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06.09.2017 | 09h19
"Janot pensou em 'gran finale', mas vai coroar gestão com caso JBS", diz Mendes
Ministro do STF voltou a criticar o procurador-geral da República em Paris
André Dusek/Estadão Conteúdo
Janot tentou envolver o Supremo 'de forma realmente lamentável' na delação dos executivos do grupo J&F, diz ministro
DO G1

Crítico do atual procurador-geral da República, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou a jornalistas nesta quarta-feira (6), em Paris, que, na avaliação dele, o chefe do Ministério Público, Rodrigo Janot, "pensou em fazer um gran finale" no encerramento de sua gestão, com a apresentação de várias denúncias – incluindo uma segunda contra o presidente Michel Temer –, mas vai coroar sua passagem pelo comando da Procuradoria Geral da República (PGR) com o caso JBS.

Na última segunda-feira (5), Janot anunciou que havia determinado abertura de investigação para apurar indícios de omissão de informações de práticas de crimes no acordo de delação premiada dos executivos do grupo J&F, controlador do frigorífico JBS. Segundo Janot, dependendo do resultado da investigação, os benefícios oferecidos no acordo de colaboração do empresário Joesley Batista e de outros dois delatores do grupo empresarial poderão ser cancelados.

"Eu imagino que o PGR [Janot] pensou em fazer uma gran finale, oferecendo várias denúncias, inclusive a última contra o presidente da república, mas eu acho que ele conseguiu coroar dignamente o encerramento de sua gestão com o episódio Joesley", alfinetou Gilmar Mendes na conversa com jornalistas na capital francesa.

"Ele [Janot] fez jus a tudo que plantou esses anos e isso vai ser a marca que nós vamos guardar dele. O procurador-geral da delação Joesley, desse contrato com criminoso, dessa fita e no final ele inclusive tentou envolver o STF de forma realmente lamentável, dizendo que tinha o envolvimento de ministros, o que mostra realmente a sua pouca qualidade institucional", complementou o ministro do Supremo.

Nesta terça (5), também em Paris, Gilmar Mendes já havia disparado críticas contra Janot por conta das suspeitas envolvendo a delação dos executivos da J&F.

Na ocasião, o magistrado havia dito que a delação da JBS terá que ser “completamente revista” após a revelação da conversa entre Joesley e o diretor de Relações Institucionais do grupo empresarial, Ricardo Saud, na qual eles sugerem, entre outros assuntos, que contaram com a ajuda do ex-procurador da República Marcelo Miller para fechar o acordo.

Miller trabalhou com Janot durante três anos. Ele deixou a PGR em abril deste ano e passou a atuar no escritório de advocacia Trench Rossei e Watanabe, que atende a JBS.

Como advogado, o ex-auxiliar de Janot chegou a atuar nas negociações da JBS para fechar o acordo de leniência, mas o escritório que ele trabalhou deixou o caso antes do fechamento do acerto. O acordo de leniência é uma espécie de delação da empresa, na esfera cível. Em julho, Miller foi desligado do escritório.

'Legado do Lula'

Nesta quarta-feira, um jornalista questionou se Gilmar Mendes tinha "alguma novidade" sobre os novos áudios da J&F. Ao responder, o magistrado foi irônico, dizendo que a grande novidade "não era novidade". O ministro do STF insinuou que o procurador-geral da República se envolveu diretamente no acordo de delação premiada da J&F por meio de Marcelo Miller.

"A grande confirmação de que a PGR atuou muito mal nesse episódio, que ele se envolveu diretamente, de que ele tinha objetivos a partir de um braço direito do próprio PGR. Essa é a grande, novidade não, porque esse era um segredo da carochinha em Brasília. Todos sabiam do envolvimento do Marcelo Miller nesse episódio, só o doutor Janot é que o escamoteava, que o escondia", enfatizou.

Em tom sarcástico, o ministro do STF disse ainda que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou dois grandes legados: o apadrinhamento de Dilma Rousseff para que ela disputasse a Presidência e a escolha de Rodrigo Janot entre os nomes apresentados na lista tríplice da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR).

"Acho que essa foi uma boa coincidência, essa revelação, porque mostra exatamente que você não pode brincar com instituições. Eu tenho a impressão de que se nós fomos fazer juízo do legado do Lula e do petismo, nós podemos pensar em duas marcas, há muitas, mas duas marcas importantes: a indicação de Dilma Rousseff para presidente da República e a indicação de Rodrigo Janot. Elas são inesquecíveis", ironizou Gilmar Mendes.


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