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STF / “COMISSÃO” DE OBRA

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09.09.2017 | 09h23
Silval diz que recebeu R$ 2 milhões por indicar empresa de amigo
Em delação, ex-governador afirma ter recebido valor de Wanderley Torres, dono da empreiteira Trimec
MidiaNews
O ex-governador Silval Barbosa: comissão milionária em contrato com grupo empresarial
LUCAS RODRIGUES
DA REDAÇÃO

O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) revelou que recebeu uma “comissão” de R$ 2 milhões do empresário Wanderley Torres, da Trimec Construções e Terraplanagem Ltda., após indicar a empresa para a realização de uma obra do Grupo Votorantim.

A informação consta na delação premiada firmada entre Silval e a Procuradoria-Geral da República (PGR), homologada no dia 9 de agosto pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF).

No depoimento, Silval contou que pedia para boa parte das empresas que vinham de fora do Estado que contratassem empreiteiras mato-grossenses, caso precisassem realizar alguma obra.

No caso em questão, o peemedebista disse ter solicitado ao Grupo Votorantim que contratasse a Trimec Construções, empresa do seu amigo Wanderley Torres, para a obra de acesso que liga a Estrada da Guia até a indústria do grupo, “localizada no município de Cuiabá, distrito de Nossa Senhora da Guia”.

O Grupo Votorantim atendeu ao meu pedido e a Trimec foi efetivamente contratada e executou a obra

De acordo com Silval, antes da indicação, havia um comentário de que o próprio Grupo Votorantim iria realizar a obra, motivo pelo qual ele conversou com Wanderley Torres e eles acordaram que o ex-governador faria a indicação da Trimec para a obra em troca de um “retorno”.

“Eu me reuni com o Grupo Votorantim, não me recordando de nomes ou cargos, e pedi que a empresa Trimec fosse contratada. O Grupo Votorantim atendeu ao meu pedido e a Trimec foi efetivamente contratada e executou a obra”, disse.

Por conta dessa indicação, Silval disse que recebeu uma “comissão” de R$ 2 milhões de Wanderley Torres.

Ele ainda afirmou que o ex-secretário da Casa Civil, Pedro Nadaf, que também é delator, participou dessa tratativa da indicação. “Contudo, não sei dizer se ele também obteve algum tipo de vantagem”, afirmou.

“Eu não recebi essa vantagem em minhas mãos, pois deixei de crédito com Wanderley, que, posteriormente, deve ter sido utilizado como entrada no pagamento realizado por Wanderley, quando da aquisição de uma fazenda em nome de Antônio Joaquim [presidente do TCE-MT], localizada no unicípio de Livramento/MT”, disse.

“A aquisição dessa fazenda se deu em conjunto comigo, mas, no contrato, somente foi informado o nome de Wanderley. Embora tenham omitido o meu nome no contrato, Wanderley e Antônio Joaquim tinham ciência de que eu era um dos adquirentes”, completou o ex-governador.

Além da comissão, em outro trecho da delação, Silval disse que utilizou outros valores de propina da Trimec para fazer a aquisição de parte da fazenda, que teria custado R$ 10 milhões na prática, mas apenas R$ 4 milhões “no papel”

O conselheiro Antônio Joaquim, contudo, nega ter conhecimento de que os valores seriam oriundos de propina, tampouco que Silval seria “sócio oculto” de Wanderley Torres.

Veja fac-símile de trecho da delação:

print comissão de 2 milhões a silval

 

Veja o vídeo da delação de Silval:

Leia mais sobre o assunto:

Silval diz ter sido sócio oculto em venda de fazenda de conselheiro


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