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25.10.2017 | 18h24
Alvo da Rêmora acusa empreiteiro de “sambar na cara da Justiça”
Nas alegações finais, Wander Reis diz que Ricardo Sguarezi apresentou versões diferentes em ação
MidiaNews
O empresário Ricardo Sguarezi, criticado pela defesa de servidor
LUCAS RODRIGUES
DA REDAÇÃO

O servidor público Wander Luiz dos Reis, réu da ação penal derivada da Operação Rêmora, acusou o empreiteiro Ricardo Sguarezi, dono das empresas Aroeira Construções e Relumat, de “sambar na cara da Justiça” por, em tese, ter apresentado versões diferentes em depoimentos juntados ao processo.

A acusação consta nas alegações finais da ação, que apura esquema que teria fraudado licitações na Secretaria de Estado de Educação (Seduc), em 2015, por meio da exigência de propina a empresários que compunham o cartel em troca da concessão de contratos e pagamento de medições de obras.

Na ação, Wander Luiz é acusado de integrar o núcleo de servidores públicos do esquema, juntamente com os ex-servidores Fábio Frigeri e Moisés Dias da Silva. Ele chegou a ser preso em maio do ano passado, mas foi solto meses depois.

Segundo o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), este núcleo tinha o papel de passar informações privilegiadas ao grupo de empresários que compunha o cartel, além de garantir as fraudes nas licitações.

O Sr. Ricardo Sguarezi samba na cara da Justiça! Pois a cada depoimento ele conta uma história diferente

Já Ricardo Sguarezi é testemunha do processo e confessou ter pagado propina ao empresário Giovani Guizardi e a Fábio Frigeri para receber os pagamentos que suas empresas tinham a receber da secretaria.

Wander Reis, por meio de sua defesa, afirmou que o empresário apresentou depoimentos divergentes à Justiça.

O servidor disse que, na primeira oitiva no Gaeco, Sguarezi disse ter falado com ele (à época Superintendente de Obras da Seduc) para tentar receber as medições, ocasião em que Wander teria o encaminhado a Giovani Guizardi, que fazia a arrecadação da propina e se tornou delator do esquema.

Sguarezi relatou que fez uma reunião com Guizardi e com o também delator Luiz Fernando Rondon em um escritório para tratar da porcentagem de propina sobre as medições, que era de 5% e havia pressão para ser reduzida para 3%.

Porém, conforme relatou Wander Reis, no depoimento à juíza Selma Arruda o empreiteiro deu outra versão: a de que a reunião teria sido feita para tratar da divisão das obras das escolas entre os empresários.

“O Sr. Ricardo Sguarezi samba na cara da Justiça! Pois a cada depoimento ele conta uma história diferente. Disse em seu segundo depoimento que a pauta da reunião era a redução do percentual da vantagem indevida, mas perante este Juízo, muda a versão mais uma vez”.

Outra contradição seria o fato de Sguarezi ter contado que Wander Reis chegou a “segurar” os pagamentos da Seduc à Aroeira Construções por mais de dois meses, versão que diverge da planilha de pagamentos juntada pela defesa no processo.

Wander - Seduc

O servidor Wander Reis, réu da Operação Rêmora

“Excelência, a tabela abaixo demonstra de forma clara e precisa que, se ocorreu a demora no pagamento, não foi por determinação do Sr. Wander Luiz dos Reis, e sim por insufiência de saldo para efetuar o pagamento”.

“Além disso, a planilha abaixo nos revela que a maior parte dos procedimentos foram finalizados em menos de 30 dias, diferente do alegado pelo Sr. Ricardo Augusto Sguarezi”.

A defesa também registrou que o próprio empresário, na audiência, disse não confirmar o teor do depoimento prestado ao Gaeco.

“Excelência, indubitavelmente o Sr. Ricardo Augusto Sguarezi profere em seus depoimentos inverdades, portanto, indigno de confiança. Além disso, ele, pelo que parece, é contumaz em se envolver em falcatruas em processos licitatórios, vide o que disse também em sede de instrução. Perguntado se estava sendo processado criminalmente por outros fatos, respondeu: ‘ (...) ah, eu respondo, respondo sim um processo criminal... sobre fraudes em licitação”.

