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01.06.2018 | 13h56
Personal trainer pede extensão de horários para trabalhar e ir à missa
Ministro requereu informação de academia e endereço de igreja antes de decidir se autoriza ou não
Montagem
A personal trainer Helen Christy, que tenta flexibilizar horários de cautelares
LUCAS RODRIGUES
DA REDAÇÃO

A personal trainer Helen Christy, investigada no esquema de interceptações clandestinas que operou no Estado, pediu que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) flexibilize as medidas cautelares impostas a ela para deixar a prisão.

Helen foi presa em setembro do ano passado durante a Operação Esdras, sob a suspeita de ter integrado uma organização criminosa que visava atrapalhar as investigações dos “grampos”.

Ela é esposa do ex-chefe da Casa Militar, coronel Evandro Lesco, também preso na ocasião. Eles foram soltos em novembro de 2017, mediante a imposição de diversas medidas cautelares.

No requerimento ao STJ, endereçado ao ministro Mauro Campbell, a personal pediu permissão para sair de casa para trabalhar a partir das 5h e retorno às 21h, assim como nos sábados pela manhã.

Helen também pediu que o ministro a deixasse participar das missas aos domingos, também de manhã.  

Pelas atuais cautelares, a personal não pode sair de casa após as 19h nos dias de semana e nem em qualquer horário dos sábados, domingos e feriados.

Determino seja oficiada à Academia Inspire Wellness Clube para que, no prazo de cinco dias, informe se os alunos identificados às fls. 14/32 estão ali matriculados

Em parecer, o Ministério Público Federal (MPF) pediu expedição de ofício à academia onde Helen trabalha (Inspire Wellness Clube) e também à própria personal para informar o horário e o local das missas.

Decisão adiada

O ministro Mauro Campbell atendeu ao parecer do MPF e resolveu só decidir se autoriza ou não as saídas da personal após o recebimento das informações da academia e dos horários da missa.

“Determino seja oficiada à Academia Inspire Wellness Clube para que, no prazo de cinco dias, informe se os alunos identificados às fls. 14/32 estão ali matriculados. Outrossim, determino seja a requerida notificada a informar no prazo de cinco dias o local e endereço em que pretende frequentar o culto religioso”, diz trecho da decisão, datada do dia 28 de maio.

A personal Helen Christy também cumpre outras cautelares determinadas pelo ministro: comparecimento quinzenal na 9ª Vara Federal de Cuiabá para informar e justificar suas atividades; proibição de manter qualquer contato com os investigados, ainda que de forma indireta, e de ingressar nas dependências da Casa Civil, Casa Militar, Controladoria-Geral do Estado, Gabinete de Comunicação, Gabinete de Desenvolvimento Regional, Gabinete de Estado de Assuntos Estratégicos, Gabinete de Governo, Gabinete de Transparência e Combate à Corrupção, e Governadoria, assim como Procuradoria-Geral do Estado, Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos, Secretaria de Estado de Segurança Pública, Vice-Governadoria, Polícia Militar e estruturas do Comando Geral da Polícia Militar, assim como da Polícia Civil, assim como de manter contato com qualquer servidores destas unidades; proibição de se ausentar do município sem requerimento prévio ao ministro; e entrega de passaporte.

Além dela e do marido, também foram presos na operação e conseguiram a soltura mediante cumprimento de medidas cautelares: os ex-secretários de Estado Paulo Taques (Casa Civil), coronel Airton Siqueira (Justiça e Direitos Humanos) e Rogers Jarbas (Segurança Pública), além do sargento João Ricardo Soler e do major Michel Ferronato. Paulo Taques está preso atualmente por conta da Operação Bereré, que apura esquemas no Detran-MT.

Investigada

O suposto esquema investigado na operação era viabilizado pela prática de interceptações telefônicas clandestinas na modalidade “barriga de aluguel”, quando números de telefones de cidadãos comuns, sem conexão com uma investigação, são inseridos em um pedido de quebra de sigilo telefônico à Justiça.

Pesa contra Helen Christy a acusação de ter ajudado o marido Evandro Lesco a cooptar o tenente-coronel José Henrique Soares, mediante chantagem, visando sabotar as investigações.

José Soares era escrivão do inquérito que apurava o caso em relação aos militares investigados no esquema.

A coação teria ocorrido mediante a ameaça de que, caso não ajudasse a fornecer informações privilegiadas e atrapalhasse a apuração do caso, o grupo revelaria à Polícia Militar que ele possuía vício em drogas e teria supostamente cometido ilícitos em uma sociedade empresarial.

O objetivo do grupo seria o de gravar imagens e áudios do desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, para, posteriormente, obter a suspeição dele no processo referente aos grampos ilegais, que à época estava sob a responsabilidade do magistrado.

O grupo chegou a implantar uma câmara na farda de José Soares para que ele gravasse Perri de forma oculta, o que acabou não ocorrendo.

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