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31.03.2018 | 08h00
Marqueteiro diz que cheques de deputado pagaram despesas de WS
Depoimento de Antero embasou pedido de investigação do MPE contra Wilson Santos
MidiaNews
O marqueteiro Antero Paes de Barros, que prestou serviços na campanha de WS
LUCAS RODRIGUES
DA REDAÇÃO

O ex-senador e marqueteiro Antero Paes de Barros afirmou que os quatro cheques que sua empresa recebeu em 2010 do então empreiteiro e atual presidente da Assembleia, Eduardo Botelho (PSB), totalizando R$ 19,6 mil, foram a título de pagamento de serviços de campanha ao à época candidato ao Governo, Wilson Santos (PSDB), atual secretário de Estado de Cidades.

A informação consta em depoimento prestado à Delegacia Fazendária (Defaz) no dia 23 de fevereiro, poucos dias após a deflagração da Operação Bereré. A oitiva embasou a decisão do desembargador José Zuquim em autorizar uma investigação contra Wilson.

Segundo as investigações, parte dos valores repassados pelas financeiras à EIG Mercados por conta do contrato com o Detran retornava como propina a políticos, dinheiro esse que era “lavado” pela Santos Treinamento – parceira da EIG no contrato - e por servidores da Assembleia, parentes e amigos dos investigados.

Na época da emissão dos cheques a Antero, Botelho era sócio da Santos Treinamento, motivo pelo qual o ex-senador foi convocado a depor para explicar a origem dos valores recebidos.

Os cheques foram entregues por Elias Pereira dos Santos Filho e depositados na conta corrente da empresa no mesmo dia

Entregues por Elias

De acordo com Antero, os cheques emitidos em outubro de 2010 por Botelho para a sua empresa Antecipar Consultoria e Comunicação Ltda foram entregues por Elias Santos, secretário-geral da Assembleia e irmão de Wilson Santos, “decorrente de serviços prestados pela empresa para a campanha de Wilson Santos, sendo que todas essas tratativas foram feitas pelo seu sócio Mauro Peixoto Camargo”.

Elias Santos, inclusive, também é citado na investigação da Bereré por ter recebido 14 cheques de Botelho, totalizando R$ 60,7 mil. O MPE suspeita que ele teria “lavado” dinheiro em favor de Botelho.

“Os cheques foram entregues por Elias Pereira dos Santos Filho e depositados na conta corrente da empresa no mesmo dia, 21/1 0/2010, sendo que eu desconhecia que a origem dos cheques era do empresário José Eduardo Botelho, até porque quem recebeu os cheques foi o meu sócio Mauro Peixoto Camargo”, disse Antero.

Para comprovar a versão, Antero entregou vários documentos à Defaz, entre eles o contrato de prestação de serviço firmado entre a sua empresa e o PSDB (datado de 08 de julho de 2010) e as notas fiscais dos pagamentos realizados no âmbito do contrato.

Antero também disponibilizou às autoridades a cópia do recibo em que consta que Elias Santos pagou os R$ 19,6 mil a Mauro Camargo pelos serviços prestados, assim como cópia do extrato

Do depósito dos cheques referente ao contrato de Wilson Santos na conta da sua empresa Antecipar Consultoria.

“Quero deixar consignado que entrega a esta autoridade um documento da Justiça Eleitoral comprovando que fui candidato ao Senado da República na eleição de 2010 e por este motivo estava afastado da minha empresa, razão pela qual quem prestou o serviço da Assessoria e Responsável pelo contrato foi o sócio Mauro Peixoto Camargo”, explicou.

Outro lado

O secretário Wilson Santos não atendeu nem retornou as ligações feitas ao seu telefone celular.

Veja fac-símile de trecho do depoimento:

print depoimento antero

 

A operação

A operação Bereré foi desencadeada em fevereiro com o cumprimento de mandados de busca e apreensão na Assembleia Legislativa, em imóveis e escritórios, além da sede da empresa em Brasília.

Foram alvos da operação o presidente da Assembleia Legislativa, Eduardo Botelho (PSB), o deputado estadual Mauro Savi (PSB), o ex-deputado federal Pedro Henry, servidores públicos, empresas e particulares.

A operação é desdobramento da delação premiada do ex-presidente do Detran, Teodoro Moreira Lopes, o "Dóia". Ele revelou esquemas de corrupção na autarquia, iniciados em 2009, e que renderia, ao menos, R$ 1 milhão por mês.

Também contribuíram para a investigação os depoimentos do ex-governador Silval Barbosa e de seu irmão Antonio Barbosa, delatores da Operação Malebolge, que confessaram ter participado do esquema no Detran.

As empresas FDL Serviços de Registro, Cadastro, Informatização e Certificação Ltda (que agora usa o nome de EIG Mercados Ltda.) e a Santos Treinamento Ltda teriam sido usadas para lavar dinheiro no esquema.

A EIG Mercados venceu uma licitação, em 2009, para prestar serviços de registro de financiamentos de contratos de veículos, por um período de vinte anos.

Até julho de 2015, a empresa ficava com 90% da arrecadação anual - estimada em R$ 25 milhões - e o órgão com 10%. Em julho de 2015, já na gestão Pedro Taques (PSDB), o Detran fez um termo aditivo ao contrato, passando a receber 50% da arrecadação.

Conforme as investigações, parte dos valores milionários pagos pelo Detran à FDL eram repassados para a empresa Santos Treinamento, que seria de fachada e atuaria apenas para “lavar” e distribuir a propina aos políticos. Dezenas de servidores e parentes de servidores do Poder Legislativo também teriam sido usados para lavar o dinheiro arrecadado por meio do esquema criminoso.

Leia mais sobre o assunto:

Secretário da Assembleia recebeu 14 cheques de Botelho, diz MPE


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