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J. Estadual / RECUPERAÇÃO JUDICIAL

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07.02.2018 | 17h01
Empresa de fertilizantes de MT declara dívidas de R$ 47 milhões
Grupo Fertimig, com sede em Rondonópolis, apresentou plano de recuperação à Justiça
Reprodução
O juiz Renan Nascimento, que determinou intimação dos credores do grupo
LUCAS RODRIGUES
DA REDAÇÃO

O Grupo Fertimig, de Rondonópolis, formado pelas empresas Fertimig Fertilizantes Ltda e AMW Agropecuária Ltda, declarou à Justiça um total de R$ 47 milhões em dívidas com credores.

A informação consta no plano de recuperação judicial apresentado pelo grupo ao juiz Renan Nascimento, da 4ª Vara Cível de Rondonópolis. O grupo do ramo de fertilizantes entrou em recuperação em setembro do ano passado.

O magistrado determinou que as empresas credoras sejam intimadas para informar se concordam ou não com os valores apresentados pelo grupo.

Conforme a lista, as maiores dívidas são com os bancos, para qual o grupo deve mais de R$ 31 milhões, sendo R$ 7 milhões ao Banco do Brasil, R$ 13,2 milhões ao HSBC (adquirido pelo Bradesco), R$ 3,9 milhões ao Banco da Amazônia e R$ 6,8 milhões ao Santander.

“Faz saber aos que do presente edital tomarem conhecimento que foi apresentado e recebido por este juízo, através de decisão proferida no dia 19/12/2017, id. 11200381 o plano de recuperação judicial das Recuperandas acima indicadas, apresentado no id. 11028921 e seguintes, nos autos acima especificados, cujo prazo para apresentação de objeção é de 30 dias, conforme disposto no caput do artigo 55 da Lei 11.101/2005, bem como, foi apresentada a lista de credores pelo administrador judicial neste juízo, no id. 11202739 e seguintes, na forma do Art. 7º, § 2º, da Lei 11.101/2005, cujo prazo para impugnação é de 10 dias”, intimou o juiz.

Após alongamento de algumas operações, em 2016 veio a segunda inadimplência de seus recebíveis, todas as projeções de recebimentos dos U$ 28 milhões de dólares não aconteceram

De acordo com a ação, o Grupo Fertimig foi formado em 2003 por ex-sócios do Grupo André Maggi: Antonio Miguel Santos e Eva Terezinha Santos, que já atuavam há 21 anos no mercado de fertilizantes.

A partir de 2013, com a facilidade das linhas de créditos de investimentos do Governo Federal, os sócios iniciaram um projeto de expansão com a construção de mais 10 unidades, mas a previsão não saiu como era esperada.

“O projeto do 1° armazém, localizado na Cidade de Itanhangá-MT, previa 100% de financiamento pelo BNDES, porém a linha de crédito depois de aprovada e o armazém pronto, disponibilizou somente 60% do custo do projeto, tendo como justificativa a redução da linha de crédito”.

Desta forma, o grupo teve que bancar 40% do custo do projeto com recursos próprio e, a partir de 2014, passou a buscar empréstimos em bancos para compensar o desfalque.

“Além disso de 2013 até 2016 sofreu com os custos elevados e a queda de sua margem líquida, que saiu de 6,13% em 2013 para 1,1% em 2015, em comparação com as margens do setor de fertilizantes, que saiu de 6,30% para 2,5% em 2015”.

Outro fator que pesou na crise, segundo o grupo, foi que a partir de 2014 houve inadimplência de alguns clientes e, em 2015, “quando teve seu melhor ano em faturamento, sofreu com sua pior inadimplência devido a vários fatores, como o desajuste cambial”.

O grupo tentou se reestruturar em 2015 com a criação da AMW Agropecuária Ltda., empresa para exploração das atividades agropecuária e de silvicultura (eucalipto).

Todavia, a sequência do projeto ficou comprometida, pois não havia captação de recursos financeiros liberados para a exploração agropecuária e silvicultura.

“Após identificado todos os pontos críticos de crise financeira, como quebra de safra, maior inadimplência de sua história, alta do dólar, queda das margens, atrasos e falta de repasse do BNDES dos armazéns construídos, retração de crédito e as taxas elevadas de juros, o Grupo Fertimig junto com seu corpo técnico, efetuou um plano de negócios com objetivo para manter a todos sua história e legado de credibilidade”.

No final de 2015, o grupo então propôs um alongamento bancário de cinco anos, com um plano de pagamento aos fornecedores, “com objetivo de honrar todos seus compromissos, como sempre fez”.

“Após alongamento de algumas operações, em 2016 veio a segunda inadimplência de seus recebíveis, todas as projeções de recebimentos dos U$ 28 milhões de dólares não aconteceram, muitos clientes devido à crise financeira renegociaram suas dívidas e alongaram as mesmas para quatro anos, pois era a única maneira de receber essas contas, elevando assim o índice de inadimplência que era de 11% em 2015 para 69% em 2016”.

Somado a isso, conforme o grupo, cinco das empresas que devem para a Fertimig estão em recuperação judicial e, por isso, as cobranças tiveram que ser suspensas.

“O Grupo Fertimig foi obrigado a efetuar a venda das 2 unidades armazenadoras de grãos para honrar suas obrigações. O Grupo entende que, através da Recuperação Judicial poderá negociar o passivo junto aos fornecedores, reduzir o pagamento de juros abusivos, voltar a crescer, manter os empregos existentes e gerar vagas de trabalho”, diz trecho da ação.


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