Artigos
  • VICTOR MAIZMAN
    O Judiciário dará solução imediata ao cidadão ou à pessoa jurídica, quando houver ameaça à violação de direito
  • EDUARDO MAHON
    Há nomes que merecem permanecer na memória da Cultura de Mato Grosso; já outros...
J. Federal / FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA

Tamanho do texto A- A+
09.01.2017 | 15h52
União pode obter dados bancários de cidadão sem decisão judicial
Decisão é do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3)
Reprodução
A juíza baseou sua decisão na jurisprudência formada pelo Supremo Tribunal Federal em 2016
DO CONSULTOR JURÍDICO

A Administração Tributária da União pode solicitar às instituições financeiras, sem prévia autorização judicial, informações e documentos relacionados a operações bancárias de um cidadão, para fins tributários. Com esse entendimento, a 6ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região negou provimento à apelação de um contribuinte que pleiteava a extinção da execução fiscal, afastando a cobrança de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) referente ao ano base 2003, por ter sido baseada na quebra do seu sigilo bancário.

A juíza baseou sua decisão na jurisprudência formada pelo Supremo Tribunal Federal em 2016. A corte considerou constitucional norma que permite ao Fisco acessar dados fiscais de contribuintes sem autorização judicial. Por 9 votos a 2, a maioria do Plenário concluiu que a Lei Complementar 105/2001 não autoriza quebra de sigilo bancário, mas a transferência de informações entre bancos e a Receita Federal, que têm o dever de preservar o sigilo dos dados. 

No caso agora analisado pelo TRF-3, o pedido já havia sido julgado improcedente em primeira instância. Após esta decisão, o contribuinte ingressou com recurso no TRF-3 pleiteando a reforma da sentença, alegando a ilegalidade da quebra de seu sigilo bancário e, consequentemente, a impossibilidade de utilização de prova ilícita para embasar a execução fiscal.

Ao analisar a questão no TRF-3, a relatora do processo, desembargadora federal Consuelo Yoshida, lembrou que a Constituição Federal reserva especial atenção à administração tributária, atividade que considera essencial ao funcionamento do Estado, uma vez que é a responsável pelos recursos necessários à sua manutenção.

“Há que se considerar que os direitos e garantias individuais, nos quais está incluída a inviolabilidade do sigilo de dados, não se revestem de caráter absoluto, cedendo, em razão do interesse público, ou até mesmo diante de conflitos entre as próprias liberdades públicas, merecendo cuidadosa interpretação, de forma a coordenar e harmonizar os princípios, evitando o sacrifício total de uns em relação aos outros (princípio da relatividade ou convivência das liberdades públicas)”.

Jurisprudência recente

A magistrada destacou a jurisprudência do STF. “Conforme se denota da posição adotada pelo STF, não haveria, a rigor, uma verdadeira quebra de sigilo bancário, mas sim um mero compartilhamento de informações sigilosas, que deverão ser prestadas pelas instituições financeiras à Administração Tributária da União, observados os mandamentos legais”, disse.

Por fim, argumentou que a o parágrafo 2º do artigo 5º da Lei Complementar 105/2001 é expresso ao restringir o conteúdo das informações transferidas a informes relacionados à identificação dos titulares das operações e aos montantes globais mensalmente movimentados, vedando a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados.


Voltar   

Nenhum Comentário(s).
Preencha o formulário abaixo e seja o primeiro a comentar esta notícia
Comente está matéria

Confira também nesta seção:
Novembro de 2017
20.11.17 10h55 » Falso advogado é condenado a 20 anos por fraude no INSS
18.11.17 11h49 » Justiça condena Calheiros à perda do mandato e direitos políticos
16.11.17 16h07 » Justiça Federal expede novo mandado de prisão contra Jacob Barata Filho
09.11.17 15h52 » Irmãos têm pena reduzida em 7 anos após devolverem R$ 3,8 mi
06.11.17 10h26 » Eduardo Cunha diz à Justiça que delator e operador do PMDB atribui 'tudo' a ele
Outubro de 2017
31.10.17 17h27 » Cabo Gerson vai à Justiça Federal e inicia conversas para delação
16.10.17 17h58 » Joesley e Wesley viram réus por manipulação de mercado
14.10.17 11h25 » Justiça determina votação aberta no caso Aécio Neves
13.10.17 17h32 » Justiça intima Mendes a explicar acusações contra magistrado
09.10.17 17h52 » Moro ordena que Lula esclareça se tem recibos originais de aluguel



Copyright 2012 Midia Jur - Todos os direitos reservados
Trinix Internet