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J. Estadual / GRAMPOS EM MT

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28.10.2017 | 17h20
“Grupo criou o tempo inteiro mecanismo para obstruir investigação”
Delegada Ana Cristina Feldner diz que foi difícil apurar o crime de grampos por si só
Alair Ribeiro/MidiaNews
A delegada Ana Cristina Feldner, que conduziu investigação dos grampos
THAIZA ASSUNÇÃO
DA REDAÇÃO

A delegada Ana Cristina Feldner afirmou que o grupo preso, acusado de grampear ilegalmente diversas pessoas em Mato Grosso, tentou o “tempo inteiro” criar mecanismos para obstruir (sinônimo de atrapalhar) a investigação do caso.

Entre os suspeitos do esquema estão ex-secretários de Estado do atual Governo e coronéis da Polícia Militar.

A delegada citou que, desde que assumiu a investigação, em julho deste ano, até o momento em que foi notificada da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que avocou todos os procedimentos relacionados aos grampos, passou mais tempo gastando energia para “desviar, elucidar e eliminar” as obstruções do que propriamente apurando o crime de escutas ilegais.

“Não há a menor dúvida de que havia uma organização criminosa, e ela não parou de operar após as primeiras prisões, em maio deste ano. Os grampos começaram em 2014, na campanha para o Governo do Estado, onde o segundo e o terceiro candidatos apontados pelas pesquisas foram interceptados. O do primeiro lugar não foi. E ali já foram feitas coisas aberrantes, como o aluguel de uma sala particular com um sistema de captação clandestino operados por policiais militares. Coisas que, por si só, já são absurdas, já beiram o inaceitável”, disse.

Eu distendi muitos mais esforços desviando, elucidando e eliminando as obstruções do que propriamente aprofundar nas investigação dos grampos, porque esse sistema de ataque as investigações perpetuaram muito

“E, então, é feita uma denúncia desse esquema pelo então secretário de Segurança, Mauro Zaque. Mas, ao invés de tomar providências, o que se faz? Fraudam o protocolo de denúncia. E, na sequência, muito mais obstruções. Foi difícil a gente investigar a grampolândia em si, tamanha as obstruções que foram criadas. Foi o tempo inteiro.  Eu distendi muitos mais esforços desviando, elucidando e eliminando as obstruções do que propriamente aprofundar nas investigação dos grampos, porque esse sistema de ataque as investigações perpetuaram muito”, afirmou.

Ana Cristina Feldner citou como exemplo o fato de o grupo bolar um plano para gravar o desembargador Orlando Perri, que, até então, conduzia os inquéritos sobre grampos, a fim de colocá-lo sob suspeição. 

O esquema foi desbaratado na Operação Esdras, deflagrada no dia 27 de setembro. Na ocasião, foram presos os então secretários de Segurança Pública, Rogers Jarbas, e de Justiça e Direitos Humanos, Airton Siqueira - já exonerados -, os ex-secretários Paulo Taques (Casa Civil) e Evandro Lesco (Casa Militar). 

Tiveram a prisão decretada ainda a personal trainer Helen Christy Carvalho Dias Lesco, esposa de Lesco; o major PM Michel Ferronato; o sargento PM João Ricardo Soler; e o empresário José Marilson da Silva.

“O que aconteceu foi realmente um verdadeiro atentando à democracia, à Justiça, algo inaceitável. O esforço que nos fizemos para coibir esse fato poderia já estar sendo aplicado na investigação dos grampos”, afirmou a delegada.

Apesar das obstruções, Ana Cristina Feldner garantiu que o grupo não conseguiu impedir as investigações.

Afirmou que, caso a Polícia Civil tivesse mais 24 horas à frente do caso, poderia avançar ou, até mesmo, chegar a um desfecho. 

Desde o último dia 16, no entanto, as investigações, diligências e depoimentos são realizados sob a tutela do STJ. 

