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23.11.2017 | 10h30
Coronel e cabo da PM completam 6 meses presos por “grampos”
Zaqueu Barbosa e Gérson Correa são acusados de ser os principais operadores de esquema
MidiaNews/Montagem
Coronel Zaqueu Barbosa (esq.) e cabo Gérsn Correa (dir.): seis meses presos
LUCAS RODRIGUES
DA REDAÇÃO

O ex-comandante da Polícia Militar no Estado, coronel Zaqueu Barbosa, e o cabo Gérson Corrêa completaram seis meses de prisão nesta quinta-feira (23), por conta do esquema de interceptações clandestinas que operou em Mato Grosso.

Os dois foram presos na tarde do dia 23 de maio, por ordem do juiz Marcos Faleiros, que atuava na Vara Militar de Cuiabá à época.

As prisões ocorreram dias após a exibição de uma reportagem no programa “Fantástico”, da Rede Globo, que mostrou que o sistema funcionaria por meio da tática de “barriga de aluguel”, quando números de pessoas que não têm qualquer relação com investigações policiais são inseridos de maneira disfarçada – sob outras identificações – em pedidos de quebra de sigilos telefônicos feitos à Justiça.

Zaqueu e Gérson são acusados de serem os principais operadores do esquema no núcleo militar da organização criminosa. O primeiro está detido no Batalhão de Operações Especiais (Bope) e o segundo no Batalhão de Ronda Ostensiva Tática Móvel (Rotam)

Até o momento, somente o cabo Gérson confessou os crimes, enquanto Zaqueu nega ter cometido qualquer conduta ilegal em sua atuação.

Após ser preso, o coronel Zaqueu tentou obter a liberdade por meio de vários habeas corpus nas diversas instâncias da Justiça.

Todavia, todas as medidas foram rejeitadas, tanto no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), quanto no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e até pela ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Já Gerson Correa tentou a soltura apenas no Tribunal de Justiça, que foi negada pelo desembargador Paulo da Cunha, no dia 30 de maio.

Em setembro, o TJ-MT aceitou a denúncia dos “grampos” e os dois viraram réus na ação penal, juntamente com outros três militares (os coronéis Evandro Alexandre Lesco e Ronelson Barros, ex-chefe e ex-adjunto da Casa Militar, respectivamente, e o coronel Januário Batista).

Neste meio tempo, outros militares e até ex-secretários foram presos por participação no esquema, a exemplo de Paulo Taques (Casa Civil) e Rogers Jarbas (Segurança), mas foram posteriormente soltos.

MidiaNews

Marcos Faleiros

Prisão dos militares foi decretada pelo juiz Marcos Faleiros

Atualmente, toda a investigação tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob a responsabilidade do ministro Mauro Campbell.

Confissão

No dia 16 de outubro, o cabo Gérson mudou sua postura no processo e decidiu confessar seus crimes, além de dar detalhes do esquema para os delegados Ana Cristina Feldner e Flávio Stringueta, que conduziam a investigação.

Ele afirmou que chegou a operar as escutas ilegais dentro do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual (MPE), local onde atuava.

“Nesse período, eu estava lotado no Gaeco, fazia dupla jornada. Com o surgimento da plataforma Sentinela, facilitou muito o trabalho porque o acompanhamento era operado pela web. Então, eu realizava algumas escutas na sede do Gaeco mesmo”, afirmou.

Segundo Gérson Correa, foi o cabo PM Euclides Luiz Torezan, também envolvido na trama, quem instalou o sistema em seu computador no Gaeco, para que ele pudesse ouvir os grampos lá dentro.

Do Gaeco, Gérson passou a operar os grampos de uma sala comercial, localizada na Rua Desembargador Ferreira Mendes, nº 235, na região central de Cuiabá. Lá ele teve ajuda de outros quatros militares.

As interceptações, segundo ele, só foram interrompidas após o promotor de Justiça Mauro Zaque – que descobriu o esquema - interrogar os coronéis Zaqueu Barbosa e Airton Siqueira sobre o caso.

A participação

Antes de o caso “subir” ao STJ, as investigações que estavam nas mãos do desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, indicavam que Zaqueu e Gérson foram os principais responsáveis pelos crimes praticados pelo grupo.

Segundo Perri, o coronel Zaqueu foi o idealizador do plano de criação do Núcleo de Inteligência da Polícia Militar, ainda em setembro de 2014. À época, ele exercia a função de subchefe do Estado Maior Geral da PM-MT.

Também de acordo com o desembargador, o Núcleo foi criado totalmente à margem da lei e das normativas internas da PM, não tendo outro objetivo, senão o de realizar escutas telefônicas clandestinas.

“O cel. Zaqueu foi, portanto, iniludivelmente, o idealizador de todo o esquema criminoso, não só no aspecto material, como também, valendo-se da função de subchefe do Estado Maior Geral da PM-MT, ter arregimentado profissionais para trabalhar na missão, escolhendo aqueles mais habilidosos no assunto de inteligência e, notadamente, em interceptação telefônica”.

O cabo Gerson, segundo o desembargador, ficou responsável por toda a parte operacional do chamado Núcleo de Inteligência. Cabia a ele também a apresentação dos resultados do seu trabalho de escuta, por meio de relatórios entregues ao coronel Zaqueu.

O magistrado afirmou também que, embora seja um policial de patente mais baixa, o cabo Gerson teve “relevantíssima participação para o sucesso da empreitada criminosa”.

“No que tange ao cabo Gerson Luiz Ferreira Correa, em uma análise perfunctória, poder-se-ia concluir, de maneira equivocada, que ele seria o elo mais fraco do grupo criminoso, afinal estamos diante da presença de coronéis e, com base nos princípios de hierarquia e disciplina a conduta do CB Gerson Correa teria sido, em tese, apenas secundária ou de papel coadjuvante”, citou Perri.

O magistrado afirmou também que, embora seja um policial de patente mais baixa, o cabo Gerson teve “relevantíssima participação para o sucesso da empreitada criminosa”.

“No que tange ao cabo Gerson Luiz Ferreira Correa, em uma análise perfunctória, poder-se-ia concluir, de maneira equivocada, que ele seria o elo mais fraco do grupo criminoso, afinal estamos diante da presença de coronéis e, com base nos princípios de hierarquia e disciplina a conduta do CB Gerson Correa teria sido, em tese, apenas secundária ou de papel coadjuvante”, citou Perri.

Leia mais sobre o assunto:

PM diz que operava escutas ilegais de dentro do Gaeco; veja vídeo

Ministro diz que ainda é “necessária” a prisão do coronel Zaqueu

TJ recebe denúncia e cinco militares viram réus por “grampos”

Perri: Coronel e cabo são principais responsáveis por grampos


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