Ainda foram citadas as mensagens trocadas entre Sguarezi e uma servidora da Seduc chamada Sirene que, de acordo com relatório do Gaeco, chegou a pedir que o empresário custeasse suas lentes de contato em troca de favores na secretaria.

“Extrai-se dessas mensagens que o Sr. Ricardo Sguarezi tinha acesso direto com os servidores mencionados acima, e que o Sr. Ricardo Sguarezi não teve nenhum contato com Wander Luiz dos Reis para tratar de tal assunto”.

Operação Rêmora 

A denúncia derivada da 1ª fase da Operação Rêmora aponta crimes de constituição de organização criminosa, formação de cartel, corrupção passiva e fraude a licitação. 

Na 1ª fase, em maio de 2016, foram presos o empresário Giovani Guizardi; os ex-servidores públicos Fábio Frigeri e Wander Luiz; e o servidor afastado Moisés Dias da Silva. Todos foram soltos posteriormente

O juiz Bruno D’Oliveira Marques, substituto da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, recebeu a denúncia.

Nesta fase, são réus na ação penal: Giovani Belato Guizardi, Luiz Fernando da Costa Rondon, Leonardo Guimarães Rodrigues, Moises Feltrin, Joel de Barros Fagundes Filho, Esper Haddad Neto, Jose Eduardo Nascimento da Silva, Luiz Carlos Ioris, Celso Cunha Ferraz, Clarice Maria da Rocha, Eder Alberto Francisco Meciano, Dilermano Sergio Chaves, Flavio Geraldo de Azevedo, Julio Hirochi Yamamoto filho, Sylvio Piva, Mário Lourenço Salem, Leonardo Botelho Leite, Benedito Sérgio Assunção Santos, Alexandre da Costa Rondon, Wander Luiz dos Reis, Fábio Frigeri e Moisés Dias da Silva.

Na segunda fase da operação, foi preso o ex-secretário da pasta, Permínio Pinto. Ele foi posteriormente denunciado junto com o ex-servidor Juliano Haddad.

Em dezembro de 2016,  foi deflagrada a terceira fase da operação, denominada “Grão Vizir”, que prendeu preventivamente o empresário Alan Malouf, dono do Buffet Leila Malouf.

A detenção do empresário foi decorrente da delação premiada firmada entre o empresário Giovani Guizardi e o MPE, onde Guizardi afirmou que Malouf teria doado R$ 10 milhões para a campanha de Pedro Taques no governo e tentado recuperar os valores por meio do esquema.

A terceira fase denominada "Grão Vizir" resultou na segunda denúncia, que teve como alvos o próprio Alan Malouf, considerado um dos líderes do esquema, e o engenheiro Edézio Ferreira

Nesta ação, Alan Malouf foi condenado a 11 anos, 1 mês e 10 dias de reclusão, enquanto Edézio Ferreira recebeu punição de 3 anos e 6 meses de reclusão.

Na terceira denúncia, o MPE apontou sete supostos fatos criminosos praticados pelo grupo envolvendo cobranças de propinas relativas a contratos firmados pela Seduc com as empresas Relumat Construções Ltda. e Aroeira Construções Ltda., das quais Ricardo Augusto Sguarezi é proprietário, e da Dínamo Construtora, de Guizardi.

Os valores cobrados mediante propina variavam de R$ 15 a R$ 50 mil.

A quarta denúncia teve como alvo o deputado estadual Guilherme Maluf (PSDB), acusado de liderar o esquema junto com seu primo Alan Malouf.

Ele é acusado de integrar o núcleo de liderança da organização, sendo beneficiário direto de parcela da propina arrecadada.

Além disso, o MPE o acusa de se valer das influências políticas proporcionadas pelo cargo para "promover as articulações necessárias para o desenvolvimento dos esquemas voltados para solicitação e recebimento de propinas".

Também foi denunciado o segurança do deputado por embaraçamento de investigação, Milton Flávio de Brito Arruda.

Segundo o MPE, após a deflagração da primeira fase da operação Rêmora, a fim de garantir que Giovani Guizardi não revelasse sua atuação aos investigadores, Guilherme Maluf buscou intimidá-lo, utilizando-se para tanto, o seu segurança que é agente penitenciário do Serviço de Operações Especiais e que, a época do fato, estava cedido à Assembleia Legislativa.

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