A delegada disse, porém, não acreditar que a investigação fique comprometida. Ela considerou a decisão do ministro, que acatou um pedido do governador Pedro Taques (PSDB), como algo natural. Como o chefe do Executivo tem foro especial por prerrogativa de função, ele deve ser investigado pelo STJ.

“Eu acredito que onde quer que esteja existe a possibilidade de um bom êxito. Apenas a doutrina policial nos diz que, quanto mais próximo do local do fato, do distrito da culpa, é mais fácil você colher informações. Só que não é pelo fato de estar em Brasília que irá impedir, mas pode atrasar, isso é a lógica”, afirmou. 

Escutas ilegais

A denúncia sobre a rede de grampos foi feita no início deste ano, ao Ministério Público Federal (MPF), pelo promotor Mauro Zaque, ex-secretário de Estado de Segurança Pública. 

Zaque disse que recebeu uma denúncia anônima, com documentos, que evidenciariam a prática ilegal.

Segundo ele, a denúncia foi levada ao conhecimento a Pedro Taques, em setembro de 2015. O governador, por sua vez, negou ter conhecimento do caso e entrou com um processo contra o promotor.

O esquema funcionaria por meio da chamada "barriga de aluguel", quando números de telefones de cidadãos comuns, sem conexão com uma investigação, são inseridos em um pedido de quebra de sigilo telefônico à Justiça.

No caso da denúncia, teria sido usado um inquérito que investigava uma quadrilha de traficantes de cocaína.

Ao pedir a quebra dos sigilos telefônicos dos supostos membros da quadrilha, teriam sido inseridos, ilegalmente, na lista encaminhada à Justiça, os telefones que interessariam ao grupo monitorar.

A decisão que autorizou as escutas contra a quadrilha seria da Comarca de Cáceres (225 km a Oeste de Cuiabá).

Entre os grampeados estariam a deputada Janaina Riva (PMDB); o advogado José do Patrocínio; o desembargador aposentado José Ferreira Leite; os médicos Sergio Dezanetti, Luciano Florisbelo da Silva, Paullineli Fraga Martins, Hélio Ferreira de Lima Júnior e Hugo Miguel Viegas Coelho.

Em setembro, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso recebeu a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE)  contra cinco militares acusados de operar um esquema de interceptação telefônica clandestina no Estado.

Com a determinação, passaram a ser réus: o ex-comandante da Polícia Militar, coronel Zaqueu Barbosa; os coronéis Evandro Alexandre Lesco e Ronelson Barros, ex-chefe e ex-adjunto da Casa Militar, respectivamente; o coronel Januário Batista e o cabo Gerson Correa Junior. Todos presos. 

Esdras

As investigações sobre os grampos tiveram desdobramentos com a operação Esdras, desencadeada para prender um grupo que tramava obter a suspeição de Perri na investigação sobre as escutas ilegais.

Foram presos os então secretários de Segurança Pública, Rogers Jarbas e de Justiça e Direitos Humanos, Airton Siqueira - já exonerados -, os ex-secretários Paulo Taques e Evandro Lesco. 

Tiveram a prisão decretada ainda a personal trainer Helen Christy Carvalho Dias Lesco, esposa de Lesco; o major Michel Ferronato; o sargento João Ricardo Soler e o empresário José Marilson da Silva.

Este último já obteve liberdade, em razão de estar colaborando com as investigações.

O nome da operação é uma referência ao personagem Esdras ("Aquele que ajuda, Ajudador, Auxiliador"), da tradição judaico-cristã. Ele liderou o segundo grupo de retorno de israelitas que retornaram de Babilónia em 457 a.C. . Descendente de Arão, o primeiro Sumo Sacerdote de Israel, Esdras era escriba (copista da lei de Moisés) entendido na lei de Moisés. 

Leia mais: 

Caso poderia ter sido esclarecido com mais 24h, diz delegada

STJ acolhe pedido de Taques e tira investigação das mãos de Perri


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