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STF / “CALOTE”

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05.09.2017 | 16h25
Silval: irmãos Avalone pagaram propina com cheque sem fundo
Valores seriam usados para pagar “retratação” do ex-secretário Eder Moraes, mas voltaram
MidiaNews
O secretário Carlos Avalone: acusado de ter emitido cheques sem fundos em propina
LUCAS RODRIGUES
DA REDAÇÃO

Os empresários Marcelo e Carlos Avalone, da Construtora Três Irmãos Engenharia Ltda, teriam entregue cerca de R$ 2 milhões em cheques ao ex-governador Silval Barbosa (PMDB), a título de propina do “retorno” dos contratos referentes às obras do programa de pavimentação de rodovias “MT Integrado”.

Alguns desses cheques (R$ 800 mil), no entanto, teriam retornado por falta de fundos e acabaram não sendo posteriormente quitados.

A revelação foi feita pelo próprio Silval e pelo seu ex-assessor Silvio Araújo nas delações que ambos firmaram com a Procuradoria Geral da República (PGR), homologadas no dia 9 de agosto pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O MT Integrado, lançado na gestão Silval, previa investimentos de mais de R$ 1,5 bilhão para pavimentação de 2 mil quilômetros de estradas em Mato Grosso. Do montante, cerca de R$ 700 milhões foram executados no mandato do ex-governador.

Silval contou que a Três Irmãos Engenharia Ltda entregou de R$ 800 mil a R$ 2 milhões em cheques como propina referentes às obras dos contratos firmados com a Secretaria de Infraestrutura e o “Programa de Obras Petrobras”.

Do montante aproximado de R$ 2,8 milhões repassados a Eder de Moraes Dias, a quantia de R$ 800 mil foi em cheques da Construtora Três Irmãos, aproximadamente de oito a dez cheques

“Os pagamentos foram realizados pelos proprietários Carlos Avalone [suplente de deputado estadual e atual secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico] e seu irmão Marcelo Avalone”.

O ex-governador afirmou que repassou esses cheques ao empresário Valdir Piran, do ramo de factoring, “no intuito de pagar uma dívida”.

“Vários desses cheques retornaram sem fundos, tendo Valdir Piran devolvido para mim. Eu acabei repassando parte desses cheques para Celson Bezerra, que disse ter 'facilidade em receber dos irmãos Avalone'”.

Segundo Silval, os cheques foram repassados a Celson Bezerra a pedido do ex-secretário Eder Moraes. Isso porque Silval e o ex-governador e atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi (PP), haviam se comprometido a pagar R$ 3 milhões cada um para Eder se retratar dos depoimentos que os incriminavam nas investigações da Operação Ararath.

Briga pela dívida

Por sua vez, Silvio Araújo contou que o não pagamento dos cheques chegou a gerar uma briga entre Celson Bezerra e Marcelo Avalone.

O ex-assessor de Silval relatou que chegou a entregar cerca de R$ 2,8 milhões a Eder como parte do pagamento de Silval pela compra do “silêncio” do ex-secretário.

Os repasses eram feitos em mãos no Condomínio Florais dos Lagos, em Cuiabá, onde Eder mora.

“Eu recebi de Silval Barbosa vários cheques da Construtora Três Irmãos, no valor total de R$ 800 mil para serem entregues a Eder de Moraes como pagamento. Do montante aproximado de R$ 2,8 milhões repassados a Eder de Moraes Dias, a quantia de R$ 800 mil foi em cheques da Construtora Três Irmãos, aproximadamente de oito a dez cheques”.

Dias após os pagamentos, Silvio contou que foi procurado por Celson Bezerra, que recebeu os cheques  e reclamou que os mesmos estavam sem fundos. Celson Bezerra chegou a ser preso na 8ª fase da Operação Ararath, em 2015, pela suspeita de ajudar Eder a ocultar seus bens.

“Em razão de não ter conseguido receber os pagamentos desses cheques junto à empresa Construtora Três Irmãos, Celson Bezerra me procurou solicitando auxílio nessa questão. Eu repassei a Silval Barbosa a situação do não-adimplemento dos cheques e Silval Barbosa manteve contato com Marcelo ou Carlos Avalone”.

Como ainda assim os cheques não foram quitados, Silvio disse que Celson Bezerra o procurou e então foi marcada uma reunião na construtora.

“Na empresa quem me recebeu foi Marcelo Avalone. Nessa ocasião o declarante foi acompanhado de Celson Bezerra até a Construtora Três Irmãos, oportunidade em que Marcelo Avalone acabou discutindo com Celson, momento que chegou às vias de fato, tendo Marcelo não devolvido todos os cheques que estavam na posse de Celson, dizendo no momento que não iria mais pagá-los”.

O ex-assessor disse que, com o fim do governo Silval, não sabe dizer se houve ou não o pagamento desses cheques.

Veja fac-símile de trecho da delação:

print três irmãos emitiram cheques sem fundos

 

Veja o vídeo da delação de Silvio Araújo:

Outro lado

A redação tentou entrar em contato com o secretário Carlos Avalone, mas o celular estava desligado. Foram enviados pedidos de posicionamento via mensagem no WhatsApp, mas não houve resposta.

A assessoria da Três Irmãos Engenharia também ficou de tentar uma posição dos irmãos Carlos e Marcelo Avalone.

Leia mais sobre o assunto:

 

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