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J. Estadual / ESQUEMA NO DETRAN

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03.04.2018 | 18h11
Romoaldo nega ter se beneficiado de cheque em conta de assessor
Parlamentar teria recebido, por meio de assessor, um cheque de R$ 33 mil de ex-sócio de empresa investigada
Alair Ribeiro/MídiaNews
O deputado Romoaldo Junior, que prestou depoimento ao Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), no tarde desta terça-feira (3)
CÍNTIA BORGES E LUCAS RODRIGUES
DA REDAÇÃO

O deputado Romoaldo Júnior (PMDB) negou ter se beneficiado de um cheque de R$ 33 mil emitido em 2013 por um dos alvos da Operação Bereré, que apura um amplo esquema de fraudes e propina no Detran-MT.

O parlamentar prestou depoimento ao Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) na tarde desta terça-feira (3).

O cheque em questão foi assinado por Rafael Yamada Torres, sócio da Santos Treinamento, empresa investigada sob suspeita de integrar o esquema, e entregue a Valdemir Leite da Silva, assessor parlamentar do deputado.

“Não quero ser julgado a respeito desse cheque que não tomei conhecimento, não veio na minha mão”, disse Romoaldo, antes de prestar o depoimento.

Esses 10 cheques ele passou para o senhor Antônio Barbosa, irmão do governador Silval Barbosa

Em março, à Delegacia Fazendária, Silva disse não se lembrar do valor e da data em que o cheque foi compensado, mas admitiu que costumava trocar cheques a pedido de RomoaldoO assessor pediu à agência bancária cópia das imagens realizadas pelas câmeras de segurança para se “recordar” do dia.

“Ele [Valdemir] pediu a microfilmagem para ele se recordar de onde surgiu, porque é um valor considerável. Acho que um valor desse você tem que ter até previsão para sacar. Mas ele falou: ‘Faz cinco anos, não me recordo realmente’”, disse o parlamentar.

Quanto a este fato, Romoaldo disse que procurou o empresário Rafael Torres para esclarecer o ocorrido e ele negou que o cheque tenha sido endereçado a ele.

De acordo com o deputado, o empresário disse que o beneficiário seria o irmão do ex-governador Silval Barbosa, Antônio Barbosa, que também é delator do esquema.

“Procurei o emitente do cheque. Ele tem um lote de 10 cheques, e esses cheques estão nesse lote. E esses 10 cheques ele passou para o senhor Antônio Barbosa, irmão do governador Silval Barbosa”, disse ele.

Romoaldo acredita que o Gaeco deve chamar o irmão do ex-governador para apurar o caso. À imprensa, o deputado ainda apresentou uma procuração datada de dezembro de 2016 na qual ele autoriza seu assessor a movimentar sua conta.

Mais investigados

No mês passado, o desembargador José Zuquim Nogueira, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), autorizou a extensão das investigações da Operação Bereré em relação a mais cinco deputados estaduais.

Assim, Romoaldo Júnior, José Domingos Fraga (PSD), Wilson Santos (PSDB), Ondanir Bortolini, o “Nininho” (PSD) e Baiano Filho (PSDB) passaram a ser alvos da operação.

Já eram investigados os deputados Eduardo Botelho e Mauro Savi, ambos do PSB, e o ex-deputado federal Pedro Henry. Também foram alvos da operação os sócios e ex-sócios da Santos Treinamento e da EIG Mercados. 

A operação

A operação Bereré foi desencadeada em fevereiro com o cumprimento de mandados de busca e apreensão na Assembleia Legislativa, em imóveis e escritórios, além da sede da empresa em Brasília.

Foram alvos da operação o presidente da Assembleia Legislativa, Eduardo Botelho (PSB), o deputado estadual Mauro Savi (PSB), o ex-deputado federal Pedro Henry, servidores públicos, empresas e particulares.

A operação é desdobramento da delação premiada do ex-presidente do Detran, Teodoro Moreira Lopes, o "Dóia". Ele revelou esquemas de corrupção na autarquia, iniciados em 2009, e que renderia, ao menos, R$ 1 milhão por mês.

Também contribuíram para a investigação os depoimentos do ex-governador Silval Barbosa e de seu irmão Antonio Barbosa, delatores da Operação Malebolge, que confessaram ter participado do esquema no Detran.

As empresas FDL Serviços de Registro, Cadastro, Informatização e Certificação Ltda (que agora usa o nome de EIG Mercados Ltda.) e a Santos Treinamento Ltda teriam sido usadas para lavar dinheiro no esquema.

A EIG Mercados venceu uma licitação, em 2009, para prestar serviços de registro de financiamentos de contratos de veículos, por um período de vinte anos.

Até julho de 2015, a empresa ficava com 90% da arrecadação anual - estimada em R$ 25 milhões - e o órgão com 10%. Em julho de 2015, já na gestão Pedro Taques (PSDB), o Detran fez um termo aditivo ao contrato, passando a receber 50% da arrecadação.

Conforme as investigações, parte dos valores milionários pagos pelo Detran à FDL eram repassados para a empresa Santos Treinamento, que seria de fachada e atuaria apenas para “lavar” e distribuir a propina aos políticos. Dezenas de servidores e parentes de servidores do Poder Legislativo também teriam sido usados para lavar o dinheiro arrecadado por meio do esquema criminoso.

Leia mais sobre o assunto

Desembargador manda investigar mais 5 deputados na Bereré


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