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J. Eleitoral / "TRUCAGEM"

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27.10.2016 | 15h20
Justiça Eleitoral tira quase 4 minutos do programa de Wilson
Juíza Maria Borba afirmou que coligação tucana adulterou trecho do áudio de empresária divulgado
Marcus Mesquita/MidiaNews/Reprodução
A juíza Maria Rosi (detalhe), da 54ª Zona Eleitoral, que atendeu a pedido de Emanuel Pinheiro (PMDB)
AIRTON MARQUES
DA REDAÇÃO

A juíza Maria Rosi de Meira Borba, da 54ª Zona Eleitoral de Cuiabá, determinou a perda de 3 minutos e 38 segundos do programa eleitoral do candidato a prefeito de Cuiabá, Wilson Santos (PSDB).

A decisão liminar (provisória) foi proferida na tarde desta quarta-feira (26) e deve ser cumprida já no horário eleitoral a ser veiculado nesta noite. Caso descumpra a decisão, a coligação tucana pode pagar R$ 10 mil.

A representação eleitoral foi protocolada pela coligação de Emanuel Pinheiro (PMDB), por conta do programa eleitoral veiculado pelo tucano na noite desta terça-feira (25), em que Wilson divulgou trecho do áudio de uma conversa com a cunhada de Emanuel, Bárbara Pinheiro, em que ela teria admitido ter atuado em favor da concessão de benefício fiscal para a empresa Caramuru Alimentos S. A., além de, supostamente, ter recebido R$ 4 milhões.

De acordo com a inicial, a Representada estaria exacerbando do direito de manifestação e ferindo os direitos fundamentais do candidato, já que se utilizou de trucagem e montagem

Na representação, Emanuel afirmou que Wilson usou de “trucagens”, adulterando o áudio.A gravação se refere a uma reunião na casa de Wilson, em que Bárbara e seu marido – irmão de Emanuel -, Marco Polo Pinheiro, conhecido como “Popó”, de acordo com o tucano, teriam confessado a atuação para o enquadramento da Caramuru no programa de incentivos fiscais do Governo do Estado.

“De acordo com a inicial, a Representada estaria exacerbando do direito de manifestação e ferindo os direitos fundamentais do candidato, já que se utilizou de trucagem e montagem e imputou ao Candidato da Representante, fatos não verdadeiros”, diz trecho da decisão.

Segundo o programa de Emanuel, Wilson fez uma “montagem grosseira” trocando uma palavra por outra. 

“Na legenda do áudio de Bárbara, cunhada de Emanuel, eles adulteraram uma fala para dar a impressão de que se tratava de uma propina recebida da Caramuru Alimentos. Bárbara nunca disse a palavra ‘deram’. A palavra é devem”, disse o locutor de Emanuel. 

De acordo com o programa do peemedebista, o adversário degravou o trecho da conversa de Bárbara da seguinte forma: “O que deram pra gente até hoje é....4 milhões de reais. Fiz a operação e a Fabíola recebeu 2 milhões de reais. Fabíola ficou com o dinheiro dela e o que era meu paguei as contas da cozinha [industrial, montada na Construtora Aurora]”. 

No entanto, Emanuel afirmou que a frase correta é: “A Aurora deve pra gente até hoje é....4 milhões de reais”.

As acusações de que Wilson teria adulterado os áudios divulgados, foi veiculado no programa de Emanuel na tarde desta quarta-feira.

Trucagem confirmada

Em sua decisão, a juíza Maria Rosi concordou com as alegações da coordenação jurídica de Emanuel, confirmado a existência de trucagens.

“Após analisar os áudios e as transcrições juntados pela Coligação Representante, não sobejam dúvidas sobre a ocorrência de trucagem realizada pela Coligação Representada, no horário eleitoral já citado, com objetivo precípuo de degradar o Candidato da Coligação Representante”, afirmou.

“Repare-se que na transcrição do áudio, amplamente veiculado pela imprensa e que, ao que parece, foi realizado pelo próprio Candidato da Representada ou por seus pares, consta que Bárbara, cunhada do Candidato da Representante teria afirmado que a Empresa Caramuru lhe devia em torno de quatro milhões de reais”, completou.

No entanto, segundo a magistrada, ao veicular a matéria, a coligação de Wilson “alterou a realidade dos fatos e transcreveu que Bárbara teria dito que lhe deram quatro milhões de reais”.

“Assim, com a trucagem realizada, a Coligação Representada atingiu o objetivo de mudar completamente o sentido das afirmações de Bárbara, que passou, da condição de credora para a de recebedora da quantia suso citada”, declarou.

Além da perda do tempo do programa eleitoral, Maria Rosi determinou a suspensão do programa eleitoral analisado.

Leia mais:

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