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J. Federal / ODEBRECHT

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11.12.2016 | 17h15
Delator diz que ex-secretário de Silval operou caixa dois no Rio
Carlos Rayel foi citado em delação premiada de ex-executivo da Odecrecht
Arquivo
O ex-secretário de Comunicação de Mato Grosso, Carlos Rayel
DO MIDIANEWS

O ex-secretário de Estado de Comunicação, Carlos Rayel, foi acusado na delação premiada do ex-executivo da Odebrecht, Leandro Andrade Azevedo, de negociar dinheiro de caixa dois para campanhas do senador Lindbergh Farias (PT). A informação é da coluna Radar On-Line, da revista Veja.

Rayel foi secretário de Comunicação na gestão de Silval Barbosa (PMDB).

Segundo a Veja, a construtora desembolsou R$ 3,2 milhões para as campanhas do petista ao Senado em 2010 e à Prefeitura de Nova  Iguaçu (RJ) em 2008. Parte do dinheiro teria sido entregue a Rayel.

Em contato com o MidiaNews, Carlos Rayel negou que tenha recebido da Odebrecht por meio de caixa dois.

“Meus serviços foram todos pagos mediante emissão de nota fiscal. Foi a Odebrecht que pagou, mas tudo dentro da legalidade, sem caixa dois e sem qualquer tipo de irregularidade fiscal. Não houve sonegação”, afirmou.

"Caso seja necessário, irei apresentar todas as notas fiscais às autoridades. Não há problema algum", completou. Ele disse que recebeu cerca de R$ 600 mil pela consultoria de marketing.

Leia abaixo a reportagem de Veja:

Diretor da Odebrecht delata caixa 2 para Lindbergh e afirma que senador participava das negociações

Gabriel Marcarenhas

Do Radar On-Line

"A delação da Odebrecht deve passar como um rolo compressor por cima de Lindbergh Farias, apelidado de “Feio”, nas planilhas de negociatas da construtora.

O diretor da empreiteira Leandro Andrade Azevedo, um dos que vai contar o que sabe, afirma que a construtora desembolsou cerca de R$ 3,2 milhões em caixa 2 às campanhas do petista ao Senado, em 2010, e à prefeitura de Nova Iguaçu, em 2008.

As informações são comprometedoras. Azevedo revela que esteve no gabinete de Lindbergh, em Nova Iguaçu, em 2007, para negociar diretamente com ele e com o marqueteiro Carlos Rayel valores e formas de pagamento das contribuições não declaradas. Coisa de R$ 698 mil.

Parte foi paga em dinheiro vivo a Carlos Rayel, responsável pela campanha à reeleição do então prefeito da cidade localizada na Baixada Fluminense.

“Os pagamentos foram operacionalizados e entregues no escritório de campanha de Lindbergh[…] e foram destinados a remunerar o trabalho de marketing realizado por Carlos Rayel”.

Segundo Azevedo, a generosidade da Odebrecht com Lindbergh dava-se porque a cúpula da empresa o considerava um político promissor, com possibilidade de um dia chegar ao Palácio do Planalto.

Mas, antes mesmo de alçar votações mais expressivas, a construtora já lucrou pelas mãos do então chefe do Executivo de Nova Iguaçu.

Durante as tratativas para abrir o caixa, a Odebrecht soube pelo marqueteiro do petista que Lindbergh iria lançar o programa Pro-Moradia, bancado pelo Ministério das Cidades.

“De fato, em dezembro de 2007, foi lançado o edital, apresentamos proposta e vencemos a licitação no valor de R$ 88 (milhões)”, diz o anexo do executivo.

A concorrência em questão englobava três lotes de obras. A Odebrecht levou um, enquanto as empresas Carioca Engenharia e Melo Azevedo arremataram os demais. A Odebrecht, porém, precisava de uma manobra para lucrar mais. E lucrou, claro.

“Conseguimos, depois de adjudicada a licitação e assinado individualmente o contrato de cada lote, a permissão para reunir os três lotes em um contrato só, formando-se um consórcio entre as três empresas. Isso trouxe considerável vantagem financeira à companhia, em razão da diminuição de custos indiretos”.

No jogo ilegal do todo mundo ganha, descrito por Azevedo, Lindbergh se reelegeu e, dois anos mais tarde, era a vez de ele querer mais. Na ocasião, mirava em uma cadeira no Senado. Conseguiu, com apoio da Odebrecht, lógico.

O esquema era o mesmo, segundo o executivo: a empresa pagaria, em dinheiro, os serviços do responsável pela publicidade da campanha de Lindbergh. Só que, em 2010, o valor era outro e o marqueteiro também: Duda Mendonça, figura carimbada pelo mensalão.

A conta daquele ano saiu mais cara, de acordo com o diretor da construtora: R$ 2,5 milhões. Lindbgerh, mais uma vez, participou de tudo, segundo Azevedo."


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