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13.06.2018 | 16h37
Ex-PMs acusados de matar os "irmãos Araújo" vão à júri popular
Julgamento será nesta quinta-feira (14), em Rondonópolis; irmãos foram executados a tiros
Divulgação
O ex-soldado da Polícia Militar de Mato Grosso, Célio Alves de Souza, um dos acusados
JAD LARANJEIRA
DA REDAÇÃO

O ex-soldado da Polícia Militar de Mato Grosso, Célio Alves de Souza, e o ex-capitão Marcos Divino Teixeira da Silva, vão a júri popular na quinta-feira (14) por homicídio qualificado e formação de quadrilha.

Eles são acusados de serem os executores dos assassinatos dos agricultores Brandão Araújo Filho, cometido em 1999, e de José Carlos Machado Araújo, em 2000, ambos executados a tiros em Rondonópolis (212 km de Cuiabá)

O julgamento está marcado para as 9h, no fórum da cidade.

Conforme o processo, a execução dos “irmãos Araújo”, como eram conhecidos na cidade, foi motivada pela disputa judicial de uma fazenda de 2.175 hectares, localizada na região conhecida como Mineirinho.

São apontados como mandantes do crime o empresário Sérgio Marchett e a filha dele Mônica Marchett, que também iriam a júri. Porém, no mês passado, a 2ª  Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) decidiu não permitir que Mônica Marchett fosse a júri popular, por entender não haver indícios mínimos de que Mônica tenha qualquer ligação com os crimes.

No entanto a procuradora de Justiça Kátia Maria Aguilera Rispoli, do Ministério Público Estadual (MPE), afirmou que irá recorrer da decisão ainda nesta semana.

O júri de Sérgio Marchetti ainda não tem data marcada. 

Os crimes

irmaos araujo

Os irmãos Araújos assassinados há 19 anos, em Rondonópolis

O primeiro crime aconteceu no dia 10 de agosto de 1999. Brandão foi surpreendido pelo pistoleiro Hércules Araújo Agostinho (Cabo Hércules), e executado a tiros de pistola em pleno centro de Rondonópolis.

O segundo crime foi em 28 de dezembro de 2000, onde José Carlos foi executado a tiros de pistola 9 mm, no estacionamento da agência central do Banco Bradesco, também na região central da cidade. Em ambos os casos, Célio Alves é acusado de ter ajudado o pistoleiro Hércules Agostinho.

O pistoleiro confesso, e já condenado, Hércules de Araújo Agostinho, apontou como mandantes dos crimes os proprietários da empresa ‘Sementes Mônica’, mesmos proprietários da Agropecuária Marchett LTDA, Sérgio João Marchett e sua filha Mônica Marchett, a qual inclusive chegou a ficar presa por alguns dias.

Uma das provas que incriminariam diretamente os mandantes foi a transferência de um veículo Gol, de propriedade da empresa “Mônica Armazéns Gerais LTDA” para um dos executores, o ex-soldado PM Célio Alves, dado como forma de pagamento pelas mortes, sendo que o pistoleiro Hércules ainda reconheceu o escritório da empresa como o local onde foram pegar a documentação do veículo.

Segundo o inquérito, o ex-capitão Marcos Divino foi responsável pelo recrutamento dos pistoleiros.

Confissão e reconstituição

Os crimes começaram a ser desvendados em setembro de 2003 pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), quando o cabo da PM Hércules, preso para responder pelo assassinato do empresário Sávio Brandão, confessou espontaneamente a participação no assassinato dos irmãos Brandão Araújo Filho e José Carlos Machado Araújo.

Cabo Hércules’ não só assumiu os assassinatos dos irmãos de Rondonópolis, como participou da reconstituição dos crimes, apontou como co-executores o ex-soldado da PM/MT Célio Alves, o ex-sargento da PM/MT, José Jesus de Freitas (morto pelos acusados Hércules e Célio), o capitão da PM/MT, Marcos Divino, como também apontou a família Marchett como mandantes dos crimes.

No dia 25 de outubro de 2003 foi realizada a reconstituição dos dois crimes ocorridos em Rondonópolis e o laudo da reconstituição foi concluído no sentido de que “não houve divergência em pontos cruciais para elucidação do caso”, possuindo 136 fotos que ilustram a dinâmica adotada pelo ex-cabo Hércules Agostinho para executar os dois irmãos.

O laudo diz ainda que há compatibilidade entre as informações dadas pelo ex-cabo em seus depoimentos e a reconstituição dos crimes.

Da mesma forma, os ferimentos encontrados em ambas as vítimas são compatíveis com a arma usada por Hércules, uma pistola de nome milímetros.

Na ocasião, Hércules reconheceu e apontou a Sementes Mônica, empresa da família Marchett, como o local em que ele e o ex-soldado Célio Alves receberam um veículo Gol como pagamento pela execução dos dois irmãos Araújo.

Leia mais sobre o assunto:

Tribunal volta atrás e empresária acusada não irá à júri popular


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