebia ao declarante. Que Nadaf retirava o percentual de sua cota, correspondente a 20% do valor que lhe era entregue, repassando o restante ao declarante”, disse.

Em 2013, Silval disse que o valor recebido foi de R$ 1,5 milhão. Já no ano seguinte, o pagamento da propina acabou não acontecendo. Segundo o delator, porque grupo sofreu uma autuação fiscal da Secretaria de Fazenda (Sefaz).

“Que ratifica não ter ciência de como o pagamento foi realizado a Pedro Nadaf, sabendo que a empresa ficou devendo o 'retorno' do valor aproximado de R$ 1,5 milhão por conta de não ter efetuado o pagamento das propinas do ano de 2014”, afirmou.

Outro lado

Blairo Maggi negou qualquer participação em tratativas que envolvam pagamentos ilegais feitos em sua administração, ou dinheiro de caixa dois em suas campanhas eleitorais.

Já o senador Cidinho Santos, por meio de nota, disse que "apenas" apresentou Silval e Nadaf ao empresário Marcos Molin.

E afirmou que, se o Grupo Marfrig doou para campanha, estará registrado na Justiça Eleitoral.

Leia a íntegra da nota de Cidinho:

"No depoimento, Silval diz que o Cidinho apresentou o Marcos Molina para ele e o Pedro Nadaf.

Resposta: sim. Apenas isso.

Se em outra oportunidade se encontraram e fizeram negócios não cabe ao senador responder.

Sobre doação: se houve está tudo Registrado na prestação de contas da campanha do Blairo. Não trabalhamos com caixa 2."

A Marfrig também se posicionou por meio de nota. Leia abaixo:

"Esclarecemos que os fatos relativos à Marfrig apontados no depoimento do ex-governador do Mato Grosso, Silval Barbosa, foram exaustivamente investigados pelo Ministério Público do Estado do Mato Grosso, cuja conclusão é a inexistência de crime praticado por pessoas vinculadas ao grupo.

A seguir, a manifestação da promotora do Ministério Público Estadual do Mato Grosso, Ana Cristina Bardusco Silva, que destaca a postura colaborativa do Grupo Marfrig e a efetividade de sua área de Compliance.

O Ministério Público do Estado de Mato Grosso, através da Promotora de Justiça Ana Cristina Bardusco Silva, esclarece que o Grupo Marfrig, no ano de 2016, através de apuração interna da sua área de compliance, contribuiu de forma espontânea com as investigações relativas ao pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos do estado do Mato Grosso que compõe a organização criminosa desbaratada na Operação Sodoma. Após investigação que contou com ampla cooperação do grupo Marfrig, esta Promotoria concluiu que o grupo foi compelido a se submeter às exigências, não sendo imputado aos seus dirigentes a prática de qualquer ato de natureza criminal.

Diante dos esclarecimentos, a Marfrig reforça seu compromisso com a transparência e a ética."

Veja trecho da delação:


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