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J. Estadual / EXECUÇÃO DE PREFEITO

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04.01.2018 | 11h11
Juiz: médica atrapalhou investigação e intimidou testemunhas
Esvandir Antonio Mendes, de 61 anos, foi assassinado a tiros no último dia 15 de dezembro
Divulgação
A médica Yana Alvarenga (no detalhe) é acusada de mandar matar Esvandir Mendes
THAIZA ASSUNÇÃO
DA REDAÇÃO

A médica Yana Fois Coelho Alvarenga, acusada de ser uma das mandantes do assassinato do prefeito de Colniza (1.065 km a Noroeste de Cuiabá), Esvandir Antonio Mendes, intimidou testemunhas para atrapalhar a investigação do caso.

A informação consta na decisão do juiz Ricardo Nicolino de Castro, da Comarca de Porto dos Gaúchos (a 644 km de Cuiabá), que acatou a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) contra ela, seu marido, o empresário Antônio Pereira Rodrigues, e os supostos executores do crime, Zenilton Xavier de Almeida e Welison Brito Silva.

Antônio, Zenilton e Welison foram presos um dia após o assassinato. Já Yana, foi pega nove dias depois. Ela está reclusa no presídio feminino Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. 

Ademais, mesmo ciente da investigação policial, a todo tempo a denunciada Yana demostrou intenção de atrapalhar a coleta de outras provas

“Ademais, mesmo ciente da investigação policial, a todo tempo a denunciada Yana demostrou intenção de atrapalhar a coleta de outras provas, nunca sendo demais lembrar que a denunciada pertence à família de grande poder econômico e notoriedade na cidade que goza de grande prestígio social, o que, não raramente, serve de meio intimidatório para a colheita de provas, em especial a testemunhal, ainda mais em uma comunidade tão simples como a cidade de Colniza”, diz trecho do documento.

O magistrado ainda afirmou que a médica teve "papel central" na ação criminosa. Foi ela, segundo o juiz, quem apresentou os supostos executores ao marido e ainda ajudou na fuga. Zenilton e Welison teriam recebido R$ 5 mil cada, para executar o prefeito.

Na mesma decisão, o magistrado  também converteu a prisão temporária de Yana em preventiva, pois,  conforme ele, em liberdade, "há fundado receio de que possa interferir na coleta de prova judicial". 

“Com efeito, infere-se dos elementos colacionados que a representada Yana teve papel relevante e central na empreitada criminosa, dando todo o suporte necessário para a prática do crime de homicídio do então prefeito de Colniza pelos demais denunciados, demostrando menosprezo à vida humana, evidenciando, portanto, comportamento divorciado do que se espera de quem vive em sociedade”, descreveu.

“E, no caso da denunciada Yana, é certo que as informações até agora coletadas dão conta de que providenciou não só a fuga dos executores, como também fez toda a ponte necessária para que seu companheiro [Antônio] conhecesse os executores e realizassem as diligências necessárias para que os fatos ocorressem da forma como ocorreram”, pontuou.

O crime

Esvandir Mendes conduzia uma Toyota SW4, quando foi interceptado pelos criminosos, que estavam em um veículo SUV preto, a cerca de sete quilômetros da entrada de Colniza.

O veículo foi ao encontro da caminhonete do prefeito e vários disparos foram feitos contra ele, que ainda conseguiu dirigir, mas morreu no perímetro urbano da cidade. 

Outros dois disparos feriram o secretário, sendo um na perna esquerda e outro nas costas. A esposa e o genro de Mendes saíram ilesos. 

Antônio Pereira Rodrigues Neto, Zenilton Xavier de Almeida e Welisson Brito Silva foram presos, em uma estrada entre Juruena e Castanheira (880 e 735 km a Noroeste da Capital, respectivamente), 12 horas após o crime.

Eles estavam em um Fiat Uno cinza, quando foram abordados por uma viatura da Polícia Civil.

Dentro do automóvel, foram apreendidos R$ 60 mil em dinheiro. O montante estava em pacotes do Banco do Brasil.

Durante as investigações, a Polícia descobriu a participação de Yana no crime. Ela foi detida no dia 24 de dezembro. Junto com a médica, a Polícia ainda apreendeu um adolescente de 15 anos, irmão de Antônio, que também teria participado da trama, mas não foi denunciado por ser menor.

Os quatro acusados vão responder pelos crimes de homicídio qualificado - por motivo torpe, promessa de recompensa e recurso que impossibilitou a defesa da vítima -, homicídio tentando, corrupção de menores, entrega de veículo automotor a pessoa não habilitada e receptação de arma de fogo produto de furto.

Leia mais: 

Juiz acata ação e mantém prisão de empresário, médica e mais 2


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