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J. Estadual / DELEGADO REVELA

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27.10.2017 | 14h32
Marido de juíza foi grampeado por “aparente interesse político”
Flavio Stringueta citou que esposa de militar atuou na Justiça Eleitoral durante eleição de 2014
Alair Ribeiro/MidiaNews/Montagem
Delegado Flávio Stringueta suspeita dos motivos de Alexandre Mendes (no detalhe) ter sido grampeado
LUCAS RODRIGUES
DA REDAÇÃO

O delegado Flávio Stringueta, que atuou nas investigações sobre o esquema de interceptações ilegais no Estado, afirmou que houve “aparente interesse político-eleitoral-partidário” no fato de o ex-corregedor-geral da Polícia Militar, coronel Alexandre Correa Mendes, ter sido “grampeado” de forma clandestina em 2014.

A informação consta em relatório enviado por Stringueta à delegada Ana Cristina Feldner, que também investigou o esquema dos “grampos” antes de o caso “subir” ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O esquema era viabilizado pela prática da “barriga de aluguel”, quando números de telefones de cidadãos comuns, sem conexão com uma investigação, são inseridos em um pedido de quebra de sigilo telefônico à Justiça.

Um dos indícios de que o grampo no coronel Alexandre Mendes teve viés político, segundo Stringueta, é o fato de o militar ser marido da juíza Ana Cristina da Silva Mendes.

“Durante a disputa eleitoral para governador do Estado de Mato Grosso em 2014 (ano do início da grampolândia pantaneira), a Dra. Ana Cristina atuava no Tribunal Regional Eleitoral deste Estado”.

O coronel Alexandre Mendes foi um dos alvos grampeados naquela época nessa chamada grampolândia pantaneira, denotando aparente interesse político eleitoral-partidário nessa operação inidônea

“Descobriu-se que o coronel Alexandre Mendes foi um dos alvos grampeados naquela época nessa chamada grampolândia pantaneira, denotando aparente interesse político eleitoral-partidário nessa operação inidônea”, afirmou o delegado.

O coronel Alexandre Mendes, juntamente com o coronel Victor Fortes, chegaram a ser presos no dia 23 de junho e soltos no dia 27 do mesmo mês.

A prisão ocorreu após o governador Pedro Taques (PSDB) enviar um ofício ao presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Rui Ramos, dando conta de que os dois teriam vazado informações sobre prisões que seriam decretadas posteriormente contra outros militares.

Já Stringueta afirmou que a detenção não passou de uma “manobra” para que ambos fossem exonerados dos seus cargos e o grupo investigado nomeasse quem fosse mais conveniente.

Grampos “políticos”

Os grampos em personagens ligados à eleição de 2014 também foram citados pelo cabo Gérson Corrêa Júnior, preso sob a acusação de ser um dos principais operadores do esquema – e réu confesso.

Em depoimento à Polícia Civil, ele disse que o esquema serviu também para subsidiar eventuais flagrantes de crimes eleitorais praticados por adversários do então candidato e atual governador Pedro Taques (PSDB).

Para tal, conforme o cabo, foram grampeados o então candidato ao Governo, José Marcondes “Muvuca”; e os advogados José Patrocínio e José Rosa, coordenadores jurídicos dos então candidatos Lúdio Cabral (PT) e José Riva, respectivamente.

Veja fac-símile de trecho do relatório:

 

print stringueta diz que houve interesse político em grampo de coronel

 

 

Leia mais sobre o assunto:

Grampos monitoraram adversários de Taques nas eleições de 2014


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