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J. Federal / GRAMPOS ILEGAIS

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31.10.2017 | 17h27
Cabo Gerson vai à Justiça Federal e inicia conversas para delação
Acusado de integrar esquema de grampo, policial militar chegou a confessar crimes à Polícia Civil
Alair Ribeiro/MidiaNews
Cabo Gerson Corrêa analisou possibilidade de fazer colaboração premiada no MPF
VINÍCIUS LEMOS
DA REDAÇÃO

O cabo da PM Gerson Corrêa, acusado de participar do esquema de grampos ilegais, esteve na sede da Justiça Federal em Mato Grosso, na tarde de segunda-feira (31), para dar início às tratativas referentes a uma possível delação premiada.

Gerson está detido desde 23 de maio, durante as primeiras prisões referentes ao caso. Ele é acusado de ser um dos responsáveis por realizar as escutas ilegais.

A ida à Justiça Federal foi o primeiro procedimento realizado pelo cabo desde que os inquéritos dos grampos foram remetidos ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O procedimento mudou de instância após o ministro Mauro Campbell Marques avocar (pegar para si) os procedimento, atendendo a pedido do governador Pedro Taques (PSDB), um dos alvos das investigações.

Na Justiça Federal em Mato Grosso, o cabo foi orientado sobre como deve proceder para realizar uma possível delação premiada no âmbito do STJ.

Quando o caso ainda estava sob a responsabilidade do TJ, o cabo chegou a confessar os crimes.

Na Justiça Federal, o cabo recebeu um questionário sobre os grampos ilegais, no qual foram feitas diversas perguntas sobre o esquema.

“Eles exigiram muitas coisas, incluindo questões sobre as quais o preso alegou que não tinha conhecimento”, detalhou uma fonte do MidiaNews.

Conforme a fonte, a defesa do cabo considerou o procedimento extenso e, ao menos por ora, desnecessário.

Isso porque o cabo aguarda a possibilidade de o STJ devolver ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso os procedimentos envolvendo pessoas sem foro especial por prerrogativa de função, como é o seu caso.

O cabo vê a delação premiada como uma das poucas medidas para que consiga ser colocado em liberdade.

Ele irá aguardar as possíveis distribuições dos procedimentos, que podem ocorrer nas próximas semanas, para debater sobre sua estratégia de defesa.

Postura colaborativa

Pouco antes de as investigações sobre os grampos serem encaminhadas ao STJ, o cabo Gerson passou a adotar postura colaborativa e revelou diversos fatos sobre o esquema criminoso.

Durante reinterrogatório, concedido aos delegados Ana Cristina Feldner e Flávio Stringueta – que conduziram as apurações no âmbito da Polícia Civil –, ele detalhou sobre o esquema da “grampolândia pantaneira” e chegou a confessar sua participação nos crimes.

Nos bastidores, as revelações feitas por ele eram vistas como o início de uma futura delação premiada. Porém, a ida dos procedimentos ao STJ acabou fazendo com que a possível colaboração, no âmbito estadual, fosse suspensa.

A reportagem tentou contato com a defesa do cabo Gerson Corrêa, mas não obteve respostas até a conclusão deste texto.


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