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J. Estadual / FRAUDE EM VERBA DA AL

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30.01.2018 | 16h01
"Delatores me envolveram por desespero", afirma ex-procurador
Alexandre Nery é acusado de ser "braço jurídico" do grupo liderado pelo ex-deputado José Riva
Alair Ribeiro/MidiaNews
O advogado Alexandre Nery durante interrogatório na 7ª Vara Criminal
THAIZA ASSUNÇÃO E LUCAS RODRIGUES
DA REDAÇÃO

O advogado Alexandre de Sandro Nery Ferreira, acusado pelo Ministério Público Estadual (MPE) de ser o “braço jurídico” do grupo acusado de desviar R$ 1,7 milhão da Assembleia Legislativa, entre os anos de 2010 e 2014, negou a acusação e disse que delatores envolveram seu nome no caso "por desespero"

A declaração foi dada na tarde desta terça-feira (30) durante interrogatório na 7º Vara Criminal, em Cuiabá. A audiência é conduzida pela juíza Selma Arruda.

O caso é investigado na Operação Metástase/Célula-Mãe. Além de Nery, MPE também denunciou o ex-deputado estadual José Riva – apontado como líder do suposto esquema criminoso – os ex-servidores da Assembleia Legislativa e ex-chefes de gabinete do ex-parlamentar, Geraldo Lauro e Maria Helena Caramelo; e os delatores Hilton Carlos da Costa Campos e Marisol Castro Sodré.

“Em relação à minha pessoa, a denúncia é falsa. Eu fui professor do ex-deputado José Riva e em 2002 ele convidou para ser procurador-geral da Assembleia. Fiquei um ano e 10 meses, depois atuei junto à Presidência”, disse.

Estes autos me causam profundo dissabor, pois atacam minha profissão dizendo que eu fiz uma coisa que pra mim é nojenta, que é pegar meu ofício para crimes. Mas com isso hoje eu percebo quem são meus amigos

“Desempenhei uma série de funções nesse cargo, atendendo pessoal, deputados, lideranças. Durante todos esses anos, conheci algumas pessoas que viraram meus amigos. Também exerci a advocacia para algumas dessas pessoas, em alguns casos sem cobrar”, afirmou.

Os supostos desvios teriam ocorrido por meio de despesas fictícias para justificar os gastos com as “verbas de suprimento”, que eram recebidas no gabinete do então deputado Riva.

De acordo com o MPE, Nery foi um dos advogados disponibilizados pelo ex-deputado aos servidores envolvidos no alegado esquema.

A ideia, segundo o Ministério Público, era que o profissional blindasse Riva das investigações promovidas pelos promotores de justiça.

“Nunca fiz nada a mando de Riva, Maria Caramelo, Geraldo Lauro. Quem me conhece da Assembleia sabe que meu relacionamento com ela [Maria Caramelo] não era bom. O Geraldo Lauro é meu cliente da [operação] Arca de Noé. Todo meu patrimônio é declarado”, disse.

“Estes autos me causam profundo dissabor, pois atacam minha profissão dizendo que eu fiz uma coisa que pra mim é nojenta, que é pegar meu ofício para crimes. Mas com isso hoje eu percebo quem são meus amigos”, disse.

Verbas eram fiscalizadas (atualizada às 15h)

O advogado afirmou que as "verbas de suprimento" eram utilizadas antes de ele entrar na Assembleia. Segundo ele, o dinheiro passava por auditoria externa e interna.

“Essa questão do suprimento era utilizada antes de eu entrar na Assembleia e continuou sendo usado depois. Ninguém nunca me convidou para participar de organização criminosa. Se aconteceu, foi sem meu conhecimento. O que eu fiz foi ajudar amigos que tenho há 20 anos, advogando", disse.

“Nunca vislumbramos que seria algo de natureza penal, porque de 2000 a 2014 sempre houve auditoria externa e interna dessa verba. Passava pelo controle da Assembleia, do MPE e TCE. Eu não utilizava a verba. Em nenhum momento sequer imaginei que havia irregularidades na prestação dessas contas. Os funcionários também não sabiam. A prestação de contas era feito pelo financeiro”, competou. 

Suposta ameaça a servidores (atualizada às 15h15)

A juíza Selma Arruda questiona o advogado sobre o suposto fato de ele ter coagido a servidora do Legislativo e delatora do caso, Marisol Castro Sodré, a negar fatos durante o trajeto da Assembleia até o Ministério Público.

“Realmente ela foi de carona comigo. Eu orientei que se ela tivesse alguma dúvida, dissesse que não sabia. Porque ela não poderia responder algo que não tivesse certeza apenas para satisfazer o promotor. Em momento algum disse para ela se esquecer de algo que tinha acontecido”, afirmou.

“Existe uma cultura de preocupação quando se vai prestar esses depoimentos. Eles [servidores] são uns coitados, não fizeram nada de errado”, disse.

A magistrada também pergunta sobre o fato do advogado ter supostamente agredido o servidor Abemael Costa Melo, réu na ação penal, e o ameaçado de mandar embora caso não colaborasse. Alexandre Nery, por sua vez, negou. 

Delatores acusam advogado (atualizada às 15h25)

Selma Arruda diz que pelo menos três servidores acusam advogado pelo esquema. Pergunta por qual motivo essas pessoas faziam acusações. 

“Em relação a Marisol e Hilton [Carlos da Costa Campos], acredito que houve pressão do Ministério Público para me envolver, por desespero dessas pessoas. A Marisol conta uma história estapafúrdia e fantasiosa”, disse.

“Eu só tentei dar pra ela o melhor do meu profissional para que ela fosse defendida. Mas ela nunca me disse que recebia dinheiro por fora. Ela se desesperou e acabou cedendo porque fez essa colaboração. E se tiver que jogar para qualquer pessoa, ela vai fazer", afirmou.

Promotor de Justiça Rodrigo Araújo pergunta se o advogado teve problemas pessoais com outros réus antes do caso. Ele negou.

O interrogatório foi encerrado às 15h40. 


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