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J. Estadual / SISTEMA SENTINELA

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29.10.2017 | 11h42
Cabo diz que Lesco deu R$ 57 mil para comprar equipamento
Gérson Correa revelou que dinheiro foi repassado para empresário em duas parcelas
Alair Ribeiro/MidiaNews
O ex-secretário chefe da Casa Civil, coronel PM Evandro Lesco está preso desde o dia 27 de setembro
THAIZA ASSUNÇÃO
DA REDAÇÃO

O cabo da PM Gerson Correa, réu na ação penal que apura esquema de escutas ilegais operado em Mato Grosso, afirmou que o ex-secretário chefe da Casa Militar, coronel PM Evandro Lesco, teria pago R$ 57 mil no Sistema Sentinela, software que realizava a “grampolândia pantaneira".

A afirmação foi feita em interrogatório prestado no último dia 16 aos delegados Flávio Henrique Stringueta e Ana Cristina Feldner, até então responsáveis pelas investigações dos grampos. O caso agora está sob tutela do ministro Mauro Campbell Marques, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) .

O cabo, considerado peça-chave no caso, está preso desde maio e resolveu delatar o esquema e colaborar com as investigações. Já Lesco está preso desde o dia 27 de setembro, n Rotam, acusado de ser um dos "protagonistas" do grupo criminoso que operava as interceptações clandestinas. 

Segundo o policial, o dinheiro foi repassado em duas parcelas para o empresário José Marilson, ex-sócio-proprietário da Empresa Simples IP que foi responsável pelo desenvolvimento do Sistema Sentinela. Marilson também chegou a ser preso no dia 27, mas foi soltou dois dias depois. 

Esses R$ 24 mil ele pagou em cheque, cuja destinação foi de imediata para o seu Marilson, em abril

A primeira parcela foi repassada no valor de R$ 24 mil em abril de 2015 e a outra, no valor de R$ 33 mil, em maio daquele ano.

“Esses R$ 24 mil ele pagou em cheque, cuja destinação foi imediata para o seu Marilson, em abril”, disse.

“Houve outro compromisso financeiro também para o mês de maio e também foi arcado pelo coronel Lesco. Ele me passou o montante, R$ 33 mil, eu depositei na minha conta e repassei para o Marilson via transferência bancária”, completou.

No mesmo interrogatório, o cabo já havia revelado que o ex-secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, teria repassado R$ 50 mil para Lesco bancar despesas da chamada “grampolândia”,

A compra equipamento, porém, conforme Gérson Correa foi arcado sozinho por Lesco.

“Parece-me que houve uma promessa de repor esse dinheiro, mas não foi coberto né”, pontuou.

Veja vídeo: 

Escutas ilegais

A denúncia sobre a rede de grampos foi feita no início deste ano, ao Ministério Público Federal (MPF), pelo promotor Mauro Zaque, ex-secretário de Estado de Segurança Pública. 

Zaque disse que recebeu uma denúncia anônima, com documentos, que evidenciavam a prática ilegal.

Segundo ele, a denúncia foi levada ao conhecimento a Pedro Taques, em setembro de 2015. O governador, por sua vez, negou ter conhecimento do caso e entrou com um processo contra o promotor.

O esquema funcionaria por meio da chamada "barriga de aluguel", quando números de telefones de cidadãos comuns, sem conexão com uma investigação, são inseridos em um pedido de quebra de sigilo telefônico à Justiça.

No caso da denúncia, teria sido usado um inquérito que investigava uma quadrilha de traficantes de cocaína.

Ao pedir a quebra dos sigilos telefônicos dos supostos membros da quadrilha, teriam sido inseridos, ilegalmente, na lista encaminhada à Justiça, os telefones que interessariam ao grupo monitorar.

A decisão que autorizou as escutas contra a quadrilha seria da Comarca de Cáceres (225 km a Oeste de Cuiabá).

Entre os grampeados estariam a deputada Janaina Riva (PMDB); o advogado José do Patrocínio; o desembargador aposentado José Ferreira Leite; os médicos Sergio Dezanetti, Luciano Florisbelo da Silva, Paullineli Fraga Martins, Hélio Ferreira de Lima Júnior e Hugo Miguel Viegas Coelho.

Em setembro, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso recebeu a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE)  contra cinco militares acusados de operar um esquema de interceptação telefônica clandestina no Estado.

Com a determinação, passaram a ser réus: o ex-comandante da Polícia Militar, coronel Zaqueu Barbosa; os coronéis Evandro Alexandre Lesco e Ronelson Barros, ex-chefe e ex-adjunto da Casa Militar, respectivamente; o coronel Januário Batista e o cabo Gerson Correa Junior. Todos presos. 

Esdras

As investigações sobre os grampos tiveram desdobramentos com a operação Esdras, desencadeada para prender um grupo que tramava obter a suspeição de Perri na investigação sobre as escutas ilegais.

Foram presos os então secretários de Segurança Pública, Rogers Jarbas e de Justiça e Direitos Humanos, Airton Siqueira - já exonerados -, os ex-secretários Paulo Taques e Evandro Lesco. 

Tiveram a prisão decretada ainda a personal trainer Helen Christy Carvalho Dias Lesco, esposa de Lesco; o major Michel Ferronato; o sargento João Ricardo Soler e o empresário José Marilson da Silva.

Este último já obteve liberdade, em razão de estar colaborando com as investigações.

O nome da operação é uma referência ao personagem Esdras ("Aquele que ajuda, Ajudador, Auxiliador"), da tradição judaico-cristã. Ele liderou o segundo grupo de retorno de israelitas que retornaram de Babilónia em 457 a.C. . Descendente de Arão, o primeiro Sumo Sacerdote de Israel, Esdras era escriba (copista da lei de Moisés) entendido na lei de Moisés. 

Leia mais: 

Cabo diz que Paulo deu R$ 50 mil para despesas com grampos


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